🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em agosto de 2026. O caldo de feijão verde com carne seca e couve é um cozido de panela típico do Nordeste brasileiro, feito com feijão-verde fresco (também chamado de feijão-de-corda verde ou feijão-fradinho em grão fresco), carne seca dessalgada e desfiada, couve-manteiga fatiada e aromáticos como cebola, alho, louro e cominho. Leva cerca de 1 hora e 15 minutos de preparo total e rende 6 porções generosas, sendo uma receita de transição para a reta final do inverno no Agreste e no Sertão nordestino.
Neste guia você aprende a escolher o feijão-verde fresco, dessalgar a carne seca na água gelada, controlar o ponto do caldo (sem desfazer o grão) e combinar a couve no momento certo para ela ficar verde e perfumada, sem ficar escura. A técnica é simples e foi ajustada para cozinhar em panela de pressão, que reduz o tempo do grão sem virar um purê.
Ingredientes do caldo
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Feijão-verde fresco em grão | 500 g | Equivalente a 3 xícaras de grão fresco debulhado, sem casca |
| Carne seca (charque) magra | 400 g | Equivalente a uma peça inteira, em manta, para desfiar depois |
| Couve-manteiga | 200 g | Equivalente a um maço grande, só as folhas, fatiada fino |
| Cebola média | 150 g | Equivalente a uma cebola média, picada em cubos pequenos |
| Alho | 20 g | Equivalente a quatro dentes médios, picados |
| Tomate maduro | 180 g | Equivalente a dois tomates médios, sem sementes, picados |
| Cenoura média | 120 g | Equivalente a uma cenoura média, em cubos pequenos |
| Batata inglesa média | 200 g | Equivalente a duas batatas médias, em cubos |
| Óleo de soja ou azeite | 40 ml | Para refogar os aromáticos |
| Folha de louro | 1 g | Equivalente a uma folha, só para aromatizar |
| Cominho em pó | 3 g | Equivalente a uma colher de chá rasa |
| Pimenta-do-reino | 2 g | Equivalente a meia colher de chá, moída na hora |
| Sal grosso | a gosto | Ajuste no final, porque a carne seca já tem sódio |
| Água filtrada | 1500 ml | Para a pressão e para ajustar a consistência |
Modo de preparo do caldo

O cozimento acontece em duas frentes paralelas: o dessalgue da carne e a cocção do feijão-verde na pressão. Enquanto a carne descansa depois de cozida, o caldo de feijão ganha os aromáticos refogados e termina com a couve fresca em fogo baixo, mantendo a cor viva.
Como dessalgar e cozinhar a carne seca
- Corte a carne seca em pedaços de 8 cm e coloque em uma tigela grande com 1 litro de água gelada. Troque a água a cada 4 horas, repetindo por três vezes, até a água sair clara e sem espuma.
- Depois do último dessalgue, escorra a carne e leve a uma panela de pressão com 700 ml de água e a folha de louro. Cozinhe em pressão alta por 30 minutos contados a partir do chiado.
- Espere a pressão sair naturalmente, abra a panela, descarte o caldo do cozimento e desfie a carne com as mãos ou com dois garfos. Reserve a carne desfiada em uma tigela.
Como cozinhar o feijão-verde e montar o caldo
- Lave o feijão-verde em água corrente, retire grãos estragados e deixe de molho em 500 ml de água por 30 minutos. Escorra e reserve.
- Em uma panela de pressão limpa, aqueça o óleo em fogo médio e refogue a cebola e o alho por 3 minutos, até a cebola ficar translúcida.
- Acrescente o tomate, a cenoura, a batata, o cominho e a pimenta-do-reino. Refogue por mais 2 minutos, mexendo para não queimar o alho.
- Junte o feijão-verde escorrido, 1500 ml de água filtrada e a folha de louro. Tampe a panela e cozinhe em pressão alta por 12 minutos contados a partir do chiado.
- Espere a pressão sair naturalmente, abra a panela e retire a folha de louro. Com uma escumadeira, separe cerca de um terço dos grãos e reserve.
- Com um espremedor de batatas ou uma colher, amasse levemente o restante dos grãos dentro do próprio caldo para engrossar, sem virar purê.
- Volte os grãos reservados ao caldo, junte a carne seca desfiada e a couve-manteiga fatiada. Cozinhe em fogo baixo, sem tampa, por 8 minutos, até a couve murchar e ficar verde-escura.
- Prove o caldo e ajuste o sal. Normalmente não precisa adicionar sal porque a carne seca já tem sódio, mas se necessário acrescente sal grosso aos poucos e mexa.
Tempo de preparo e rendimento
Tempo de preparo: 30 minutos.
Tempo de cozimento: 45 minutos.
tempo total: 75 minutos.
Rende 6 porções generosas.
Como escolher o feijão-verde e dessalgar a carne seca
O feijão-verde fresco é o grão debulhado da vagem antes de secar, com cor verde-clara e textura macia. Diferente do feijão-fradinho seco, ele cozinha em 12 minutos na pressão e não precisa ficar de molho por horas. Em agosto, o feijão-verde está no pico da safra no Agreste pernambucano e no Sertão alagoano, e é vendido em feiras livres dentro de sacos de 1 kg, já debulhado. Na hora de comprar, prefira grãos firmes, sem cheiro adocicado e sem manchas escuras, evitando pacotes com líquido acumulado no fundo que indicam grão muito maduro.
O dessalgue correto é o que decide se o caldo fica leve ou salgado demais. A regra é trocar a água gelada a cada 4 horas e usar três águas no total, com a carne sempre coberta. Em regiões quentes, mantenha a tigela na parte mais fria da geladeira entre as trocas para evitar cheiro azedo. Se quiser acelerar, corte a carne em cubos de 4 cm antes de colocar na água, e o sal sai em duas trocas de 2 horas cada. Aproveite o líquido descartado para lavar a louça ou regar plantas não sensíveis a sódio, porque ele é muito salgado para cozinhar. Depois do cozimento na pressão, o caldo da carne é descartado por concentrar o sódio remanescente, e a carne desfiada é o que vai para o caldo de feijão.
Por que a couve entra no final e o que servir junto
Adicionar a couve junto com o feijão-verde na pressão faz a folha passar do ponto e ficar escura, com gosto amargo e textura de borracha. O movimento correto é fatiar fino e jogar no caldo já aberto, em fogo baixo, por 8 minutos no máximo, sem tampar, para manter a cor verde-escura e o perfume fresco. Em Pernambuco, alguns cozinheiros adicionam também 80 g de maxixe limpo cortado em rodelas junto com a couve, o que dá um toque verde-ácido e encorpa o caldo.
Para servir, o caldo pede acompanhamento leve que contraste com a textura cremosa. As combinações mais comuns no Nordeste são arroz branco solto, farofa de cebola dourada na manteiga da terra e um pirão feito com o próprio caldo engrossado com farinha de mandioca. Em noites frias, uma tigela grande do caldo com pão francês amanhecido é refeição completa. Para harmonizar, prefira sucos cítricos como caju ou maracujá, que cortam a untuosidade da carne seca. Para um jantar mais leve, uma salada de tomate com cebola roxa e coentro fresco resolve em 10 minutos.
Conservação e reaproveitamento
O caldo de feijão verde com carne seca dura até 3 dias na geladeira em pote fechado, e até 3 meses no freezer em porções de 250 g. Para descongelar, leve direto ao fogo baixo em panela tampada, mexendo de vez em quando. Se o caldo engrossar demais na geladeira, adicione 100 ml de água quente por porção antes de reaquecer.
O reaproveitamento mais comum é transformar o que sobrou em empadão: desfie a carne restante, misture com o caldo engrossado e recheie uma massa de farinha com manteiga. Outra opção é usar o caldo como base para um arroz de forno, substituindo a água do cozimento pelo caldo de feijão verde. A couve que sobrar pode virar recheio de omelete com queijo coalho, no café da manhã do dia seguinte.
Receitas nordestinas de panela que combinam com este caldo
Se você gosta do caldo de feijão verde com carne seca e couve, vale conhecer outros cozidos de panela do mesmo cluster nordestino. O baião de dois cearense com feijão-fradinho e paio é o primo mais próximo, porque também usa feijão-fradinho como base e mantém o perfil cremoso, só trocando a carne seca pelo paio fresco. Para uma textura mais untuosa, o caldo de mocotó à baiana com dendê e leite de coco usa um colágeno diferente, mas o formato é o mesmo caldo grosso servido em tigela grande no jantar de sexta.
Quem prefere o corte da carne seca mais ao ponto tem a carne de sol acebolada com manteiga da terra e pirão de leite do Agreste, com o grão do feijão separado e a carne inteira selada. Para variar a base de feijão, o caldinho de feijão preto com paio e couve do Recôncavo Baiano é uma versão em porção menor do mesmo caldo, servida em caneca como entrada. Por fim, no recorte do cozido do sertão, a jurubeba guisada com frango caipira mostra outro caminho aromático para pratos de panela com ingrediente regional do Nordeste.
Tire suas dúvidas
Posso usar feijão-fradinho seco no lugar do fresco?
Sim, mas o tempo de preparo muda bastante. O feijão-fradinho seco precisa de 8 horas de molho e 25 minutos na pressão, contra 30 minutos de molho e 12 minutos na pressão do fresco. O sabor final fica mais encorpado, então vale a pena se você não achar fresco na feira.
Dá para fazer sem carne seca?
Sim. Para uma versão sem carne vermelha, substitua a carne seca por 400 g de frango caipira em pedaços, cozido na pressão por 20 minutos e desfiado. O caldo fica mais leve e mantém o perfil de prato nordestino de panela. Outra opção é usar 300 g de tofu firme em cubos dourados na frigideira antes de incorporar ao caldo.
Posso usar panela comum em vez de pressão?
Pode, mas o tempo de cozimento do feijão-verde sobe de 12 para 50 a 60 minutos em panela tampada, em fogo baixo, com o cuidado de manter água suficiente para cobrir os grãos. A carne seca, por sua vez, leva 1 hora e 30 minutos em panela comum. Planeje começar a receita 1 hora antes.
O caldo de feijão verde com carne seca é prato típico de qual estado?
É uma receita caseira comum em todo o Nordeste brasileiro, com variações regionais. Em Pernambuco, costuma levar maxixe; na Paraíba, recebe cheiro-verde no final; no Rio Grande do Norte, ganha um toque de pimentão vermelho. A base, porém, é a mesma: feijão-verde fresco, carne seca desfiada e couve.
Como sei que o feijão-verde ficou no ponto certo?
Teste um grão na boca: ele deve estar cozido por inteiro, mas ainda manter a forma quando apertado com a língua. Se começar a virar purê ao amassar, é sinal de que passou do ponto. Outra referência visual: a casca do grão fica levemente rachada, mas o interior segue verde-claro e úmido.
Dá para congelar o caldo pronto?
Sim, e é uma das melhores formas de manter o sabor. Espere o caldo esfriar completamente, distribua em porções de 250 g em potes de vidro com tampa, deixe um dedo de espaço livre para a dilatação e leve ao freezer. Na hora de usar, descongele direto na panela em fogo baixo, sem micro-ondas, para preservar a textura do grão.
Qual a diferença entre feijão-verde e feijão-fradinho?
O feijão-verde é o grão fresco do feijão-de-corda ou feijão-fradinho colhido antes de secar, com textura macia e cor verde-clara. O feijão-fradinho seco é o mesmo grão depois de desidratado, com casca mais firme e cor amarelo-palha. Os dois pertencem à mesma espécie, mas o fresco cozinha em 12 minutos na pressão, enquanto o seco leva 25 minutos.
Posso adicionar outros legumes ao caldo?
Sim. Abobrinha italiana em cubos, chuchu e batata-doce entram bem nos últimos 10 minutos de cozimento aberto, junto com a couve. Evite legumes que soltam muita água, como tomate italiano sem sementes, para não diluir o caldo. O ideal é manter a proporção de 200 g de legumes extras para cada 500 g de feijão-verde fresco.
O caldo engrossou demais na geladeira, e agora?
Adicione 100 ml de água quente por porção antes de reaquecer em fogo baixo, mexendo devagar até incorporar. Se mesmo assim estiver muito grosso, bata metade do caldo no liquidificador por 10 segundos e misture de volta ao restante. Isso devolve a cremosidade sem alterar o sabor.
Posso usar carne de sol no lugar da carne seca?
Sim, e o sabor fica mais leve e menos salgado. A carne de sol precisa de apenas duas trocas de água gelada, com 2 horas cada, porque tem menos sódio que a carne seca. Na pressão, o cozimento cai de 30 para 20 minutos. O resultado é um caldo com aroma mais suave, que combina bem com a couve.


