🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- O que torna o pirarucu diferente dos demais peixes amazônicos no caldo
- Ingredientes do caldo de pirarucu com tucupi
- Modo de preparo do caldo de pirarucu com tucupi
- Como escolher e substituir o pirarucu fresco
- Variações regionais do caldo de pirarucu
- Como servir e conservar o caldo de pirarucu
- Tire suas dúvidas
Atualizado em setembro de 2026. O caldo de pirarucu com tucupi e cheiro verde é um cozido amazônico do Médio Amazonas em que postas frescas de pirarucu (Arapaima gigas) cozinham em tucupi amarelo com cebola, alho, pimentão, cheiro verde e tomate, finalizando com um pirão de farinha-d’água que engrossa o caldo sem esconder o sabor do peixe. A receita rende 6 porções generosas, fica pronta em aproximadamente 1 hora e 25 minutos e funciona como jantar de panela única para aproveitar o pirarucu fresco de setembro, período de seca nos rios quando o peixe é mais acessível nas feiras regionais de Manaus, Tefé, Parintins e Santarém.
O que torna o pirarucu diferente dos demais peixes amazônicos no caldo
O pirarucu (Arapaima gigas), também chamado de arapaima na literatura científica, é um dos maiores peixes de água doce do mundo, nativo da bacia Amazônica e encontrado em lagos e rios de várzea de águas claras. Diferente do tambaqui, do tucunaré e da pirarucu nativa, a carne do pirarucu é firme, em postas grandes que se mantêm íntegras durante a cocção longa, sem se desfiar. Esse comportamento permite cozinhar o peixe em caldo sem perder a textura, algo raro entre os peixes amazônicos usados em panelada. A cor da carne varia de rosada a avermelhada, e o sabor é suave, com notas que lembram carne de aves aquáticas. Por isso o caldo de pirarucu com tucupi não usa camarão seco nem jambu: o peixe é o protagonista, e o tucupi entra como líquido aromático acidulado, no mesmo lugar que o caldo de legumes ocupa em paneladas do Sul e Sudeste.
Ingredientes do caldo de pirarucu com tucupi

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Postas de pirarucu fresco | 900 g | Equivalente a 4 postas grossas com pele, sem espinhas grandes |
| Tucupi amarelo pronto | 1 L | Líquido amarelo extraído da mandioca brava, já fervido com jambu (vendido pronto em feiras e empórios) |
| Cebola média picada | 180 g | Equivalente a duas cebolas médias, em cubos pequenos |
| Tomate maduro picado | 200 g | Equivalente a dois tomates médios, sem sementes |
| Pimentão verde pequeno | 90 g | Equivalente a um pimentão pequeno, em cubos |
| Alho picado | 20 g | Equivalente a quatro dentes médios |
| Folha de louro | 2 g | Equivalente a duas folhas, retiradas antes de servir |
| Pimenta-de-cheiro fresca | 10 g | Equivalente a duas unidades pequenas, sem sementes, fatiada fina |
| Coentro fresco picado | 15 g | Equivalente a um maço médio, só as folhas |
| Cebolinha verde picada | 15 g | Equivalente a um maço médio, só as hastes verdes |
| Farinha-d’água | 80 g | Para o pirão de finalização, equivale a meio xícara |
| Sal | 12 g | Ajustar ao paladar; o tucupi já é levemente salgado |
| Azeite de oliva | 30 ml | Para refogar os vegetais aromáticos |
Modo de preparo do caldo de pirarucu com tucupi
Antes de começar, confirme que as postas de pirarucu estão limpas, sem escamas e sem espinhas grandes aparentes. O tucupi vendido pronto geralmente já passou por fervura prévia, mas vale provar antes: se estiver muito ácido, reserve 200 ml e substitua por água filtrada para suavizar. Pique todos os vegetais antes de ligar o fogo, porque a cocção do pirarucu é rápida e o caldo exige agilidade nos primeiros minutos.
Como preparar a base aromática com tucupi
- Leve uma panela grande ao fogo médio, regue com o azeite e acrescente a cebola picada.
- Refogue por 4 minutos, até a cebola ficar translúcida, mexendo para não grudar no fundo.
- Adicione o alho, o pimentão e a pimenta-de-cheiro, e refogue por mais 2 minutos.
- Acrescente o tomate picado e cozinhe por 3 minutos, até começar a desmanchar.
- Despeje o tucupi, complete com 300 ml de água filtrada, junte a folha de louro e o sal, e deixe ferver por 8 minutos em fogo médio.
Como cozinhar o pirarucu e finalizar com pirão
- Reduza o fogo para médio-baixo, encaixe as postas de pirarucu com a pele virada para baixo, sem sobrepor.
- Cozinhe por 12 minutos com a panela semi-tampada, regando as postas com o caldo a cada 3 minutos.
- Verifique o ponto: a carne deve estar opaca e soltar da espinha central com facilidade.
- Retire as postas com cuidado e reserve em um prato fundo, cobertas com um pouco do caldo.
- Retire a folha de louro e adicione a farinha-d’água aos poucos, mexendo em fogo baixo por 2 minutos para engrossar.
- Devolva as postas ao caldo, salpique o coentro e a cebolinha, desligue o fogo e tampe a panela por 3 minutos antes de servir.
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 30 minutos.
tempo total: 55 minutos.
Rende 6 porções generosas.
Como escolher e substituir o pirarucu fresco
O pirarucu fresco tem a carne firme, úmida e com odor suave de rio, nunca cheiro forte de amônia. No mercado de Manaus, a peça costuma ser vendida em postas grossas com a pele, que protege a carne durante a cocção. Quem está fora da região Norte encontra pirarucu congelado em supermercados grandes, geralmente embalado em postas de 200 g a 250 g; descongele em geladeira por 24 horas antes de usar. Para uma substituição mais acessível, o filhote (Brachyplatystoma filamentosum) e a piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii) funcionam, mas ambos desfiam mais facilmente, então reduza o tempo de cozimento para 8 minutos em fogo baixo.
Variações regionais do caldo de pirarucu
No Médio Amazonas, o caldo é finalizado só com cheiro verde, como nesta receita. No Baixo Amazonas, entra leite de coco na proporção de 200 ml junto com o tucupi, deixando o caldo mais cremoso e levemente adocicado. No Amapá, a versão apimentada adiciona 5 g de pimenta-de-macaco (Acmella olerácea) picada junto com a pimenta-de-cheiro, conferindo um formigamento suave na língua. Já na caldeirada acreana, o pirarucu entra em cubos grandes com banana-da-terra e a farinha é servida à parte, sem virar pirão. Em Parintins, durante o Festival de Parintins em junho, o caldo aparece como prato de madrugada nos botecos do entorno da casa de show, sempre com bastante cheiro verde e limão na hora.
Como servir e conservar o caldo de pirarucu
Sirva o caldo em prato fundo, com as postas inteiras e o pirão de farinha-d’água por cima, acompanhado de arroz branco cozido, farinha-d’água adicional e rodelas de limão. A combinação clássica é uma posta por pessoa, com 200 ml de caldo. Para conservar, espere esfriar por até 30 minutos em temperatura ambiente, transfira para pote de vidro com tampa e guarde na geladeira por até 3 dias. Para congelar, retire as postas antes (a textura muda após congelamento) e congele apenas o caldo em porções de 400 ml por até 60 dias. Na hora de reaquecer, leve o caldo ao fogo baixo, acrescente as postas reservadas e aqueça por 8 minutos sem deixar ferver para não ressecar o peixe.
Tire suas dúvidas
O pirarucu precisa ser fresco ou pode ser congelado?
O pirarucu fresco tem textura mais firme e sabor mais suave, ideal para o caldo. O congelado funciona bem quando descongelado em geladeira por 24 horas, sem micro-ondas, porque o choque térmico resseca a carne. Evite pirarucu salgado seco neste caldo, porque a salga já modifica a fibra e o sabor final fica muito intenso.
Posso trocar o tucupi por caldo de legumes?
Não é a mesma receita sem tucupi. O tucupi é o ingrediente que dá a nota acidulada, levemente fermentada, característica da cozinha paraense e amazônica. Em último caso, substitua por 800 ml de caldo de legumes com 30 ml de suco de limão e 5 ml de azeite de dendê, mas o sabor final será bem diferente do tradicional.
O jambu entra nessa receita?
Nesta versão do Médio Amazonas, não. O jambu é característico do tacacá e de caldos com tambaqui, surubim e tucunaré, mas costuma ofuscar o sabor delicado do pirarucu. Se quiser usar, adicione 30 g de jambu fresco nos últimos 3 minutos de cozimento do caldo, para preservar o efeito de formigamento característico.
Como evitar que as postas de pirarucu desfiem?
Não mexa as postas no cozimento, apenas regue com o caldo. Use fogo médio-baixo após a fervura inicial e respeite o tempo de 12 minutos. Postas congeladas ou muito finas desfiam com mais facilidade; prefira postas com pelo menos 3 cm de espessura.
Posso fazer o caldo sem pirão de farinha?
Pode, mas a farinha-d’água cumpre o papel de engrossar e dar sabor terroso. Sem ela, o caldo fica ralo e mais parecido com consommé. Se preferir uma versão mais leve, use apenas 30 g de farinha no lugar dos 80 g.
Qual a diferença entre tucupi amarelo e tucupi preto?
O tucupi amarelo é o líquido extraído da mandioca brava sem corantes, com cor amarelo-clara e sabor mais suave. O tucupi preto passa por um processo adicional de fermentação, ficando com cor escura e sabor mais ácido e intenso, usado principalmente em pato no tucupi. Para o caldo de pirarucu, prefira o amarelo, que respeita o sabor delicado do peixe.
O caldo de pirarucu combina com arroz?
Combina muito bem. O arroz branco cozido sem sal funciona como base neutra para receber o caldo acidulado do tucupi e a farinha-d’água. Em Parintins e Manaus, o costume é servir uma concha grande de caldo sobre uma porção de arroz, com limão espremido na hora.
Posso adicionar legumes ao caldo?
Sim. Batata inglesa em cubos (200 g) e cenoura em rodelas (150 g) entram nos últimos 10 minutos junto com o tucupi, criando uma versão mais robusta, comum no interior do Amazonas. A versão do Médio Amazonas aqui descrita é a mais limpa, sem legumes, para preservar o sabor do peixe.
O caldo de pirarucu pode ser feito em panela de pressão?
Não é recomendado. A pressão cozinha o peixe de forma desigual e a carne tende a se desfazer. Use panela grande, larga, com tampa, em fogo controlado. O tempo total de 55 minutos é suficiente para os sabores se integrarem sem comprometer a textura do pirarucu.
Quanto tempo o pirarucu pode ficar na geladeira antes do preparo?
Postas frescas duram até 2 dias na geladeira, cobertas com filme plástico e mantidas na parte mais fria. Depois desse período, a carne começa a perder a textura ideal. Se não for usar em 2 dias, congele cru com sal (10 g para cada 500 g) por até 90 dias.

