🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. Caldo de mexilhão é a versão catarinense de um prato simples do litoral brasileiro, preparada com mexilhões Perna perna frescos abertos na hora, cebola, alho, tomate, pimentão, cheiro-verde e azeite, servida com pão ou pirão de farinha. O segredo está em abrir as conchas grandes virando-as de uma vez na frigideira bem quente, para preservar todo o suco que sai no cozimento, e em só levantar o caldo depois que todos os mexilhões estão abertos.
O mexilhão Perna perna aparece em quase toda a costa brasileira, mas é no litoral de Santa Catarina, da Armação até Bombinhas e na Praia do Rosa, que ele entra em caldos de panela únicos no outono. Outubro é um dos melhores meses para esse caldo: a água ainda está morna, os mexilhões estão cheios e a orla catarinense recebe os primeiros turistas da temporada de veraneio, que pedem um prato quente no fim da tarde.
Por que o caldo de mexilhão combina com outubro no litoral catarinense
O caldo de mexilhão funciona como jantar quente leve, do tipo que alimenta sem pesar, ideal para a transição de setembro para outubro no Sul do Brasil, quando as noites ficam mais frescas mas o dia ainda pede um prato sem muito creme. A combinação de mexilhões frescos, tomate e pimentão maduros, bastante cheiro-verde e um fio de azeite no fim reproduz o modo como as colônias de pescadores da Armação do Sul, da Praia do Rosa e do Canto Grande preparam o marisco quando ele volta das redes cheias de conchas.
O caldo de mexilhão catarinense é próximo do caldo de marisco nordestino pela presença de caldo de peixe caseiro e leite de coco em algumas receitas, mas se diferencia por dispensar leite de coco e por usar apenas mexilhões, sem misturar camarão, polvo ou outros crustáceos. Em outubro, o frio pede um caldo que aquece de verdade, e a fartura de mexilhões no litoral catarinense garante o ingrediente principal fresco e barato nas peixarias e feiras.
Ingredientes do caldo

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Mexilhões grandes limpos (somente os fechados) | 1,2 kg | Equivalente a aproximadamente 25 conchas grandes, deixar descascadas na concha |
| Cebola média picada em cubos pequenos | 200 g | Equivalente a duas cebolas médias |
| Tomate maduro picado em cubos (sem sementes) | 300 g | Equivalente a três tomates maduros |
| Pimentão vermelho pequeno picado em cubos | 120 g | Equivalente a um pimentão vermelho médio |
| Alho médio picado fino | 20 g | Equivalente a quatro dentes médios |
| Cheiro-verde (salsinha e cebolinha) picado fino | 30 g | Equivalente a um maço pequeno fresco |
| Azeite de oliva extravirgem | 60 ml | Para refogar e regar o fundo no final |
| Vinho branco seco (opcional) | 120 ml | Para abrir as conchas e perfumar o caldo |
| Caldo de peixe caseiro (ou água filtrada) | 500 ml | Para dar corpo ao caldo; caseiro feito com carcaças de peixe branco |
| Farinha de mandioca fina (para pirão) | 80 g | Equivalente a meia xícara, dissolvida em água fria |
| Sal grosso | 10 g | Ajustar ao paladar; mexilhões já têm sódio natural |
| Pimenta-do-reino preta moída na hora | 2 g | Equivalente a meia colher de chá |
| Folha de louro fresca | 2 g | Equivalente a duas folhas pequenas |
| Pimenta dedo-de-bode fresca (opcional) | 5 g | Equivalente a meia pimenta pequena, sem sementes, em rodelas |
Para servir
- Fatias de pão francês torrado
- Rodelas de limão
- Azeite de oliva extravirgem a gosto
- Cheiro-verde fresco extra para finalizar
Modo de preparo do caldo de mexilhão
Antes de começar, descarte todos os mexilhões que estiverem abertos ou com a concha quebrada. Lave as conchas restantes em água corrente e esfregue cada mexilhão com uma escova de cerdas duras para remover todas as incrustações. Reserve. O processo todo leva cerca de 30 minutos de preparo e 25 minutos de cozimento, rende 4 porções generosas e pode ser feito em frigideira larga ou panela de barro grande.
Como abrir os mexilhões e levantar o caldo de base
- Aqueça uma frigideira larga ou panela de barro grande com 30 ml de azeite em fogo médio até ficar bem quente, sem chegar a fumegar.
- Disponha os mexilhões limpos em uma camada única, sem empilhar, e tampe a frigideira. Cozinhe por 4 a 5 minutos, sacudindo a frigideira uma vez.
- Verifique se a maioria das conchas abriu; descarte qualquer mexilhão que continuou fechado, pois pode estar estragado.
- Com uma pinça, retire os mexilhões abertos para uma tigela grande, mantendo o líquido que ficou na frigideira. Reserve duas conchas grandes abertas na casca para decorar cada prato no final.
- Descasque os mexilhões restantes, mantendo metade dentro da casca para o prato, e reserve tudo em outra tigela. Coe o líquido da frigideira em uma peneira fina e reserve.
Como refogar os aromáticos e montar o caldo
- Na mesma frigideira ou panela em que ficaram os mexilhões, adicione mais 20 ml de azeite e refogue a cebola até ficar translúcida, cerca de 4 minutos, mexendo de vez em quando.
- Acrescente o alho e o pimentão vermelho e refogue por mais 3 minutos, até o pimentão murchar e o alho perfumar, sem deixar dourar demais.
- Adicione o tomate picado, a folha de louro e a pimenta dedo-de-bode se estiver usando, e cozinhe por 5 a 6 minutos em fogo médio, mexendo, até o tomate virar um molho grosso.
- Regue com o vinho branco seco e deixe evaporar por 2 a 3 minutos, raspando o fundo da frigideira com uma espátula para soltar todo o sabor grudado.
- Junte o caldo de peixe caseiro (ou água) e o líquido coado da abertura dos mexilhões, tempere com sal grosso e pimenta-do-reino preta moída na hora, e deixe ferver em fogo médio por 8 minutos para apurar o sabor.
- Volte os mexilhões descascados e os mexilhões na metade da casca para o caldo, abaixe o fogo e cozinhe por mais 3 minutos apenas para aquecer, sem ferver forte para não endurecer a carne.
- Acrescente o cheiro-verde picado, mexa uma vez e desligue o fogo. Prove o sal e corrija se preciso.
- Se quiser engrossar o caldo, dissolva a farinha de mandioca em 100 ml de água fria e junte ao caldo ainda quente, mexendo bem por 2 minutos até ficar com consistência aveludada.
Tempo de preparo e rendimento
Tempo de preparo: 30 minutos.
Tempo de cozimento: 25 minutos.
tempo total: 55 minutos.
Rende 4 porções generosas.
Variações regionais do caldo de mexilhão no Brasil
O caldo de mexilhão tem pequenas variações pelo litoral brasileiro, sempre respeitando a fartura do ingrediente principal. Na Armação do Sul e no Canto Grande, em Santa Catarina, a receita mais comum leva só cebola, tomate, pimentão, cheiro-verde e azeite, com pirão de farinha de mandioca engrossado direto no caldo. Já na Praia do Rosa e em Garopaba, é frequente finalizar com um fio de azeite extravirgem cru e cheiro-verde fresco jogado por cima na hora de servir, sem pirão.
No litoral norte da Bahia, próximo de Salvador e Mangue Seco, o caldo de mexilhão costuma ganhar leite de coco e azeite de dendê em pequenas quantidades, ficando mais próximo do arroz de dendê com camarão seco do Recôncavo Baiano, e a espessura vem do próprio amido do arroz que entra junto. No litoral paulista, em Santos, Ubatuba e São Sebastião, a versão clássica leva tomate sem sementes, pimentão amarelo em vez de vermelho, e um toque de pimenta calabresa seca em flocos no lugar da pimenta dedo-de-bode fresca.
Como servir e conservar o caldo de mexilhão
Sirva o caldo em tigelas grandes de barro ou de cerâmica, com o mexilhão na metade da casca apoiado sobre uma fatia grossa de pão francês torrado, regado com bastante caldo, um fio de azeite extravirgem cru, uma rodela de limão espremida na hora e cheiro-verde fresco. Para acompanhar, um pão rústico com casca ou uma fatia de ciabatta é suficiente, já que o caldo tem pão dentro do prato. Em outubro no litoral catarinense, a temperatura pede uma bebida leve, como uma cerveja clara bem gelada ou um vinho branco seco da serra catarinense.
O caldo de mexilhão não é feito para guardar muito tempo: a carne de mexilhão endurece e o sabor do tomate azeda. Guarde na geladeira em pote fechado por até 24 horas, ou congelado por até 2 meses, sempre separando os mexilhões do caldo e reconjuntando apenas na hora de aquecer. Na hora de reaquecer, faça em fogo baixo, sem deixar ferver forte, para a textura do mexilhão continuar macia. Se o caldo engrossou demais no frio, dilua com um pouco de água filtrada ou caldo de peixe antes de servir.
Tire suas dúvidas
Como saber se o mexilhão está fresco antes de comprar?
O mexilhão fresco Perna perna tem a concha fechada com firmeza e cheiro suave de mar, nunca cheiro forte de amônia. Toque a concha e veja se ela se fecha sozinha; se estiver aberta e não fechar com o toque, descarte. Compre em peixarias que tenham o produto guardado em refrigeração e que informem o dia da chegada.
Posso substituir os mexilhões por outro marisco?
Sim, dá para usar ostras frescas ou vieiras, mantendo o mesmo peso em gramas. O sabor muda um pouco, pois ostras são mais salgadas e vieiras são mais doces, mas o caldo fica leve do mesmo jeito. Evite mexilhões congelados já descascados, pois a textura fica borrachuda depois do cozimento.
Preciso usar vinho branco no caldo?
O vinho branco seco é opcional, mas ajuda a abrir as conchas mais rápido e dá uma acidez leve que combina com mexilhão. Se preferir não usar álcool, substitua por 80 ml de suco de limão siciliano misturado com 40 ml de água, jogado na frigideira junto com os mexilhões. O resultado é próximo, com um toque cítrico a mais.
Dá para fazer o caldo de mexilhão sem pirão de farinha?
Sim. O pirão de farinha de mandioca só entra se quiser um caldo mais grosso, no estilo catarinense clássico. Sem o pirão, o caldo fica mais leve, quase um consommé, e combina bem com arroz branco solto servido ao lado. É a forma mais comum em outubro, quando o calor do dia ainda pede pratos refrescantes.
Qual o melhor tipo de pão para acompanhar?
O pão francês tradicional, cortado em fatias grossas e torrado, é o mais usado no litoral catarinense porque ele não amolece demais no caldo. Pão de fermentação natural com casca grossa, tipo ciabatta ou baguete rústica, também funciona bem. Evite pão de forma, pois ele vira papa dentro do prato.
Esse caldo pode ser congelado?
Pode, mas separe os mexilhões do caldo antes de levar ao freezer. Congele o caldo em pote fechado por até 2 meses e os mexilhões descascados em saco zip por até 30 dias. Na hora de servir, descongele tudo na geladeira durante a noite, aqueça o caldo em fogo baixo, junte os mexilhões só nos últimos 3 minutos para não endurecer, e finalize com cheiro-verde fresco e azeite cru.
Posso fazer o caldo sem vinho para crianças?
Sim. Basta substituir o vinho branco por 120 ml de caldo de peixe caseiro ou água filtrada e acrescentar uma pitada de suco de limão siciliano no final. O sabor fica mais suave e a acidez ainda ajuda a realçar o marisco. É o jeito que muita colônia de pescadores prepara para crianças pequenas em casa.
O mexilhão Perna perna é seguro para comer?
Sim, desde que comprado fresco em peixaria confiável e mantido em refrigeração até o preparo. Cozinhe sempre até a concha abrir completamente, e descarte qualquer mexilhão que ficou fechado depois do cozimento, pois pode estar estragado. Pessoas com alergia a frutos do mar devem evitar o prato, mesmo com mexilhões bem cozidos.
Como variar o caldo de mexilhão para um jantar mais completo?
Sirva o caldo de mexilhão como primeiro prato de um jantar do litoral catarinense e, na sequência, ofereça um peixe branco grelhado com pirão de aipim, parecido com o badejo cozido com pirão de aipim à moda do litoral norte da Bahia. Termine com uma sobremesa leve de frutas da estação, como banana ou caqui, próprias de outubro no Sul.
Por que meu caldo ficou com cheiro forte de mar?
Se o cheiro ficou muito forte, pode ser excesso de mexilhão, mexilhão não tão fresco ou panela tampada demais no cozimento, o que concentra os aromas. Cozinhe com a tampa semi-aberta, use apenas mexilhões bem frescos e reduza a quantidade para 800 g se notar o cheiro muito intenso. Acrescentar uma rodela de limão fresco no final ajuda a suavizar.
Se você gosta de caldos do litoral brasileiro, vale também experimentar o jantar de lula recheada à brasileira, o caldo de pitu nordestino com pirão de aipim e o arroz de polvo baiano com leite de coco, todos preparados com tempo curto e técnica limpa de panela no litoral.


