🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- O que é o pitu e por que ele combina com caldo de panela
- Ingredientes do caldo de pitu com pirão de aipim
- Modo de preparo do caldo de pitu com pirão de aipim
- Tempo de preparo e rendimento do caldo de pitu
- Como servir e conservar o caldo de pitu
- Variações regionais do caldo de pitu no Nordeste
- Tire suas dúvidas sobre o caldo de pitu com pirão de aipim
Atualizado em outubro de 2026. O caldo de pitu com pirão de aipim e leite de coco é um prato de panela única típico do litoral e da zona da mata do Nordeste brasileiro, especialmente de Pernambuco, da Paraíba e do sul da Bahia, onde o pitu (Macrobrachium carcinus) entra nos rios, riachos e manguezais durante os meses mais quentes. A receita combina o cozimento lento do crustáceo com um refogado aromático de cebola, alho, tomate e coentro, finaliza com leite de coco e manteiga da terra, e fecha com um pirão de aipim engrossado no próprio caldo. É um almoço completo de domingo, encorpado, que funciona bem com arroz branco e uma farofa simples de cebola. Se você curte a combinação de crustáceo nordestino com pirão, vale conhecer também o caldo de marisco nordestino, a caranguejada sergipana com arroz de coco e o caldo de pacu com pirão de mandioca, todos com a mesma técnica de panelada litorânea. Para uma versão com peixe de rio no lugar do crustáceo, o badejo cozido com pirão de aipim é uma boa referência de técnica.
O que é o pitu e por que ele combina com caldo de panela
O pitu é um camarão de água doce da família Palaemonidae, conhecido cientificamente como Macrobrachium carcinus e chamado popularmente de lagosta-de-são-fidélis, lagosta-d’água-doce, cutipaca ou camarão-grande em diferentes estados. Habita córregos, rios e riachos da Flórida ao sul do Brasil, com populações bem estabelecidas no Rio São Francisco, no Capibaribe, no Paraíba, no Vaza-Barris e em afluentes do Recôncavo Baiano. Chega a 30 centímetros de comprimento e a 850 gramas, com casca escura e grandes pinças que dão nome ao gênero. Em Pernambuco, no litoral sul da Bahia, em Alagoas e em Sergipe, o pitu aparece com fartura entre setembro e março, quando as águas estão mais quentes e os crustáceos se aproximam da foz dos rios. No preparo, a casca concentra sabor e a carne branca, firme e adocicada, sustenta cozimentos longos sem desfiar, formando a base ideal para caldos encorpados, cozidos e pirões de mesa. Por isso, ele aparece tradicionalmente em paneladas, caldinhos, arroz de pitu e ensopados servidos em almoços de família no fim de semana.
Ingredientes do caldo de pitu com pirão de aipim

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Pitu fresco inteiro | 1,2 kg | Equivalente a seis a oito unidades médias, com casca, cabeça e pinças |
| Aipim (mandioca) descascado | 600 g | Em pedaços médios para o pirão |
| Cebola média picada | 200 g | Equivalente a duas cebolas médias, em cubos pequenos |
| Tomate maduro picado | 180 g | Equivalente a dois tomates médios, sem sementes |
| Dente de alho amassado | 20 g | Equivalente a cinco dentes médios |
| Pimentão vermelho picado | 90 g | Equivalente a meio pimentão médio, em cubos |
| Leite de coco natural | 400 ml | De preferência fresco ou caseiro, sem açúcar |
| Manteiga da terra ou ghee | 30 g | Para finalizar e dar brilho ao caldo |
| Coentro fresco picado | 15 g | Equivalente a um maço pequeno, folhas e talos |
| Cebolinha fresca picada | 10 g | Equivalente a quatro hastes médias |
| Sal grosso | 12 g | Ajuste ao longo do cozimento |
| Pimenta-de-cheiro fresca | 6 g | Equivalente a duas unidades pequenas, fatiada |
| Folha de louro | 1 g | Equivalente a uma folha |
| Água filtrada | 1,5 L | Para cobrir os pitus e cozinhar o aipim |
| Óleo de soja | 30 ml | Para o refogado inicial |
Para o pirão de aipim que finaliza o caldo
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Aipim cozido reservado do caldo | 500 g | Já cozido no caldo, amassar com garfo |
| Caldo do cozimento do pitu | 600 ml | Coado e quente, para bater o pirão |
| Sal | 3 g | Ajuste final |
Modo de preparo do caldo de pitu com pirão de aipim
Comece pela limpeza dos pitus e o cozimento do aipim, porque essas duas etapas determinam o tempo total. O refogado aromático entra logo depois, e o pirão é finalizado nos últimos minutos, ainda na panela do caldo.
Como limpar o pitu e cozinhar o aipim
- Lave os pitus inteiros em água corrente e escorre bem. Com uma escova macia, esfregue a casca das pinças e do corpo para remover impurezas do rio.
- Com uma tesoura de cozinha, corte as antenas longas, o bico e as pontas das patas. Reserve as cabeças, cascas e pinças, porque concentram sabor no caldo.
- Descasque o aipim, retire a fibra central e corte em pedaços médios de cerca de quatro centímetros. Mantenha os pedaços em água com uma pitada de sal até a hora de cozinhar.
- Em uma panela de pressão grande, coloque os pitus inteiros, o aipim cortado, a folha de louro, metade da cebola e cinco grãos de pimenta-de-cheiro inteiros. Cubra com um litro e meio de água filtrada.
- Tampe a panela, leve ao fogo alto e, quando pegar pressão, abaixe para fogo médio e conte doze minutos. Desligue o fogo, espere a pressão sair naturalmente e abra a panela.
- Retire o aipim cozido com uma escumadeira e reserve em uma tigela. Coe o caldo do cozimento e reserve seiscentos mililitros em uma tigela separada. Reserve os pitus em uma travessa.
Como refogar a base aromática e finalizar o caldo
- Em uma panela larga e funda, aqueça os trinta mililitros de óleo de soja em fogo médio. Acrescente a cebola restante picada e refogue por três minutos até ficar translúcida.
- Adicione o alho amassado e o pimentão vermelho. Refogue por mais dois minutos, mexendo para não queemar o alho.
- Entre com o tomate picado, a pimenta-de-cheiro fatiada e uma pitada de sal. Cozinhe por quatro minutos, amassando o tomate com a colher, até formar um molho grosso.
- Volte os pitus inteiros cozidos para a panela, cubra com o caldo do cozimento reservado e deixe ferver em fogo baixo por oito minutos, para que os sabores se misturem.
- Despeje os quatrocentos mililitros de leite de coco, acrescente a cebolinha, metade do coentro e a manteiga da terra. Cozinhe por mais quatro minutos em fogo baixo, sem ferver forte, para não talhar o leite de coco.
- Desligue o fogo, finalize com o restante do coentro fresco, corrija o sal e reserve tampado por cinco minutos antes de servir.
Como bater o pirão de aipim que acompanha o caldo
- Em uma panela menor, leve ao fogo médio os seiscentos mililitros de caldo do cozimento reservado. Quando começar a ferver, acrescente o aipim cozido reservado, previamente amassado com garfo.
- Mexa com um batedor de arame por três minutos, até o aipim se desmanchar e o caldo engrossar até virar um pirão liso e brilhante.
- Tempere com três gramas de sal, mexa mais uma vez e mantenha aquecido em fogo baixo até a hora de servir.
Tempo de preparo e rendimento do caldo de pitu
Tempo de preparo: 30 minutos.
Tempo de cozimento: 30 minutos.
tempo total: 60 minutos.
Rende 6 porções generosas.
O tempo de preparo considera a limpeza dos pitus, o descascamento do aipim e o corte dos vegetais. O tempo de cozimento soma a panela de pressão, o refogado aromático e a finalização com leite de coco. O pirão entra nos últimos minutos e é montado à parte, em uma panela menor, usando o caldo coado do cozimento dos crustáceos.
Como servir e conservar o caldo de pitu
Sirva o caldo bem quente em pratos fundos, com o pirão de aipim ao lado, em uma tigela pequena, para que cada pessoa acrescente a quantidade desejada. Acompanha bem arroz branco soltinho, uma farofa simples de cebola e manteiga, e uma salada verde de pepino com limão. Para uma mesa de domingo, finalize o prato com um fio de manteiga da terra por cima e uma folha de coentro fresca. A bebida que mais combina é uma cerveja gelada bem leve, suco de caju ou um vinho branco seco gelado, sem madeira. Sobrou caldo? Guarde em pote de vidro com tampa na geladeira por até dois dias, ou em porções individuais no freezer por até sessenta dias. Na hora de reaquecer, faça em fogo baixo e só adicione o coentro fresco no final. O pirão pede ser refeito na hora, porque engrossa demais quando esfria.
Variações regionais do caldo de pitu no Nordeste
Em Pernambuco, principalmente no Agreste e na zona da mata norte, o caldo de pitu costuma levar uma colher de azeite de dendê na finalização, ganhando um tom alaranjado e um sabor mais terroso, parecido com o que se vê em pratos de camarão de praia. Na Paraíba, no litoral sul, a versão mais popular entra com um refogado de coentro e cebola batidos no liquidificador, o que dá ao caldo uma textura mais aveludada e uma cor verde-clara puxada para o marrom. No sul da Bahia, principalmente em Ilhéus e arredores, o pitu aparece em paneladas com leite de coco e pirão de arroz, em vez do pirão de aipim, e leva uma pitada de cominho na base aromática. No Recôncavo Baiano, a tradição é finalizar o caldo com uma colher de farinha de mandioca torrada dissolvida no próprio caldo, em vez de montar o pirão à parte, criando um caldo grosso e rústico que lembra o bobó de camarão. Em Sergipe e em Alagoas, a versão de panela única costuma acrescentar pedaços de batata inglesa na cozimento junto com o aipim, deixando o caldo mais encorpado e o pirão mais cremoso.
Tire suas dúvidas sobre o caldo de pitu com pirão de aipim
O que é o pitu usado nessa receita?
O pitu é um camarão de água doce nativo dos rios e riachos do Nordeste brasileiro, com nome científico Macrobrachium carcinus. Pode chegar a trinta centímetros e a oitocentos e cinquenta gramas, e tem casca escura e pinças grandes, que são aproveitadas inteiras no cozimento. É diferente do camarão marinho, tanto em sabor quanto em textura, e tem um leve dulçor de água doce.
Posso substituir o pitu por outro crustáceo?
Sim. O substituto mais próximo em sabor e textura é o camarão de água doce criado em viveiros, conhecido em Pernambuco como pitu de cativeiro. Também dá para usar camarão rosa grande, lagostim ou até mesmo cação em postas, ajustando o tempo de cozimento para não passar do ponto. O pirão de aipim funciona bem com qualquer um desses.
Onde encontrar pitu fresco?
O pitu fresco aparece em feiras livres de Recife, de Aracaju, de Maceió, de Salvador e de João Pessoa, principalmente entre os meses de setembro e março. Algumas casas de carne e peixarias do Sudeste e do Sul importam pitu congelado do Nordeste, vendido inteiro ou apenas as pinças. Verifique a procedência e a data de embalagem antes de comprar.
Posso fazer o caldo só com as pinças do pitu?
Pode. As pinças concentram a maior parte da carne branca e firme, e são vendidas separadamente em algumas peixarias. Nesse caso, reduza a quantidade para oitocentos gramas, mantenha o tempo de cozimento e use a casca das pinças na panela de pressão para reforçar o sabor do caldo.
O pirão de aipim pode ser feito com outro tubérculo?
Sim. O pirão tradicional aceita inhame, batata-baroa, batata inglesa ou até mesmo cará, sempre cozidos no próprio caldo. O aipim dá o pirão mais encorpado e com sabor neutro, que combina com o leite de coco do caldo. O inhame fica mais liso, e a batata-baroa fica levemente adocicada, mudando um pouco o perfil do prato final.
Dá para fazer a receita sem leite de coco?
Dá, mas o sabor fica menos redondo. O leite de coco é o que dá a doçura e a cremosidade que equilibram o sabor forte do crustáceo. Se não puder usar, substitua por duzentos mililitros de creme de leite fresco adicionado apenas no final, em fogo bem baixo, para não talhar.
Quanto tempo o caldo de pitu dura na geladeira?
Em pote de vidro com tampa, guardado na geladeira em temperatura abaixo de cinco graus, o caldo dura até dois dias em perfeitas condições. No freezer, em porções individuais etiquetadas, dura até sessenta dias. O pirão de aipim deve ser feito na hora de servir, porque perde a textura lisa após gelar.
Qual a diferença entre o pitu e o camarão de água doce comum?
O pitu é o maior camarão de água doce do Brasil, com porte muito superior ao do camarão de água doce comum, que raramente passa de quinze centímetros. O sabor do pitu é mais concentrado, a carne é mais firme e a casca tem mais sabor, o que faz com que ele renda caldos mais encorpados. Por isso, o pitu é tradicionalmente usado em paneladas, caldos e pirões, enquanto o camarão de água doce menor aparece mais em frituras e recheios.
Posso usar pitu congelado no lugar do fresco?
Sim. O pitu congelado mantém bem o sabor e a textura, desde que seja descongelado em geladeira, de um dia para o outro, dentro de um prato coberto. Evite descongelar em temperatura ambiente, porque a casca pode ressecar e a carne pode perder sabor. Na hora de cozinhar, siga a mesma técnica de panela de pressão indicada na receita.


