🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- Ingredientes do caldo de jundiá com pirão de açaí
- Modo de preparo do caldo de jundiá
- De onde vem o caldo de jundiá com pirão de açaí
- Como escolher e limpar o jundiá para o caldo
- Variações do caldo de jundiá pelo Brasil
- Como servir e conservar o caldo de jundiá
- Dicas de acerto do caldo de jundiá
- Tire suas dúvidas sobre o caldo de jundiá com pirão de açaí
Atualizado em julho de 2026. O caldo de jundiá com pirão de açaí é a receita clássica do litoral catarinense e do vale do Ribeira que sustenta o jantar das noites frias de julho em cidades como Joinville, Blumenau, Itajaí e Registro. O peixe de água doce é cozido em caldo aromatizado com cebola, alho, louro e cheiro-verde, e o pirão engrossa com polpa de açaí que dá a cor roxa escura típica do prato. Quem prova a primeira colherada entende por que o jundiá é chamado de peixe-saci pelos pescadores artesanais do Sul: carne firme, sabor delicado e caldo que aquece do estômago até a ponta dos dedos.
Ingredientes do caldo de jundiá com pirão de açaí
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Jundiá inteiro fresco (em postas grossas) | 1,2 kg | limpo, sem escamas, com cabeça para o caldo |
| Polpa de açaí natural (sem açúcar) | 400 g | congelada ou fresca, nunca do tipo smoothie |
| Mandioca descascada (em cubos médios) | 500 g | aipim macio, melhor para o caldo |
| Cebola grande | 1 unidade média picada | branca ou roxa |
| Alho | 4 dentes | picado fino |
| Tomate maduro | 2 unidades médias | sem sementes, em cubos |
| Pimentão vermelho | 1/2 unidade média | em tiras finas |
| Salsinha fresca | 1 maço grande | só as folhas, picadas |
| Cebolinha fresca | 1 maço grande | parte verde e branca, fatiada |
| Louro | 2 folhas | frescas ou secas |
| Sal grosso | 1 colher (sopa) | ou a gosto |
| Pimenta-do-reino | 1/2 colher (chá) | recém-moída |
| Óleo de soja ou azeite | 3 colheres (sopa) | para o refogado |
| Água filtrada | 1,5 litro | para cobrir o peixe |
Para o piração final (opcional): 2 colheres (sopa) de farinha de mandioca crua para engrossar e dar liga ao caldo na etapa final, ajuste conforme a consistência desejada.
Modo de preparo do caldo de jundiá

- Lave bem as postas de jundiá em água corrente, seque com papel toalha e tempere com sal e pimenta-do-reino. Reserve enquanto prepara o refogado.
- Em panela de alumínio ou ferro grande, aqueça o óleo em fogo médio e refogue a cebola até ficar translúcida (cerca de 3 minutos), junte o alho e mexa por mais 1 minuto sem queimar.
- Acrescente o tomate, o pimentão e o louro. Cozinhe por 4 minutos, mexendo de vez em quando, até o tomate desmanchar e formar um molho espesso.
- Adicione a mandioca em cubos e a água filtrada. Tampe a panela e cozinhe em fogo médio por 18 minutos, até a mandioca ficar macia o suficiente para ser amassada com o garfo.
- Com uma escumadeira, retire cerca de 1 concha cheia de caldo e reserve em uma tigela. Amasse metade da mandioca cozida contra a parede da panela com uma colher de pau para liberar amido e engrossar o caldo.
- Devagar, sem ferver forte, mergulhe as postas de jundiá no caldo. Tampe parcialmente e cozinhe em fogo baixo por 12 minutos, virando as postas uma vez no meio do tempo. O peixe estará pronto quando a carne se soltar do osso com um garfo.
- Retire as postas com cuidado e reserve em uma travessa coberta. Coe o caldo, descartando o louro e separando os cubos de mandioca restantes. Volte o caldo coado para a panela em fogo baixo.
- Despeje a polpa de açaí aos poucos, mexendo sempre para não empelotar. Adicione a farinha de mandioca dissolvida em um pouquinho de água fria e mexa por 3 minutos até o caldo ficar cremoso e com tom roxo profundo.
- Prove e ajuste o sal. Se quiser o pirão mais grosso, deixe ferver sem tampa por mais 4 minutos; se preferir mais ralo, acrescente um fio de água quente e mexa.
- Volte as postas de jundiá para a panela apenas para aquecer (1 minuto), finalize com a cebolinha e a salsinha picadas e desligue o fogo. Sirva a seguir em pratos fundos com um fio de azeite por cima.
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 35 minutos.
tempo total: 60 minutos.
Rende 6 porções generosas (cada posta serve 2 pessoas se for o prato principal único do jantar).
De onde vem o caldo de jundiá com pirão de açaí
O jundiá (Rhamdia quelen) é um peixe de água doce nativo das bacias do Paraguai, Paraná e Uruguai, encontrado do Pantanal ao Sul do Brasil. Pescadores artesanais de Joinville, Blumenau, Itajaí e São Francisco do Sul, no litoral catarinense, sempre aproveitaram a carne branca e firme do jundiá em caldos longos cozidos com mandioca, e começaram a adicionar polpa de açaí na etapa final por influência das comunidades açorianas e indígenas da região de São João Batista e Tijucas, onde o açaí era mais acessível do que no Norte do país.
A prática se espalhou para o vale do Ribeira paulista (Registro, Eldorado, Iguape) e para o norte catarinense, onde virou o prato clássico de São Pedro e das festas julinas. Cada família passou a ter a própria receita: uns engrossam o pirão com farinha de mandioca, outros preferem o açaí puro, e há os que finalizam com um fio de azeite de dendê para dar um toque aromático a mais. O que não muda é o princípio: peixe fresco, caldo limpo, pirão encorpado e açaí no final, sem deixar ferver para preservar a cor.
Como escolher e limpar o jundiá para o caldo
O melhor jundiá para caldo é o peixe fresco inteiro, com olhos brilhantes e guelras vermelhas. Peixes de criadouro da mesma espécie também funcionam, desde que não tenham cheiro forte de lama. Em peixarias, prefira pedir para o peixeiro limpar e cortar em postas de 4 centímetros de espessura; assim a carne não racha durante o cozimento e o caldo sai mais limpo.
Se o jundiá vier com couro, faça uma cruz na superfície com a ponta da faca antes de temperar; isso ajuda o sal a penetrar e a carne a liberar amido para o caldo. Em restaurantes do litoral catarinense, o couro é mantido para dar mais consistência ao pirão final. Em casa, vale a mesma regra, mas se a família não gostar de couro, retire as postas depois do cozimento e descarte.
Variações do caldo de jundiá pelo Brasil
No Pantanal, o caldo de jundiá costuma levar quiabo e arroz, como aparece na versão clássica do caldo de traíra pantaneiro, e o pirão é de polvilho azedo em vez de polpa de açaí. Em Minas Gerais, a receita ganha toque mineiro com creme de milho verde, parecido com o que se vê na galinha guisada à mineira com creme de milho verde, e o jundiá é substituído por pacu ou dourado na entressafra.
No vale do Ribeira paulista, o caldo recebe cheiro-verde em abundância e um toque de vinagre de maçã, e é servido com polenta cremosa ao lado, não com arroz. No litoral catarinense, a versão mais identitária é esta com pirão de açaí, mas há uma variante com pirão de farinha de mandioca pura, sem açaí, servida nos pesque-pagues do norte do estado em dias de geada.
Para uma receita de peixe de água doce no litoral catarinense em versão assada, vale conferir a tainha recheada à catarinense, que é outro clássico do inverno catarinense com preparo diferente. Em clima de Mato Grosso do Sul, a opção é o mojica de pintado com mandioca, similar em técnica mas com o peixe amazônico no lugar do jundiá. Para fechar a mesa de inverno com um prato mineiro, vale também o caldo de taioba com fubá e linguiça, que mantém a pegada de caldo cremoso e sustenta bem o jantar de sexta.
Como servir e conservar o caldo de jundiá
O caldo de jundiá com pirão de açaí é prato principal de jantar, servido em prato fundo com as postas no centro e bastante pirão por cima. Acompanha bem arroz branco soltinho, uma concha de piração de açaí puro na tigela ao lado para quem quiser repetir, e uma laranja em gomos para limpar o paladar entre as colheradas. Cerveja clara bem gelada ou um vinho branco seco combinam com a acidez do açaí.
Para conservar, espere o caldo esfriar completamente, retire as espinhas das postas e guarde tudo junto em pote fechado na geladeira por até 3 dias. No freezer, o caldo sem as postas dura até 3 meses em saco próprio para congelamento. Na hora de reaquecer, leve ao fogo baixo em panela tampada e mexa de vez em quando; se o pirão ficar muito grosso, acrescente um fio de água quente. Não recomendo micro-ondas para reaquecer, porque o açaí perde a cor viva e o caldo pode talhar.
Dicas de acerto do caldo de jundiá
Para o caldo ficar com tom roxo intenso, adicione o açaí somente depois que o peixe estiver cozido e fora da panela, e não deixe ferver após a adição; basta aquecer por 3 minutos em fogo baixo. Se o açaí for do tipo industrializado com xarope, o caldo vai ficar doce e com cor artificial; prefira sempre polpa natural congelada de marcas do Norte ou do litoral catarinense.
Outro cuidado importante é a mandioca: ela precisa estar bem cozida para soltar amido e ajudar a encorpar o pirão. Se mesmo após 20 minutos a mandioca estiver dura, troque a água da panela e cozinhe por mais 10 minutos em panela tampada. Mandioca crua ou mal cozida deixa o caldo com textura arenosa e sabor residual de raiz.
Por fim, ajuste o tempero no final. Cebola e alho refogados em fogo médio dão doçura; tomate em quantidade suficiente dá acidez; e cheiro-verde fresco por cima equilibra o prato. Pimenta-do-reino moída na hora é diferente da pimenta comprada pronta, e vale o investimento de comprar grãos e moer no momento.
Tire suas dúvidas sobre o caldo de jundiá com pirão de açaí
O jundiá pode ser substituído por outro peixe?
Sim, em último caso. O jundiá tem carne firme e sabor neutro, parecido com o pacu e o mandi. Tilápia funciona em filé, mas desfia muito no cozimento longo, então o caldo fica turvo. Dourado é mais nobre, mas muito gorduroso para o pirão de açaí. O melhor substituto é o bagre, especialmente o bagre amarelo do Sul, com textura e sabor muito próximos do jundiá.
Posso usar polpa de açaí industrializada com xarope?
Não recomendo. Polpa de smoothie industrializada leva xarope de glicose, açúcar e estabilizantes que adoçam demais o caldo e tiram o sabor do peixe. Use apenas polpa natural congelada, sem açúcar na lista de ingredientes. Em supermercados do Norte e do Sul do Brasil há marcas locais de polpa pura que funcionam perfeitamente.
E se eu não encontrar jundiá fresco, posso usar congelado?
Pode, com ressalvas. Postas congeladas de jundiá vendidas em peixarias funcionam, mas a textura da carne fica um pouco menos firme após o descongelamento. Descongele na geladeira de um dia para o outro, seque bem com papel toalha antes de temperar e siga a receita normal. Evite o peixe que já foi congelado duas vezes, com sinais de queimadura de freezer (manchas brancas na superfície).
Quanto tempo o caldo dura na geladeira?
Até 3 dias em pote fechado, sempre retirando o caldo do calor ambiente antes de guardar. No freezer, sem as postas dentro, dura até 3 meses. O açaí muda um pouco de cor após uns dias, ficando mais escuro, mas o sabor se mantém. Não congele com as postas dentro porque a carne solta líquido e fica borrachuda.
Posso fazer o pirão sem farinha de mandioca?
Pode, sim. O açaí puro já engrossa o caldo se você deixar ferver em fogo baixo por uns 4 minutos sem tampa. A farinha de mandioca dá mais liga e consistência típica de pirão catarinense, mas se preferir um caldo mais leve, só com o açaí, funciona. Outra opção é usar polvilho azedo, que dá sabor levemente ácido e é comum no Sul.
Qual a melhor panela para fazer esse caldo?
Panela de ferro ou alumínio grosso, com tampa. O calor uniforme do fundo grosso impede que o peixe grude e o caldo não pega gosto residual. Evite panela antiaderente porque o refogado de cebola e alho precisa de temperatura mais alta para caramelizar, e o teflon não suporta. Em panela de barro, o caldo fica com sabor especial, mas precisa colocar água adicional porque evapora mais devagar.
O pirão de açaí pode ser servido como sopa separada?
Pode, e em algumas cidades do litoral catarinense ele é servido assim, em tigelinhas pequenas como entrada. Basta reservar uma parte do caldo antes de adicionar as postas e finalizar essa parte com o açaí e a farinha. Sirva em tigelinhas de 150 mililitros com um fio de azeite e cheiro-verde por cima, como abertura do jantar.
Esse prato combina com que tipo de vinho?
Vinhos brancos secos e leves funcionam bem: sauvignon blanc, riesling ou um vinho verde português. Cervejas pilsen ou weiss também vão bem, especialmente em dias de calor após a chuva. Evite vinhos tintos encorpados, porque o açaí domina o paladar e o tanino fica agressivo. Para quem não bebe álcool, água com gás e limão é a melhor pedida.

