🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- O que é o caruru e por que entra bem em arroz de panela
- Ingredientes do prato
- Modo de preparo do arroz com caruru e carne seca
- Tempo de preparo e rendimento do arroz com caruru
- Variações regionais do arroz com folhas e carne seca
- Como servir e conservar o arroz com caruru e carne seca
- Tire suas dúvidas
Atualizado em setembro de 2026. O arroz com caruru e carne seca é um almoço de panela de uma só panela que atravessa o Triângulo Mineiro e o interior de Minas Gerais, juntando folhas de Amaranthus (o caruru, PANC nativa do Cerrado e da borda da Mata Atlântica) com carne seca dessalgada e desfiada em cubos e arroz tipo 1, refogado na própria gordura do queijo minas. Sacia seis pessoas, fica pronto em cerca de 50 minutos e funciona bem como refeição de transição do inverno para a primavera, quando as chuvas ainda não chegaram ao Centro-Oeste mineiro mas o calor já permite voltar ao fogão a lenha nas cozinhas do interior. Se você curte arroz com lentilha à mineira no mesmo corte de almoço de panela, vale conferir esta versão que troca a leguminosa por folha verde refogada e carne seca fatiada.
O que é o caruru e por que entra bem em arroz de panela
O caruru é a designação comum de plantas do gênero Amaranthus, da família das amarantáceas, muito presente em Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Goiás, Bahia e Pernambuco. Em Minas Gerais e em parte do interior paulista, recebe o nome “caruru”; na Bahia e em Pernambuco, a mesma planta costuma aparecer como “bredo”; no Triângulo Mineiro, os quitandeiros chamam o conjunto de folhas e talhos tenros de “caruru mineiro”. A espécie mais usada em cozinha é a Amaranthus viridis, embora Amaranthus spinosus também seja aproveitada com os espinhos removidos.
O caruru combina com arroz de panela porque as folhas murcham rápido e concentram sabor sem dominar o prato: entram nos últimos minutos do cozimento, refogadas com alho e cebola, soltam pouca água e ainda dão cor verde escura ao redor dos grãos. Além disso, a planta carrega ferro, potássio, cálcio e vitaminas A e C, segundo a literatura popular e botânica sobre PANCs brasileiras. Usada desde a cozinha colonial portuguesa e presente na culinária afro-brasileira, ela se insere aqui em outra tradição mineira: o arroz de panela feito “no toco”, em que tudo vai entrando em sequência na mesma panela de ferro.
Ingredientes do prato

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Arroz tipo 1 lavado e escorrido | 500 g | Equivalente a 2 xícaras e 3/4, pode ser substituído por arroz parboilizado |
| Carne seca dessalgada e desfiada em cubos pequenos | 300 g | Equivalente a duas mãos cheias após dessalgar, em cubos de cerca de 1 cm |
| Folhas de caruru (Amaranthus) frescas, só as folhas e talhos tenros | 250 g | Equivalente a um maço grande bem cheio, lavadas em três águas |
| Cebola média picada em cubos pequenos | 150 g | Equivalente a duas cebolas médias |
| Alho médio picado fino | 20 g | Equivalente a cinco dentes médios |
| Tomate maduro picado, sem sementes | 120 g | Equivalente a dois tomates médios |
| Óleo de soja ou de algodão | 60 ml | Para refogar a carne e abrir o arroz |
| Manteiga da terra ou queijo minas curado ralado grosso | 40 g | Para finalizar o arroz com sabor encorpado |
| Caldo de carne caseiro ou água fervente | 900 ml | Quente na hora de acrescentar ao arroz |
| Sal fino | 8 g | Aproximadamente uma colher de chá rasa, ajustar depois de provar |
| Pimenta-do-reino moída na hora | 2 g | Meia colher de chá rasa, opcional |
| Cheiro-verde (salsinha e cebolinha) picado fino | 15 g | Equivalente a três colheres de sopa cheias, para finalizar |
Modo de preparo do arroz com caruru e carne seca
O método trabalha em duas frentes seriais: primeiro, a carne seca é dessalgada, desfiada em cubos e refogada; depois, o arroz entra na mesma panela, absorve o caldo e termina com as folhas de caruru refogadas em separado. Tudo é cozido em panela de ferro ou panela grossa de alumínio, em fogo médio.
Como dessalgar a carne seca e refogar os cubos
- Corte a carne seca ainda em peça em cubos pequenos, tirando o excesso de gordura visível. Reserve em tigela.
- Cubra os cubos com água filtrada e leve ao fogo até ferver. Descarte a água e repita o processo por três vezes seguidas, usando água fria a cada rodada.
- Na terceira fervura, abaixe o fogo e cozinhe a carne por 25 minutos, até que os cubos fiquem macios mas ainda firmes para serem desfiados com garfo.
- Escorra a carne, desfie os cubos em pedaços menores com a ajuda de um garfo e reserve.
- Na panela grossa, aqueça metade do óleo em fogo médio e refogue a carne desfiada por seis a oito minutos, até que esteja dourada por fora. Retire e reserve na própria panela, fora do fogo.
Como abrir o arroz, cozinhar e misturar o caruru
- Lave as folhas de caruru em três águas correntes. Pique as folhas maiores em tiras de cerca de 2 cm e mantenha os talhos tenros inteiros. Reserve em escorredor.
- Na mesma panela em que a carne foi dourada, adicione o óleo restante e refogue a cebola até ficar translúcida, por cerca de três minutos.
- Acrescente o alho e o tomate picado, mexa por mais dois minutos, até a mistura borbulhar e quebrar de fundo.
- Volte a carne desfiada para a panela, misture bem e adicione o arroz lavado e escorrido. Mexa por três minutos para que cada grão fique envolvido na gordura.
- Despeje o caldo quente, tempere com sal e pimenta-do-reino, e deixe ferver. Abaixe o fogo, tampe parcialmente a panela e cozinhe por 12 minutos sem mexer.
- Enquanto isso, em frigideira separada, aqueça metade da manteiga da terra e salteie rapidamente as folhas de caruru por dois minutos, até murcharem e ficarem verdes-vivas.
- Abra a panela de arroz, distribua o caruru salteado sobre os grãos quase cozidos, junte a manteiga da terra restante e o queijo minas ralado, e tampe novamente por cinco minutos.
- Desligue o fogo, polvilhe o cheiro-verde, tampe a panela por mais dois minutos para terminar o cozimento no vapor e sirva a seguir.
Tempo de preparo e rendimento do arroz com caruru
Tempo de preparo: 20 minutos.
Tempo de cozimento: 45 minutos.
tempo total: 65 minutos.
Rende 6 porções generosas.
Todo o trabalho ativo de cozinha dura cerca de 20 minutos, contando o corte da carne, a picagem dos vegetais e o refogado inicial. Os 45 minutos restantes são basicamente a fervura do arroz no fogo baixo e a finalização com as folhas de caruru e o queijo minas ralado.
Variações regionais do arroz com folhas e carne seca
O uso de folhas refogadas em arroz de panela com carne seca aparece em várias regiões do interior do Brasil, com trocas pontuais de folhas e temperos que vale conhecer.
- Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba: é o recorte deste post. Termina com queijo minas curado ralado grosso e cheiro-verde. Uberaba, Uberlândia, Patrocínio e Araxá reconhecem o prato em almoços de fazenda.
- Sul de Minas: entra um pouco de erva-doce na água do cozimento e o arroz pode terminar com couve mineira salteada em vez de caruru.
- Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha: as folhas costumam ser o bredo ou o caruru-de-espinho, e a carne seca ganha companhia de paio em cubos. A proporção de folhas cai um pouco, porque o sabor do bredo é mais marcante.
- Região Centro-Oeste de Goiás: o prato vira arroz com jatobá e carne seca, mas mantém a estrutura de arroz de panela, caldo quente e finalização folhosa.
- Recôncavo Baiano: entra dendê em ponto de fio e leite de coco no lugar do caldo de carne, e o cozido leva amendoim torrado, em versão afro-brasileira. A base pode ser vista no arroz com jenipapo e carne seca, que mantém o arroz baiano mas puxa o dulçor de fruta no lugar da folha.
Como servir e conservar o arroz com caruru e carne seca
Sirva o arroz bem quente, em prato fundo, com um fio de azeite por cima, cheiro-verde extra e rodelas de pimenta-de-cheiro crua ao lado. Acompanha bem couve refogada, angu amarelo, ovo frito com a gema mole sobre o prato, e uma saladinha de tomate com cebola e vinagre. O arroz com caruru também aceita uma proteína extra ao lado, como frango caipira desfiado ou linguiça calabresa fatiada, quando o objetivo é alongar a refeição.
Para conservar, espere o arroz esfriar por completo dentro da panela, transfira para pote de vidro com tampa e leve à geladeira por até três dias. O reaquecimento é melhor em panela grossa, com duas colheres de água, em fogo baixo, mexendo de vez em quando para não pegar no fundo. Não é recomendável congelar o prato pronto: as folhas de caruru perdem textura e o arroz libera muita água no descongelamento, comprometendo o resultado. Se quiser preparar com antecedência, refogue o caruru à parte e guarde em pote separado, montando o prato no dia em que for consumir.
Tire suas dúvidas
O caruru pode ser substituído por outra folha verde?
Sim. O caruru entra neste arroz como folha verde de cozimento rápido, e pode ser trocado por couve mineira em tiras finas, espinafre, beldroega ou bertalha. O sabor muda de origem: a couve dá corpo mais encorpado, a bertalha solta mucilagem e engrossa o caldo, e o espinafre fica mais neutro. A técnica de saltear a folha em frigideira separada antes de misturar vale para todas essas substituições.
Como escolher o caruru no mercado ou na feira?
Procure feirantes que tragam a folha ainda fresca, com talos verdes claros e brilhantes, sem manchas escuras ou folhas murchas. Em Minas Gerais e em parte de São Paulo, é comum encontrar maços de caruru sem etiqueta, vendidos como “caruru” ou “bredo”. Lave em três águas antes de usar, porque as folhas costumam carregar terra e pequenos insetos entre as nervuras.
Posso usar arroz integral no lugar do arroz tipo 1?
Pode, mas o tempo de cozimento sobe bastante: o arroz integral leva entre 35 e 45 minutos para ficar macio, em vez dos 12 minutos do arroz branco. Acrescente 300 ml a mais de caldo e respeite o tempo do pacote. Se a ideia é terminar com folhas de caruru macias por fora e ainda com cor, refogue a folha só nos últimos três minutos, para não passar do ponto.
Preciso dessalgar a carne seca nas três fervuras?
Sim, três fervuras com troca total de água é a regra que funciona. Carnes muito curadas, sobretudo as vendidas a granel em feiras do interior, podem precisar de uma quarta rodada. Prove um pedacinho antes de seguir para o refogado: se ainda estiver firme ou com sal perceptível, ferva uma vez a mais e troque a água novamente.
É possível fazer o arroz com caruru sem carne seca?
Sim, seguindo a estrutura de um arroz de panela vegetariano. Troque a carne seca por 200 g de cogumelo-de-paris fatiado e dourado, ou por 200 g de tofu em cubos selado na manteiga da terra. Mantenha o caldo de carne ou troque por caldo de legumes caseiro. O arroz com caruru vira um almoço sem proteína animal e continua bem servido, principalmente quando acompanhado de ovo frito e queijo minas ralado. Para uma noite fria de setembro, vale experimentar o caldo com serralha, que troca o arroz pela sopa e usa outra folha do gênero Amaranthus em cozimento mais longo.
Posso fazer a receita inteira em panela de pressão elétrica?
Sim, na função “arroz” ou “panela” da panela elétrica. Refogue a carne e os aromáticos no ciclo normal antes de adicionar o arroz e o caldo, programe 18 minutos na pressão alta e finalize com as folhas de caruru refogadas em separado e o queijo minas. O resultado fica muito próximo do método tradicional em panela de ferro.
Quanto tempo o caruru aguenta fresco na geladeira?
Em maço, lavado e seco em papel toalha dentro de saco plástico perfurado, o caruru aguenta até cinco dias na geladeira. Depois disso, as folhas amarelecem e os talhos começam a soltar líquido. Se precisar guardar por mais tempo, blanqueie as folhas em água fervente por um minuto, escorra, pique e congele em porções pequenas, em saco ziplock bem fechado, por até três meses.
