🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. O arroz de butiá com charque é um arroz de panela única do Pampa Gaúcho, no Rio Grande do Sul, que combina o arroz agulha com a polpa azeda e aromática do butiá (Butiá capitata) e o charque desfiado desalgado. A fruta entra no lugar do limão ou do tomate, dando ao arroz uma acidez suave, cor alaranjada e um perfume de fruta nativa muito diferente do arroz de festa comum.
A receita é sazonal de setembro a novembro, que é o pico de frutificação do butiazeiro no Sul do Brasil, e rende 6 a 8 porções em panela de pressão, com tempo de preparo de 30 minutos e cozimento de 25 minutos, totalizando cerca de 55 minutos do fogão à mesa.
Ingredientes
Todos os itens abaixo são encontrados em feiras do Sul e em mercados das grandes cidades do Rio Grande do Sul. O butiá pode ser substituído por butiá congelado ou, em último caso, por polpa de maracujá azedo, embora o sabor fique diferente do original. O charque precisa ser dessalgado por pelo menos 12 horas antes do preparo.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Arroz agulha branco | 500 g | Equivalente a 2 xícaras e meia |
| Polpa de butiá (Butiá capitata) peneirada | 400 g | Polpa sem caroço, com ou sem açúcar conforme o cultivar |
| Charque magro dessalgado e desfiado | 400 g | Pode ser substituído por carne seca |
| Cebola | 150 g | Picada fina |
| Alho | 20 g | Picado ou amassado |
| Cebolinha verde | 15 g | Para finalizar |
| Salsinha | 10 g | Para finalizar |
| Óleo ou banha | 60 ml | Banha dá sabor mais tradicional |
| Caldo de carne ou água | 1 litro | Quente, para não cortar o cozimento do arroz |
| Sal | 10 g | Metade para o charque, metade para o arroz (ajustar a gosto) |
| Pimenta-do-reino moída na hora | 2 g | A gosto |
| Louro | 2 folhas | Secas ou frescas |
| Colorau ou colorífico | 3 g | Opcional, só para reforçar a cor |
| Cheiro-verde (cebolinha e salsinha) | 20 g | Para finalizar o prato |
Tempo de preparo: 30 min. Tempo de cozimento: 25 min. Tempo total: 55 min. Rende: 6 a 8 porções.
Como dessalgar o charque sem erro

Charque dessalgado direito é o que segura o prato. Corte o charque em cubos médios, cubra com água gelada e deixe na geladeira por 12 horas, trocando a água a cada 4 horas; depois cozinhe na pressão por 20 minutos até desmanchar, desfie com garfo e reserve. Esse processo reduz o sal sem perder a textura fibrosa que sustenta o arroz de panela gaúcho.
Modo de preparo
- Aqueça o óleo ou a banha em panela de pressão grande, refogue a cebola até ficar transparente e junte o alho por mais 1 minuto, sem deixar dourar para não amargar.
- Acrescente o charque desfiado, as folhas de louro, a pimenta-do-reino e o colorau, refogando por 3 minutos até o charque absorver o tempero e ganhar cor uniforme.
- Despeje a polpa de butiá peneirada, mexa bem e deixe ferver por 5 minutos, até a polpa perder o cheiro de fruta crua e a acidez suavizar no calor da panela.
- Adicione o arroz, mexa por 1 minuto para envolver cada grão no refogado, e despeje o caldo de carne quente (1 litro) com 5 g de sal, ajustando depois de provar.
- Tampe a panela de pressão, conte 4 minutos a partir do chiado inicial em fogo médio, desligue o fogo e espere a pressão sair naturalmente sem forçar.
- Abra a panela, solte o arroz com garfo, finalize com cebolinha, salsinha e mais um fio de azeite se quiser brilho extra, e sirva direto com uma salada verde de folhas duras como agrião ou radite.
Por que o butiá combina com charque
A acidez natural do butiá equilibra o sódio e a gordura do charque, enquanto a pectina da fruta dá uma textura levemente cremosa que lembra um arroz cremoso sem precisar de creme de leite. É o mesmo princípio do limão com feijoada, mas com uma fruta nativa que o pampa cultivou por séculos e que, segundo a Wikipédia em português, era usada pelos povos indígenas do Sul em diferentes preparações com carne de caça. O resultado é um arroz úmido, perfumado, com cor de abóbora madura e sabor que mistura azedo, salgado e herbal.
Como escolher e armazenar o butiá
Prefira frutos firmes, com casca lisa, sem manchas escuras e que cedem levemente à pressão do dedo, que é sinal de maturação ideal; rejeite os que estiverem moles demais ou com cheiro fermentado. A polpa pode ser congelada em potes de vidro com tampa por até 6 meses, perdendo um pouco do perfume mas mantendo a acidez. Se sobrar arroz, guarde em pote fechado por até 3 dias na geladeira e reaqueça com um fio de água para devolver a cremosidade.
Variações regionais e adaptações
No norte do Rio Grande do Sul, o arroz de butiá às vezes leva também abóbora cabotiá em cubos, que entra no refogado junto com o charque e dá uma doçura que contrasta com o azedo da fruta; em Santa Catarina, a versão com costelinha suína fresca em vez de charque é mais comum. Quem não achar butiá fresco pode adaptar com polpa de maracujá azedo, mas o sabor fica mais cítrico e menos aromático que a fruta original.
Tire suas dúvidas
O butiá é a mesma fruta que aparece em compotas no Sul?
Sim, é a mesma fruta do butiazeiro (Butiá capitata), palmeira nativa do Sul do Brasil que pode chegar a 7 metros de altura e cujos frutos alaranjados são usados em geleia, licor, cachaça e vinagre, segundo a Wikipédia em português. No arroz de panela, a polpa vai fresca ou congelada, sem açúcar se a fruta já estiver madura.
Posso substituir o charque por carne seca?
Pode, sim, e a receita fica muito parecida. A diferença é que a carne seca desfiada é um pouco mais fibrosa e salgada, então o dessalgue precisa de mais tempo, cerca de 18 horas, e o sal no arroz deve ser reduzido para não sobrecarregar o prato.
Em que mês o butiá está no ponto para esta receita?
O pico de frutificação do butiazeiro no Rio Grande do Sul vai de setembro a novembro, com algumas variações a cada safra. A fruta colhida antes de outubro costuma estar mais ácida e firme, ideal para o arroz, enquanto em novembro ela pode estar mais doce e exigir menos sal no tempero.
Dá para fazer o arroz sem panela de pressão?
Dá, em panela comum bem tampada, com fogo baixo e cozimento de 25 a 30 minutos, sem mexer. O ponto do arroz é o mesmo, mas o charque precisa estar já cozido e desfiado antes de entrar no refogado, porque a fervura aberta não amolece a fibra do charque cru.
Quanto de polpa de butiá usar se a fruta estiver muito azeda?
Reduza para 300 g de polpa e adicione 100 ml de água a mais no caldo, mantendo a proporção 1 litro total. Se a fruta estiver no ponto, mantenha os 400 g indicados na tabela; se passar do azedo, acrescente uma pitada de açúcar mascavo no refogado para equilibrar.
O arroz de butiá com charque é prato principal ou acompanhamento?
No interior do Rio Grande do Sul ele é servido como prato principal, acompanhado de salada verde e, em algumas versões, de uma maçã verde fatiada. Em churrascarias e em mesas mais urbanas do Sul, aparece como acompanhamento de carne assada no espeto ou costelão.
Posso congelar o arroz já pronto?
Pode, em porções individuais com filme plástico encostado na superfície do arroz para não criar gelo. Congelado, dura até 3 meses; para reaquecer, leve à frigideira com um fio de água, mexendo até voltar a ficar cremoso, e finalize com cheiro-verde fresco.
Butiá tem que lavar antes de usar?
Sim, lave os frutos inteiros em água corrente, seque bem, corte ao meio com faca e retire a polpa com uma colher, descartando o caroço. A casca não vai na receita, mas a polpa pode passar por uma peneira fina para tirar fiapos e garantir textura lisa no arroz.
Se você quer explorar mais receitas de panela única com fruta do Sul, vale conferir o Caldo de Pinhão com Carne Seca e Bacon (caldo de outono da Serra Catarinense) e o Arroz de Sururu Alagoano (almoço de outubro com frutos do mar do Nordeste), que são os dois posts que dialogam melhor com a ideia de arroz regional do mês. Para um jantar gaúcho de mesmo tempero, veja também o Caldo de Beterraba com Carne Seca e Couve (jantar de panela para o frio do Pampa).
Mais informações sobre o butiazeiro e as palmeiras do gênero Butiá estão na página de Butiá na Wikipédia em português, que descreve a palmeira, a distribuição da espécie e os usos tradicionais da fruta no Sul do Brasil.


