🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- Ingredientes do caldo de tamarindo com carne seca
- Modo de preparo do caldo de tamarindo
- Tempo de preparo e rendimento do caldo de tamarindo
- Por que o tamarindo combina com carne seca nordestina
- Variações regionais do caldo de tamarindo pelo Brasil
- Como servir e conservar o caldo de tamarindo com carne seca
- Tire suas dúvidas sobre o caldo de tamarindo com carne seca
Atualizado em setembro de 2026. O caldo de tamarindo com carne seca e cheiro-verde é uma sopa nordestina que une a acidez suave da polpa de tamarindo à carne seca dessalgada e desfiada, com cheiro-verde fresco na hora de servir. A polpa dá um toque agridoce equilibrado, sem virar azedo demais, e combinada com carne seca dessalgada com calma, cebola dourada, alho e um fio de azeite no fim vira um caldo de cor âmbar, com aroma de fundo que lembra os molhos de fruta ácida da cozinha baiana e pernambucana. A textura é leve, quase rala, com pedacinhos de carne e folhas de coentro e cebolinha flutuando na superfície.
Esta receita entra na rotina da casa como uma variação nordestina dos caldos com carne seca publicados aqui no blog, como o caldo de umbu com carne seca e mandioca e o caldo de cenoura com carne seca e cheiro-verde. Em vez de leguminosas ou tubérculos como base, o que dá o corpo e o caráter é a polpa ácida do tamarindo. O resultado é um jantar de panela rápido de executar, com rendimento generoso e pouca exigência de técnica.
A árvore do tamarindo é originária da África, foi introduzida no Brasil pelos portugueses e aparece em quintais e feiras do Recôncavo Baiano, do Agreste pernambucano, do Ceará e do Maranhão. A polpa entra aqui como tempero principal, em quantidade suficiente para perfumar o caldo sem sobrecarregar o paladar.
Ingredientes do caldo de tamarindo com carne seca
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Carne seca magra em peça | 500 g | Equivalente a uma peça de aproximadamente 600 g antes do dessalgue, em cubos médios |
| Polpa de tamarindo concentrada | 180 g | Equivalente a quatro colheres de sopa cheias, sem sementes |
| Batata inglesa descascada | 300 g | Em cubos pequenos para engrossar levemente o caldo |
| Cebola média | 200 g | Equivalente a duas cebolas médias, picadas em cubos pequenos |
| Tomate maduro | 180 g | Equivalente a dois tomates médios, sem sementes, picados |
| Alho | 20 g | Equivalente a quatro dentes médios, bem picados |
| Cheiro-verde (cebolinha e coentro) | 30 g | Equivalente a um maço médio, com talos finos picados junto |
| Folha de louro | 2 g | Equivalente a duas folhas médias, retiradas antes de servir |
| Pimenta-malagueta fresca | 5 g | Equivalente a uma unidade pequena, sem sementes, picada fina (opcional) |
| Sal fino | 10 g | Quantidade inicial, ajustar depois do dessalgue da carne |
| Pimenta-do-reino moída na hora | 3 g | Equivalente a meia colher de chá |
| Azeite de oliva extravirgem | 30 ml | Para finalizar o caldo na hora de servir |
| Água filtrada | 2 L | Para o cozimento da carne e do caldo final |
O cálculo da carne seca considera dessalgue de 12 horas em água gelada, com troca a cada quatro horas. A polpa de tamarindo pode ser comprada concentrada em potes de vidro ou blocos congelados nas feiras nordestinas; ou extraída das vagens frescas, batendo a polpa com água morna no liquidificador e coando em peneira fina.
Modo de preparo do caldo de tamarindo

O preparo se divide em três frentes: dessalgar e cozinhar a carne seca, refogar os aromas e montar o caldo com a polpa de tamarindo, e finalizar com cheiro-verde e azeite. As três frentes se encadeiam naturalmente e o tempo total fica em torno de uma hora e meia.
Como dessalgar e cozinhar a carne seca
- Corte a carne seca em cubos médios de cerca de três centímetros e coloque em uma tigela grande. Cubra com água gelada e deixe de molho por 12 horas, trocando a água a cada quatro horas para retirar o sal em excesso.
- Depois do dessalgue, escorra a carne, descarte a água do molho e transfira os cubos para a panela de pressão. Cubra com 1,5 L de água filtrada, acrescente uma folha de louro e leve ao fogo alto.
- Quando a panela pegar pressão, abaixe o fogo e cozinhe por 25 minutos. Desligue o fogo, espere a pressão sair naturalmente e abra a panela. Reserve a carne cozida e o caldo do cozimento separados.
- Desfie a carne com as mãos ou com dois garfos, separando os pedaços maiores em fibras médias. Reserve a carne desfiada em uma tigela e o caldo do cozimento em outra.
Como refogar os aromas e montar o caldo
- Em uma panela grande e funda, aqueça duas colheres de sopa do caldo do cozimento da carne em fogo médio. Acrescente metade da cebola picada e refogue até ficar translúcida, cerca de quatro minutos.
- Adicione o alho picado e refogue por mais um minuto, mexendo para não queimar. Acrescente o restante da cebola e o tomate picado sem sementes.
- Refogue o tomate até começar a desmanchar, cerca de cinco minutos. Acrescente a batata em cubos pequenos, a carne seca desfiada e a folha de louro restante.
- Despeje o caldo do cozimento da carne reservado e complete com água filtrada até atingir dois litros. Tempere com sal fino e pimenta-do-reino, lembrando que a carne seca ainda tem sal residual.
- Quando o caldo levantar fervura, diminua o fogo e cozinhe em fogo brando por 15 minutos, até que a batata esteja macia e comece a se desfazer levemente no caldo.
- Acrescente a polpa de tamarindo concentrada, mexa bem para dissolver e deixe o caldo ferver suavemente por mais cinco minutos, para que a acidez se integre ao fundo aromático.
Como finalizar o caldo e servir
- Prove o caldo e ajuste o sal. Lembre que a polpa de tamarindo é ácida e pode pedir uma pitada extra de sal para equilibrar o sabor.
- Acrescente a pimenta-malagueta picada sem sementes, se estiver usando, e mexa por 30 segundos para que libere aroma sem sobrecarregar o paladar.
- Desligue o fogo, retire as folhas de louro e acrescente o cheiro-verde picado com os talos finos. Tampe a panela e deixe o caldo descansar por dois minutos, para que as folhas murchem levemente no calor.
- Sirva o caldo em tigelas fundos, finalize com um fio de azeite de oliva extravirgem cru por cima e, se gostar, uma pitada extra de cheiro-verde fresco.
Tempo de preparo e rendimento do caldo de tamarindo
Tempo de preparo: 30 minutos.
Tempo de cozimento: 55 minutos.
tempo total: 85 minutos.
Rende 6 porções generosas.
O tempo de preparo considera os 30 minutos de mise en placê (cortar a carne, picar cebola, alho, tomate, cheiro-verde, descascar batata, medir a polpa). O cozimento inclui 25 minutos na pressão para a carne, mais 20 minutos do refogado e do caldo com tamarindo na panela aberta. Como prato principal, rende seis tigelas grandes; como entrada, até oito porções menores.
Por que o tamarindo combina com carne seca nordestina
A combinação de fruta ácida com carne curada é clássica (limão com carne de sol no Ceará, tamarindo com carne na cozinha indiana) e funciona porque a acidez corta o sal residual e refresca o paladar. No caso do tamarindo, a acidez vem com dulçor leve e notas que lembram caramelo, suavizando a rusticidade da carne seca sem mascará-la.
A polpa de tamarindo combina especialmente bem com a carne seca por cortar a gordura e o sal residual, refrescando o paladar. Combinada com a proteína magra da carne seca e a batata que libera amido no caldo, o prato vira refeição completa, com pouca gordura e bom equilíbrio entre sal, ácido e doce de fundo.
O tamarindo também tem fama de abrir o apetite e ajudar na digestão, sendo presença clássica em caldos nordestinos. A acidez da polpa estimula a salivação e prepara o estômago para a carne seca, que é mais densa de digerir do que a carne fresca.
Variações regionais do caldo de tamarindo pelo Brasil
No Maranhão, é comum engrossar o caldo com farinha d’água batida no caldo quente na hora de servir, no estilo do arroz de cuxá, dando corpo de creme leve. Em Pernambuco, parte da água pode ser substituída por caldo de legumes caseiro, o que aprofunda o aroma e reduz a dependência do sal da carne.
Na Bahia, uma variação frequente é finalizar com leite de coco, o que arredonda a acidez e adiciona gordura boa que combina com a carne seca, lembrando os caldos litorâneos do estado. No Ceará, é comum adicionar uma pitada de colorau depois do refogado, dando cor avermelhada e sabor de fundo defumado.
Para versão mais leve, troque metade da batata inglesa por batata-doce, o que adiciona doçura natural e mais cor. Outra opção é acrescentar quiabo cortado em rodelas nos últimos dez minutos de cozimento, deixando o caldo mais viscoso. Quem preferir versão sem carne suína, basta trocar a carne seca por carne de sol magra, com dessalgue de oito horas.
Como servir e conservar o caldo de tamarindo com carne seca
O caldo de tamarindo com carne seca fica melhor servido bem quente, em tigelas de barro, com acompanhamento de arroz branco solto, farofa de manteiga e pirão feito com o próprio caldo engrossado com farinha de mandioca. Na versão completa, o jantar vira uma mesa tipicamente nordestina, com o caldo como prato principal ao centro.
Para acompanhar, couve refogada com alho, queijo coalho grelhado em frigideira e, se a ocasião permitir, uma cerveja gelada ou cachaça de boa qualidade. Sem álcool, um suco de caju ou maracujá combina bem com a acidez do caldo.
Para conservar, espere o caldo esfriar completamente, retire as folhas de louro e guarde em recipiente de vidro com tampa na geladeira por até três dias. Para congelar, distribua em porções individuais em potes próprios para freezer, deixando dois centímetros de espaço livre no topo. O caldo congelado dura até três meses. Na hora de reaquecer, faça em fogo brando mexendo de vez em quando; se ficar grosso depois do congelamento, acrescente um pouco de água filtrada até atingir a consistência original.
Tire suas dúvidas sobre o caldo de tamarindo com carne seca
O tamarindo pode ser substituído por outra fruta ácida nesse caldo?
Sim, com ajustes. As substituições mais próximas são a polpa de ameixa seca preta dissolvida em água morna (mais doce) e o suco de limão coado (mais fresco). Umbu, seriguela e cajá-verde também funcionam no perfil agridoce, mas mudam bastante o sabor de fundo.
Posso usar carne de sol em vez de carne seca?
Pode, e o resultado fica até mais suave. A carne de sol tem menos sal e menos tempo de cura, então o dessalgue cai de doze horas para oito horas em água gelada, com duas trocas. O sabor final é mais delicado e menos defumado, mas o prato continua mantendo o perfil agridoce do caldo de tamarindo.
Onde comprar polpa de tamarindo pronta no Brasil?
Em feiras livres do Nordeste e em mercados de bairro com influência baiana ou pernambucana, a polpa de tamarindo concentrada é encontrada em potes de vidro ou blocos congelados. Em outras regiões, procure em casas de ingredientes naturais, empórios especializados ou versões importadas em supermercados grandes.
Preciso tirar a semente do tamarindo fresco?
Sim, sempre. As sementes são duras e amargas. Para extrair a polpa, quebre a casca da vagem com as mãos ou martelo de cozinha, retire a polpa que envolve cada semente e bata no liquidificador com um pouco de água morna. Coe em peneira fina e use o líquido como polpa pronta.
O caldo de tamarindo com carne seca pode virar prato principal?
Pode sim, e é a forma mais tradicional de servir. Com o acompanhamento de arroz branco, farofa e couve refogada, o caldo rende seis porções generosas como prato principal do jantar. Servido em tigelas menores como entrada, rende oito porções, e fica bem como primeiro prato em um almoço com vários pratos nordestinos.
Dá para fazer o caldo sem batata?
Dá, mas a batata ajuda a dar corpo. Sem ela, o caldo fica mais ralo e a acidez do tamarindo fica mais pronunciada. Para repor a função, use inhame em cubos, mandioca em cubos pequenos ou uma colher de farinha de mandioca dissolvida no caldo nos últimos cinco minutos de cozimento.
Como deixar o caldo menos ácido para quem tem o estômago sensível?
A forma mais simples é reduzir a polpa de tamarindo pela metade, usando 90 g em vez de 180 g, e acrescentar uma colher de sopa de leite de coco na finalização. O leite de coco neutraliza parte da acidez sem alterar o sabor de fundo. Outra opção é uma pitada de açúcar mascavo no final, equilibrando a acidez sem deixar o caldo doce.
Posso fazer o caldo na panela elétrica ou no multicooker?
Pode, com tempo parecido. Na panela elétrica de arroz, a carne seca pede 40 minutos com água e louro; depois, refogue os aromas em frigideira separada e monte o caldo de volta. No multicooker (Instant Pot ou similar), o cozimento da carne no modo manual/pressão por 25 minutos substitui bem a panela de pressão.
O cheiro-verde pode entrar no cozimento, em vez de só no final?
Pode, mas perde aroma e cor. O ideal é colocar depois que o fogo é desligado, deixando a panela tampada por dois minutos com o calor residual. Assim, as folhas murcham levemente, mantêm a cor verde viva e liberam o aroma fresco sem cozinhar demais.

