🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- O que é o arroz de sururu alagoano
- Ingredientes do arroz de sururu alagoano
- Modo de preparo do arroz de sururu alagoano
- Tempo de preparo e rendimento
- Origem do arroz de sururu alagoano
- Variações regionais do arroz de sururu
- Como servir e conservar o arroz de sururu
- Tire suas duvidas sobre o arroz de sururu alagoano
Atualizado em outubro de 2026. O arroz de sururu alagoano é o prato de panela do litoral de Alagoas feito com mexilhão fresco (Mytella strigata) desfiado, arroz branco cozido no próprio caldo do marisco, leite de coco, coentro, cebola e tomate. É servido como prato único, com pirão da mesma panela e farofa de dendê, e representa bem a cozinha caiçara do Nordeste que mistura arroz, marisco e coco em uma panela só. Para entender a origem e a dispersão do mexilhão usado, vale consultar a pagina da especie na Wikipedia e as orientações do IBAMA sobre extrativismo sustentável de moluscos.
O que é o arroz de sururu alagoano
O arroz de sururu alagoano é uma receita típica da Barra de São Miguel, da Praia do Francês e das comunidades extrativistas de Marechal Deodoro, no litoral Sul de Alagoas. O ingrediente principal é o sururu, mexilhão coletado em manguezais, citado pela Revista Semioses em 2016 como a espécie mais explorada na costa brasileira, presente na mesa de famílias ribeirinhas quase diariamente. Na receita, o sururu é cozido com cebola, alho, tomate e leite de coco; o caldo solta amido natural que engrossa o prato, e o arroz é cozido nesse caldo até ficar cremoso. O nome tupi seruru designava genericamente mexilhões, sem espécie específica, segundo o Vocabulário na Língua Brasílica de 1612.
Ingredientes do arroz de sururu alagoano

A lista abaixo rende 6 porções generosas de arroz cremoso com marisco, ideal para almoço de domingo em família ou reunião na beira da lagoa.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Sururu fresco limpo (mexilhão Mytella strigata) | 500 g | Equivalente a aproximadamente 3 xícaras de carne cozida e desfiada, sem conchas |
| Arroz branco tipo 1 lavado | 500 g | Deixe de molho em agua fria por 20 minutos antes do cozimento para uniformizar a hidratação |
| Leite de coco fresco ou industrializado sem açúcar | 400 ml | Equivalente a 2 xícaras, conferindo o perfil nordestino de coco sem sobrepor o sabor do marisco |
| Cebola media picada em cubos pequenos | 180 g | Equivalente a duas cebolas medias |
| Tomate maduro picado sem sementes | 150 g | Equivalente a dois tomates médios, retirando a parte com sementes |
| Pimentão verde médio em cubos | 80 g | Equivalente a um pimentão médio, opcional para deixar o arroz colorido |
| Alho picado fino | 20 g | Equivalente a quatro dentes médios |
| Coentro fresco picado | 15 g | Equivalente a um mao cheia, adicionando no final para manter aroma fresco |
| Cebolinha verde picada | 10 g | Equivalente a quatro hastes, completando o cheiro verde |
| Óleo de dendê | 15 ml | Equivalente a uma colher de sopa, opcional para cor e sabor afro-brasileiro |
| Sal grosso | 10 g | Ajustar ao paladar depois de provar o caldo do sururu, que costuma trazer salinidade natural |
| Pimenta-malagueta fresca picada | 2 g | Equivalente a meia unidade pequena, opcional para quem prefere o prato mais ardido |
| Agua do cozimento do sururu (caldo coado) | 700 ml | Reservada do cozimento inicial, base de sabor do arroz |
Modo de preparo do arroz de sururu alagoano
O preparo tem 2 fases: primeiro o cozimento do sururu para extrair o caldo e a carne, depois o arroz cremoso que absorve o caldo do marisco. O processo rende 6 pratos cheios e leva cerca de 1 hora e 15 minutos no total.
Como cozinhar o sururu e reservar o caldo
- Lave bem o sururu em agua corrente, esfregando as conchas umas nas outras para tirar areia e incrustações do manguezal. Descarte conchas abertas ou quebradas.
- Coloque o sururu em uma panela grande com 1 litro de agua, tampe e leve ao fogo médio. Assim que levantar fervura, conte 8 minutos e desligue.
- Descarte as conchas vazias e reserve a carne do sururu em uma tigela. Coe o caldo com uma peneira fina e reserve 700 ml para o arroz; o restante pode ir para pirão.
- Desfie grosseiramente a carne do sururu com as mãos ou com uma colher, retirando qualquer fragmento de concha que tenha ficado preso.
Como cozinhar o arroz cremoso no caldo do sururu
- Em uma panela grossa, refogue a cebola, o alho e o pimentão no óleo de dendê por 4 minutos em fogo médio, ate a cebola ficar translucida.
- Adicione o tomate e refogue por mais 3 minutos, mexendo, ate o tomate começar a desmanchar e o refogado ficar brilhante.
- Junte o sururu desfiado, o leite de coco e o caldo coado (700 ml). Tempere com sal e pimenta-malagueta. Deixe ferver por 5 minutos em fogo médio para o marisco incorporar no liquido.
- Acrescente o arroz escorrido e espalhe com a colher. Baixe o fogo para médio-baixo, tampe parcialmente e cozinhe por 20 minutos, mexendo de vez em quando para não grudar no fundo.
- Depois dos 20 minutos, desligue o fogo, adicione o coentro e a cebolinha picados, tampe e deixe repousar por 5 minutos para o arroz terminar de absorver o liquido e ficar cremoso.
- Sirva em seguida, acompanhado de pirão feito com o caldo reservado do cozimento do sururu e farofa de dendê a gosto.
Tempo de preparo e rendimento
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 50 minutos.
tempo total: 75 minutos.
Rende 6 porcoes generosas.
Origem do arroz de sururu alagoano
O arroz de sururu tem origem nas comunidades extrativistas de manguezal do litoral Sul de Alagoas, especialmente de Marechal Deodoro, Barra de São Miguel e Praia do Francês. A receita combina a pesca artesanal do sururu com a tradição nordestina de arroz de panela única, muito comum em pratos como o arroz de dendê com camarão seco do Recôncavo Baiano e o arroz de polvo capixaba. O sururu, citado pela Revista Semioses em 2016 como a espécie mais explorada na costa brasileira, é coletado pelas marisqueiras ribeirinhas, na maioria mulheres que trabalham em cooperativas locais, e vendido fresco em feiras como a de Arapiraca e a de Maceió. O leite de coco entrou na receita na primeira metade do século XX, quando o coqueiro da Bahia e do litoral alagoano passou a ser processado em cooperativas, e se tornou ingrediente padrão do arroz cremoso com marisco no Nordeste.
Variações regionais do arroz de sururu
O arroz de sururu tem variantes em outras partes do Brasil, cada uma com perfil próprio de marisco e temperos. A versão alagoana é cremosa, com leite de coco e coentro; já a capixaba costuma usar o siri-mole e o tomate sem leite de coco; a maranhense prefere o arroz com camarão seco e vinagreira. Conhecer essas variações ajuda a entender como o mesmo principio do arroz de marisco se adapta a ingredientes locais.
- Versão capixaba (Espirito Santo): substitui o sururu pelo siri-mole desfiado, mantem o leite de coco e adiciona semente de urucum no lugar do dendê para cor.
- Versão maranhense: usa camarão seco dessalgado no lugar do sururu e acrescenta folhas de vinagreira fresca no cozimento final, dando acidez.
- Versão baiana (Bahia, Recôncavo): acrescenta 2 colheres de sopa de óleo de dendê e 100 g de castanha de caju torrada na finalização.
- Versão paraense (Para): substitui o leite de coco por tucupi amarelo e acrescenta jambu fresco, dando o formigamento característico da cozinha amazônica.
Como servir e conservar o arroz de sururu
O arroz de sururu alagoano é servido como prato único, em prato fundo, acompanhado de pirão feito com o caldo reservado do cozimento inicial do mexilhão. Acompanha bem uma farofa de dendê, salada verde com tomate e cebola, e suco de caju gelado. Para uma refeição mais robusta, harmoniza bem com um arroz com maxixe e carne seca do sertão nordestino servido como acompanhamento extra na mesa de domingo. Para conservar, guarde em pote fechado na geladeira por ate 2 dias; para congelar, distribua em porcoes individuais e leve ao freezer por ate 30 dias. Para reaquecer, adicione 2 colheres de sopa de agua por porcao e leve ao fogo baixo, mexendo ate o arroz voltar a ficar cremoso. Evite reaquecer no micro-ondas em potencia alta, pois o sururu tende a ficar borrachudo. Se quiser, prepare o pirão separadamente na hora de servir, para manter a consistência cremosa.
Tire suas duvidas sobre o arroz de sururu alagoano
O sururu é a mesma coisa que mexilhão?
O sururu é um tipo de mexilhão da costa brasileira, identificado como Mytella strigata, encontrado em manguezais do Amapá até Santa Catarina. O nome tupi seruru designava genericamente mexilhões, sem espécie específica, segundo o Vocabulário na Língua Brasílica de 1612. Para a receita, qualquer mexilhão de tamanho médio pode ser usado como alternativa, mas o sururu fresco dá o sabor mais identitário do prato.
Posso usar sururu congelado no lugar do fresco?
Pode, desde que seja sururu ja cozido e congelado em porcoes, vendido em peixarias e supermercados nordestinos. Descongele na geladeira durante a noite anterior, coe o liquido que se soltar e use esse liquido como parte dos 700 ml de caldo da receita. Se o sururu congelado vier com sal, diminua o sal grosso adicionado no refogado.
Como limpar o sururu fresco antes de cozinhar?
Esfregue as conchas umas nas outras em agua corrente para tirar areia do manguezal, depois deixe de molho em agua com sal grosso por 20 minutos para o mexilhão expelir qualquer areia interna. Descarte conchas abertas antes do cozimento, pois indicam que o animal morreu. Depois do cozimento, descarte todas as conchas vazias, sobrando apenas a carne para a receita.
Dá para fazer arroz de sururu sem leite de coco?
Dá, e a receita fica mais parecida com o arroz de marisco do Espirito Santo, com sabor de tomate e pimentão em primeiro plano. Nesse caso, use 1100 ml de caldo do cozimento do sururu no lugar dos 700 ml e pule o leite de coco; o resultado é um arroz mais solto e menos cremoso, também muito saboroso.
Qual a diferença entre arroz de sururu e arroz de camarão?
O arroz de sururu usa mexilhão desfiado e ganha cremosidade do amido natural do marisco e do leite de coco, ficando um arroz mais cremoso, com tom levemente acinzentado. O arroz de camarão usa crustáceo inteiro ou em pedaços, com caldo mais claro e textura menos cremosa. As duas receitas são primas, mas o marisco define o perfil de sabor de cada uma.
Posso substituir o arroz branco por arroz integral?
Pode, mas o tempo aumenta. O arroz integral precisa de 40 minutos de cozimento em vez de 20, e consome 200 ml a mais de caldo. O resultado é mais nutritivo, com perfil de fibra mais alto, e o sabor fica mais terroso, contrapondo com a doçura do marisco. Para quem busca versão mais leve, funciona bem; para quem busca a receita clássica, mantenha o arroz tipo 1.
Qual arroz combina melhor com arroz de sururu alagoano?
Para acompanhar o arroz de sururu, vao bem um suco de caju gelado, uma cerveja pilsen bem gelada ou um vinho branco seco, tipo um vinho verde português ou um riesling brasileiro. Para sobremesa, frutas tropicais como manga fatiada, abacaxi ou jaca são escolhas leves, sem sobrepor o sabor do marisco.
O prato pode ser congelado em porcoes individuais?
Pode, e é a forma mais pratica de conservar. Espere o arroz esfriar completamente, distribua em potes de vidro ou em sacos próprios para freezer, retire o máximo de ar e leve ao freezer por ate 30 dias. Na hora de consumir, descongele na geladeira durante a noite e reaqueça em panela com 2 colheres de agua por porcao, em fogo baixo, mexendo.
O arroz de sururu serve para receber visitas em outubro?
Serve muito bem, principalmente em outubro, quando a temperatura do mar no litoral alagoano começa a esquentar e a oferta de marisco fresco aumenta nas feiras. Para uma recepção, prepare o arroz em panela grande, sirva em prato fundo com pirão à parte e finalize com coentro fresco e uma rodela de limão. O contraste do marisco cremoso com o pirão espesso é marcante e costuma ser bem recebido.

