🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- O que é a canjica nordestina
- Ingredientes da canjica nordestina
- Modo de preparo da canjica nordestina
- Tempo de preparo e rendimento desta receita
- Origem e história da canjica no Nordeste
- Como escolher o milho e os ingredientes
- Variações da canjica nordestina
- Como servir e conservar a canjica
- Tire suas dúvidas
Atualizado em julho de 2026. A canjica nordestina cremosa com leite condensado e canela é a sobremesa clássica das noites de São Pedro e São João no Agreste pernambucano, feita com milho branco cozido até amolecer, leite integral, leite condensado, leite de coco, canela em pau e cravo, levada à geladeira e servida gelada em caneca de barro ou copo americano. O resultado é um creme branco perfumado, doce na medida, com a textura aveludada que sustenta a quadrilha em Caruaru (vizinha das festas do mingau de milho verde mineiro em São João del Rei), a fogueira na beira do Capibaribe em Recife e a mesa da festa de julho em qualquer canto do Nordeste.
O que é a canjica nordestina
A canjica do Nordeste é diferente da canjica do Sudeste e do Sul. Enquanto a canjica mineira vai para o fogão como um mingau ralo servido no prato com canela por cima, a canjica nordestina termina o cozimento como um creme grosso que vai para a geladeira em tigela de louça, esfria, firma um pouco mais e é servida gelada em copo ou caneca. A base é o milho branco para canjica (o mesmo grão do cuscuz colorido de milho verde mineiro e do curau pernambucano), que precisa ficar de molho de um dia para o outro antes de ir ao fogo, processo que amolece o tegumento e encurta o cozimento.
O segredo de família em Caruaru, Bezerros e Gravatá é usar leite condensado junto com leite integral e leite de coco, na proporção que mantém o doce na medida sem virar refresco de milho; a canela entra em pau (não em pó) durante o cozimento e o cravo é o toque discreto que perfuma o fundo da panela sem tomar o sabor do milho. A canjica pronta vai para a geladeira por pelo menos quatro horas antes de servir, tempo que firma a textura e intensifica o aroma dos condimentos.
Ingredientes da canjica nordestina

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Milho branco para canjica | 500 g | deixe de molho em água filtrada por 12 horas antes do preparo |
| Leite integral | 1 litro | de preferência fresco, do dia, sabor é mais redondo |
| Leite condensado | 395 g (1 lata) | uma lata cheia, ponto tradicional de Caruaru |
| Leite de coco | 200 ml (1 vidro pequeno) | vale o caseiro ou industrializado sem açúcar |
| Açúcar refinado | 4 colheres (sopa) | ajuste a gosto depois de provar o doce do milho |
| Manteiga da terra ou manteiga sem sal | 1 colher (sopa) | ajuda a dar brilho e liga o creme |
| Canela em pau | 2 paus médios | não substitua por canela em pó no cozimento |
| Cravo-da-índia | 4 unidades | perfuma sem dominar o sabor do milho |
| coco ralado grosso fresco | 50 g | finalização, valoriza a textura da sobremesa |
| Sal | 1 pitada pequena | realça o doce, não salgar |
Modo de preparo da canjica nordestina
- Na noite anterior ao preparo, coloque o milho branco em uma tigela grande, cubra com água filtrada e deixe de molho por pelo menos 12 horas; troque a água uma vez se a cozinha estiver quente.
- No dia do preparo, coe o milho, descarte a água do molho e transfira para uma panela de pressão grande com capacidade para pelo menos 5 litros, cubra com 1,5 litro de água e cozinhe em fogo médio por 40 minutos depois que pegar pressão.
- Desligue o fogo, espere a pressão sair naturalmente, abra a panela e verifique o ponto do milho: o grão precisa estar bem aberto, com o interior cremoso e o tegumento bem macio; se ainda estiver duro, cozinhe mais 10 minutos sob pressão.
- Bata metade do milho cozido com o caldo no liquidificador (cerca de 4 xícaras) e volte para a panela; esse passo dá cremosidade à canjica sem precisar de amido de milho ou farinha.
- Acrescente o leite integral, o leite condensado, o leite de coco, a manteiga, o açúcar, os paus de canela e o cravo, mexa bem e leve ao fogo médio, sem tampa, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo.
- Cozinhe em fogo médio por 25 minutos, mexendo a cada 3 ou 4 minutos, até o creme engrossar e soltar levemente do fundo da panela; prove o doce e ajuste o açúcar e o cravo a gosto.
- Desligue o fogo, retire os paus de canela e o cravo, transfira a canjica para uma tigela de louça ou uma travessa de vidro, cubra com filme plástico rente ao creme para não criar película dura por cima e leve à geladeira por pelo menos 4 horas.
- Na hora de servir, distribua em canecas de barro pequenas ou em copos americanos gelados, polvilhe coco ralado grosso e canela em pó por cima e sirva gelada, acompanhada de bolacha de rolete ou de sequilhos nordestinos se quiser incrementar a mesa de festa.
Tempo de preparo e rendimento desta receita
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 65 minutos.
Tempo de geladeira: 240 minutos.
tempo total: 6 horas e 30 minutos.
Rende 8 porções generosas.
Origem e história da canjica no Nordeste
A canjica tem origem portuguesa e africana. Os colonizadores portugueses já consumiam o creme de milho doce em Portugal, herança da cozinha medieval ibérica que aproveitava o grão de milho trazido pelas navegações atlânticas. No Brasil colônia, a receita aportou no Nordeste junto com o milho cultivado em larga escala na faixa litorânea e no Agreste pernambucano; a cozinheira escravizada recebeu a incumbência de adaptar a sobremesa europeia ao paladar local, introduzindo o leite de coco, a canela em pau brasileira e o cravo-da-índia que vinham da Ásia via comércio lisboeta. A canjica pernambucana ganhou depois a companhia de outras receitas de milho e coco típicas do Nordeste, como o bolo Souza Leão da capital recifense.
Em Pernambuco e na Paraíba, a canjica virou ingrediente central da festa de São João e São Pedro a partir do século XIX, quando as vilas do interior passaram a organizar quermesses em volta da fogueira ao redor do mastro de Santo Antônio, padroeiro dos noivados e casamentos. Em Caruaru, no Agreste, a canjica aparece na mesa ao lado do bolo de milho, da pamonha, do mungunzá e do cachorro-quente da praça; em Bezerros e Gravatá, sai da panela grande de barro direto para as canecas que circulam entre os pares no forró. Em Recife, a versão urbana do Santo Cristo e da Boa Vista mantém a receita em geladeiras de restaurante até a madrugada do São Pedro.
Como escolher o milho e os ingredientes
O milho branco para canjica deve ser especificamente a variedade de grão grande, redondo e branco-leitoso, diferente do milho amarelo usado para pamonha e do milho verde para cuscuz. Evite o grão rachado ou com pontinhos pretos, sinal de armazenamento ruim. A marca mais comum nas feiras do Nordeste é o milho para canjica a granel vendido em sacos de 500 g ou 1 kg; no Sudeste, ele aparece em pacotes de 500 g com a marca nacional.
O leite condensado ideal para esta receita é o tradicional, em lata de 395 g; as versões zero lactose funcionam, mas a textura final fica um pouco mais rala, compense com mais 50 ml de leite de coco. O leite de coco industrial sem açúcar é o mais seguro (marca nacional da caixinha verde); se tiver acesso a um coco fresco ralado e espremido em casa, o sabor melhora bastante. A canela em pau precisa estar inteira, não quebrada em pedaços pequenos, e o cravo em quantidade moderada para não amargar no fundo do creme.
Variações da canjica nordestina
A versão mais seca da canjica, conhecida em algumas casas do interior como “canjica de corte”, leva mais leite condensado e menos leite integral, firma mais na geladeira e pode ser cortada em fatias e servida como doce de tabuleiro, lembrando uma pamonha doce. A versão com queijo coalho ralado por cima é comum em Campina Grande e arredores da Paraíba, no dia de São Pedro, com contraste doce-salgado que puxa para a cartola pernambucana.
A canjica vegana troca o leite condensado tradicional por leite condensado de coco, o leite integral por leite de aveia ou de amêndoa e a manteiga por óleo de coco, mantendo a proporção das especiarias. Quem prefere uma versão quente e salgada para abrir o São Pedro pode receber a canjica como sobremesa depois de um prato principal cremoso como o caldo de mocotó à baiana com dendê e leite de coco. A versão com calda de ameixa preta por cima é popular em Natal e Mossoró, no Rio Grande do Norte, e fica linda na apresentação do copo gelado. A canjica com paçoca de amendoim por cima é invenção recente de confeitaria nordestina, adaptada para a mesa junina dos restaurantes de Recife.
Como servir e conservar a canjica
Sirva a canjica gelada em canecas pequenas de barro ou em copos americanos de 200 ml, polvilhada com canela em pó e coco ralado na hora; cada pessoa pega a sua caneca e come com colher de sobremesa, do mesmo jeito que se serve o arroz-doce no Sul. Acompanha bem um biscoito de polvilho azedo ou um sequilho de coco do lado do copo, e fica bonita na mesa festiva junto com bolo de fubá cremoso, pamonha e mungunzá.
Conservada em geladeira dentro da tigela tampada com filme plástico rente ao creme, a canjica dura até 5 dias sem perder a textura; congela por até 2 meses em pote com tampa, deixando 1 cm de espaço livre no topo. Não recomendo deixar fora da geladeira por mais de 2 horas, principalmente em festa ao ar livre de julho, porque o leite condensado azeda com facilidade em temperatura ambiente alta do Nordeste.
Tire suas dúvidas
Posso usar milho amarelo em vez do branco?
Não, o milho branco para canjica é o ingrediente certo porque amolece mais rápido e tem sabor mais neutro, que permite o doce do leite condensado e a canela se destacarem. O milho amarelo tradicional (de pamonha e cuscuz) tem sabor mais marcante e deixa a canjica com cor amarela e gosto de pipoca, tirando a identidade do doce nordestino.
Quanto tempo o milho tem que ficar de molho antes de cozinhar?
Deixe de 12 a 14 horas em água filtrada em temperatura ambiente, trocando a água uma vez se a cozinha estiver quente demais. Esse molho amolece o tegumento e diminui o tempo de cozimento na pressão, sem ele o grão fica duro mesmo depois de 1 hora sob pressão.
Posso fazer a canjica sem leite condensado?
Pode, mas o resultado fica bem menos cremoso e mais próximo de um mingau ralo. Substitua por 300 ml de leite condensado caseiro (leite, açúcar e manteiga cozidos por 40 minutos) ou por 200 g de açúcar mascavo com 100 ml de leite de coco extra, ajustando o ponto na prova final.
Preciso usar cravo-da-índia?
Sim, o cravo é o tempero que diferencia a canjica nordestina das demais versões brasileiras. Ele entra em pouca quantidade (4 unidades para 500 g de milho) e perfuma o fundo do creme sem amargar, basta retirar os cravos inteiros da panela antes de levar à geladeira.
Como evitar que a canjica forme película dura por cima?
Cubra a tigela com filme plástico rente ao creme ainda quente antes de levar à geladeira, sem deixar espaço entre o filme e a superfície da canjica. Outra opção é polvilhar uma camada fina de açúcar refinado assim que desliga o fogo, que derrete e cria uma crosta protetora.
Posso usar leite condensado zero lactose?
Pode, o resultado é praticamente igual em textura; ajuste com mais 50 ml de leite de coco porque a versão zero costuma deixar o creme um pouco mais ralo. O sabor final fica levemente menos doce, compense com uma colher extra de açúcar refinado na prova.
Quanto tempo dura a canjica na geladeira?
Até 5 dias em pote tampado, sempre com filme plástico rente ao creme. Congelada em pote com tampa e 1 cm de espaço livre, dura até 2 meses; descongele na geladeira de um dia para o outro e mexa bem antes de servir, ela volta à textura cremosa sem separar.
Qual o tamanho ideal da caneca para servir?
Canecas pequenas de barro de 150 ml ou copos americanos de 200 ml, porque a canjica é doce e generosa; uma caneca grande faz a pessoa empanzinhar antes do fim da quadrilha. Canecas decoradas de festa junina ficam bonitas e fazem parte da apresentação do São Pedro.
Posso dobrar a receita para uma festa grande?
Sim, dobrando todos os ingredientes a receita rende 16 porções em panela de pressão de 7 litros, mantendo os mesmos tempos de cozimento na pressão. A partir de 20 porções é melhor fazer duas panelas em paralelo, porque o creme engrossa desigualmente em panela muito cheia.


