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Home Receitas Pratos Principais

Costelada Gaúcha de Chão: o Almoço de Domingo que Aquece Julho no Rio Grande do Sul

por Beatriz Ferraz
05/07/2026
em Pratos Principais
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Costelada Gaúcha de Chão: o Almoço de Domingo que Aquece Julho no Rio Grande do Sul
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Sumário

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    • 🍴 Cartão da Receita
  • Onde nasceu a costelada de chão dos Pampas
  • Ingredientes da costelada de chão
  • Modo de preparo
  • Tempo de preparo e rendimento desta receita
  • Como escolher a costela ideal no açougue
  • Como servir a costelada com polenta cremosa
  • Variações regionais da costelada no Sul
  • Como armazenar e reaproveitar a costelada que sobrou
  • Tire suas dúvidas
    • Posso fazer a costelada de chão em forno de casa, sem fogão a lenha?
    • Qual a diferença entre costela bovina e costelinha de porco para esta receita?
    • O sal grosso não fica salgado demais na carne?
    • É possível usar carne congelada para a costelada?
    • Como saber o ponto exato da carne sem cortar na peça inteira?
    • Posso preparar a costelada de chão em apartamento?
    • Qual a melhor bebida para acompanhar a costelada de julho?
    • Quanto tempo antes preciso começar a lenha para a costelada?
  • Receitas que combinam com esta costelada
Atualizado em: 05/07/2026Revisado por: Beatriz FerrazVerificado em fontes oficiais
Resposta rápidaCostelada de chão gaúcha assada por 8 horas no fogão a lenha: aprenda o corte, o sal grosso, a polenta cremosa e o tempo certo para o almoço de julho.

🍴 Cartão da Receita

⏱️ Tempo total
510 min
🍽️ Rendimento
4 porções
🌍 Cozinha
Brazilian
📋 Categoria
Prato principal
⭐ ⭐ ⭐ ⭐ ⭐ 4.7/5
|
7 ingredientes
|
10 passos

📌 Salvar
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📑 Sumário deste guia
  1. Onde nasceu a costelada de chão dos Pampas
  2. Ingredientes da costelada de chão
  3. Modo de preparo
  4. Tempo de preparo e rendimento desta receita
  5. Como escolher a costela ideal no açougue
  6. Como servir a costelada com polenta cremosa
  7. Variações regionais da costelada no Sul
  8. Como armazenar e reaproveitar a costelada que sobrou
  9. Tire suas dúvidas
  10. Receitas que combinam com esta costelada

Atualizado em julho de 2026. A costelada gaúcha de chão é o prato que marca o almoço de domingo nos Pampas quando julho chega com geada: peça inteira de costela bovina com osso, assada lentamente sobre o chão de tijolos do fogão a lenha, coberta apenas com sal grosso, que derrete por horas até separar do osso com o toque de uma colher. A tradição vem dos tropeiros e das estâncias da Campanha Gaúcha.

Onde nasceu a costelada de chão dos Pampas

A história do prato começa nos séculos XVIII e XIX, nas estâncias de criação de gado da Campanha Gaúcha, região que abrange municípios como Bagé, Dom Pedrito, Santana do Livramento, Alegrete e Uruguaiana. Os tropeiros que conduziam as boiadas do Sul até Sorocaba precisavam alimentar-se durante as longas viagens e descobriram que a costela inteira, em peça única com osso, mantinha a suculência mesmo após horas no calor brando das fogueiras feitas no chão de terra batida. O calor subia de baixo para cima, sem chama direta, e o sebo da própria carne, ao derreter, banhava a peça em gordura natural e criava a casca dourada característica.

A técnica se espalhou para os galpões de festa dos CTGs (Centros de Tradições Gaúcheiras), onde a costelada virou rito de encontro de domingo. O sal grosso, usado em quantidade generosa sem outro tempero, puxa a umidade da superfície, forma a crosta e ajuda a concentrar o sabor interno da carne. A versão mais difundida hoje é a do fogão a lenha com chão de tijolos ou terra, mas a técnica de cozinhar devagar, coberta pelo próprio calor que sobe, é a essência do prato. Em Caxias do Sul e Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, é comum combinar a costelada com polenta cremosa e vinho tinto da região dos Vinhedos.

Para separar a costelada legítima da costela assada comum, três sinais não falham: peça cortada com todos os ossos juntos, em peça única, sem partir a costela em pedaços menores; carne cozinhando sobre superfície que reflete calor, nunca sobre grelha suspensa; tempo longo, várias horas, com calor brando e constante. Esses três juntos formam o que os gaúchos chamam de “costelão bem feito”.

Ingredientes da costelada de chão

Close-up of delicious grilled ribs showcasing juicy and tender texture, typical from Argentina's barbecue style.
Ingrediente Quantidade Observação
Costela bovina inteira (peça com osso) 3 kg (aproximadamente) Peça única, com todos os ossos juntos, capa de gordura externa
Sal grosso 300 g Sal grosso para churrasco, nunca refinado
Lenha de espinilho ou eucalipto 8 a 10 kg Lenha seca, sem resina, idealmente de origem nativa
Água 500 ml Para umedecer a brasa no início e controlar o calor
Polenta cremosa (acompanhamento) 500 g de fubá Fubá médio, cozido em água e sal até cremoso
Chimichurri (acompanhamento) 1 maço de cheiro-verde Salsinha, orégano, alho, vinagre, azeite, sal e pimenta
Cebola para assar na brasa 4 unidades grandes Para acompanhar a carne no prato

Sobre a carne: a peça ideal vem do corte chamado costela do dianteiro, com camada generosa de gordura e osso. Evite costela bovina traseira para esta técnica, porque a peça do dianteiro tem mais gordura entremeada e suporta melhor as horas de calor brando. Se não encontrar peça inteira pronta no açougue, peça para o açougueiro manter a peça inteira com osso, sem remover a manta de gordura externa.

Modo de preparo

  1. Prepare o fogão a lenha cerca de 2 horas antes de colocar a carne: acenda a lenha no lado oposto ao local da carne, deixe formar brasa e confirme que o chão de tijolos está morno ao toque (calor brando, sem chama).
  2. Tempere a peça de costela apenas com sal grosso, distribuindo por todos os lados. A gordura da carne é o tempero principal e não precisa de mais nada.
  3. Coloque a peça diretamente sobre o chão de tijolos do fogão a lenha, com o lado do osso para baixo e a gordura para cima, em posição central onde o calor reflete uniforme.
  4. Tampe o fogão com a chap de ferro ou deixe a boca fechada, mantendo o calor circulando ao redor da carne sem chama direta.
  5. Acrescente pequenas quantidades de lenha a cada 30 minutos, mantendo temperatura constante e branda. O ar dentro do fogão deve estar quente, mas a carne não pode tostar.
  6. A cada 1 hora, regue a peça com a própria gordura que escorre no chão usando uma concha, retornando o caldo sobre a carne.
  7. Mantenha o cozimento por 6 a 8 horas, verificando o ponto: a carne deve estar tão macia que solta do osso com a pressão suave de uma colher de pau.
  8. Nos últimos 30 minutos, retire qualquer excesso de gordura do chão ao redor da peça para permitir formação de crosta dourada na superfície.
  9. Sirva a costelada ainda no fogão, puxando a carne do osso na frente dos convidados,acompanhada de polenta cremosa, chimichurri fresco e cebola assada na brasa.
  10. Para o almoço, ofereça também vinho tinto da Serra Gaúcha e, depois do prato principal, sagu com creme ou ambrosia para a sobremesa.

Tempo de preparo e rendimento desta receita

Tempo de preparo: 30 minutos.

Tempo de cozimento: 480 minutos.

tempo total: 510 minutos.

Rende 8 porções fartas, ideal para almoço de domingo em família nos Pampas.

Como escolher a costela ideal no açougue

Antes de comprar a peça, vale conferir três sinais que diferenciam a costela certa para a técnica de chão da costela de churrasqueira comum. O primeiro é a camada externa de gordura: peça com pelo menos 1 cm de gordura externa, sem estar amarelada ou com odor rançoso (sinal de carne mal conservada). O segundo é o osso: peça cortada em peça única, sem separação entre os ossos, mantendo a estrutura que distribui o calor de forma regular. O terceiro é a cor da carne: vermelho-vivo, com nervuras de gordura branca entremeada, indicando animal adulto bem alimentado.

No Rio Grande do Sul, peça no açougue a “costela para costelão de chão”. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o corte equivalente costuma aparecer como “costela inteira” ou “costelão”. Se o açougueiro perguntar, explique que a peça vai para cozimento lento de muitas horas, isso ajuda na escolha do corte certo.

Como servir a costelada com polenta cremosa

O acompanhamento tradicional da costelada de chão nos Pampas é a polenta cremosa cozida em água e sal, servida em prato fundo onde a carne é puxada do osso por cima. A proporção clássica é meio prato de polenta e meio prato de carne desfiada, com chimichurri fresco por cima e a cebola assada na brasa ao lado. A polenta cremosa pede 500 g de fubá médio em 1,5 litro de água com sal, mexendo sempre até engrossar; o ponto é quando cai da colher de pau em movimento contínuo, sem talhar. O chimichurri leva salsinha, orégano fresco e alho crus picados, vinagre de vinho tinto, azeite, sal e pimenta-do-reino moída na hora, com 30 minutos de descanso antes de servir. A cebola assada vai embrulhada com casca em papel alumínio, entre as brasas por cerca de 40 minutos, ficando macia e levemente adocicada.

Em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, é comum servir a costelada com fio de azeite de oliva extra virgem da região e queijo colonial ralado por cima da polenta. Em Bagé, na Campanha, o costume é acompanhar com farofa de ovos e chimichurri bem carregado no alho.

Variações regionais da costelada no Sul

A costelada muda um pouco em cada estado do Sul, mantendo a técnica de fundo mas variando acompanhamentos e cortes. No Rio Grande do Sul, na Campanha, a versão mais tradicional usa peça inteira do dianteiro, sal grosso e polenta cremosa; alguns CTGs servem com feijão campeiro e farofa de ovo. Em Santa Catarina, no Oeste, a peça costuma ser costela do traseiro, mais enxuta, com molho de cebola caramelizada e pirão do caldo que escorre durante o cozimento. No Paraná, em Palmas, a tradição é adicionar alho-poró e louro junto do sal grosso, cozinhar a peça envolta em manta de vegetal para preservar a umidade, e servir com cuca salgada de fubá.

Como armazenar e reaproveitar a costelada que sobrou

Se sobrar carne depois do almoço, três caminhos clássicos para aproveitamento. O sanduíche de costela pica a carne fria, aquece com cebola na frigideira e monta no pão de cacetinho com chimichurri. A omelete de costela desfia a carne, mistura com ovo batido, cebola e cheiro-verde, leva à frigideira até firmar, ótima para o café da manhã seguinte. O arroz de costela cozinha o arroz no caldo que escorreu do cozimento após desengordurar, com a carne desfiada e cheiro-verde no fim.

Armazenamento: guarde a carne desfiada em pote de vidro fechado, na geladeira, por até 3 dias. Para congelar, distribua em porções e embale em saco zip por até 30 dias. Descongele na geladeira, nunca em temperatura ambiente, e reaqueça com um fio de água para não ressecar.

Tire suas dúvidas

Posso fazer a costelada de chão em forno de casa, sem fogão a lenha?

Sim, dá para adaptar a técnica usando forno doméstico comum, com a peça em assadeira funda forrada com papel alumínio e sal grosso espesso no fundo. A temperatura fica entre 140 e 160 graus, e o tempo varia de 6 a 7 horas, com rega a cada 1 hora. O sabor não fica idêntico ao do fogão a lenha, porque falta o aroma da queima da lenha, mas a textura da carne sai próxima da original.

Qual a diferença entre costela bovina e costelinha de porco para esta receita?

A costela bovina é a peça grande do dianteiro do boi, com ossos longos e muita carne entre eles, ideal para cozimentos longos como a costelada. A costelinha de porco é menor, mais gordurosa e cozinha em menos tempo, sendo usada para pratos como a costelinha ao molho barbecue. Para a costelada de chão, use sempre costela bovina inteira.

O sal grosso não fica salgado demais na carne?

Não, se usado na proporção certa. O sal grosso puxa a umidade da superfície da carne e forma uma crosta protetora, mas não penetra profundamente na peça. Por isso a tradição é cobrir toda a superfície com uma camada generosa; o que sobra no chão pode ser descartado no final. Se preferir mais controle, tempere 1 hora antes de colocar no fogão e retire o excesso antes de levar ao calor.

É possível usar carne congelada para a costelada?

Não é o ideal, porque a carne congelada perde umidade ao descongelar. O ideal é comprar a peça fresca, deixar na geladeira por 12 horas antes do preparo, e tirar da geladeira 1 hora antes de assar. Se precisar congelar, faça antes de temperar e descongele em geladeira por 24 a 36 horas.

Como saber o ponto exato da carne sem cortar na peça inteira?

O sinal clássico é a carne soltar do osso com a pressão suave de uma colher de pau. Se ainda estiver firme, deixe mais 30 a 60 minutos no calor brando. Outro teste válido é espetar um garfo longo na parte mais grossa da carne: se entrar e sair sem resistência, está no ponto. Evite cortar a peça para conferir, porque a abertura libera umidade da carne.

Posso preparar a costelada de chão em apartamento?

Tecnicamente é possível, mas não é recomendado em ambientes fechados por causa da fumaça e do cheiro forte de lenha que impregna o local por dias. Em apartamento, o caminho mais seguro é adaptar a técnica para forno doméstico ou churrasqueira a gás com a peça em assadeira tampada, mantendo o cozimento lento. O sabor fica próximo, sem o incômodo da fumaça.

Qual a melhor bebida para acompanhar a costelada de julho?

A combinação clássica é vinho tinto da Serra Gaúcha, especialmente um Cabernet Sauvignon ou Merlot da região dos Vinhedos, em temperatura de 16 a 18 graus. Para quem prefere cerveja, vá de malte encorpado tipo IPA ou Schwarzbier, que combina com a gordura da carne. Chimarrão gelado antes do almoço é praticamente obrigatório em qualquer costelada gaúcha de verdade.

Quanto tempo antes preciso começar a lenha para a costelada?

Acenda a lenha 2 horas antes de colocar a carne no fogão, para garantir que a brasa esteja firme e o chão de tijolos bem aquecido. Se a lenha for de espinilho, que é mais densa, pode exigir 1 hora a mais até formar a brasa ideal. Teste a temperatura encostando a mão na superfície: se aguentar 3 segundos com a mão espalmada, está no ponto certo para receber a carne.

Receitas que combinam com esta costelada

Para completar o almoço de domingo no estilo gaúcho de julho, vale servir a costelada ao lado de outras receitas que reforçam o tema de inverno nos Pampas. O caldo de mocotó cremoso à mineira entra como entrada reconfortante no mesmo padrão de cozimento lento no fogão. Para acompanhar a carne vermelha sem perder o acento regional, o feijão tropeiro mineiro da roça rende bem com polenta cremosa igual à da costelada. Para fechar o almoço, a rabanada mineira tradicional cumpre o papel de doce quente, especialmente servida com café passado na hora.

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📚 Continue lendo neste tema
  • →Feijão Tropeiro Mineiro da Roça: o prato de julho que sustenta o almoço de domingo
  • →Arroz Cearense com Pequi e Carne Seca: o almoço de julho que perfuma a casa

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Beatriz Ferraz
Beatriz FerrazChef de Cozinha

Chef formada pelo Instituto Le Cordon Bleu São Paulo. Mais de 9 anos de cozinha, com passagens por restaurantes contemporâneos brasileiros e cozinhas regionais. Especialista em receitas práticas do dia a dia, técnicas de cocção e dicas de aproveitamento integral de alimentos. Apaixonada pela culinária brasileira, divide receitas testadas e aprovadas em sua casa.

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Atualizado em 05 de julho de 2026

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Chef formada pelo Instituto Le Cordon Bleu São Paulo. Mais de 9 anos de cozinha, com passagens por restaurantes contemporâneos brasileiros e cozinhas regionais. Especialista em receitas práticas do dia a dia, técnicas de cocção e dicas de aproveitamento integral de alimentos. Apaixonada pela culinária brasileira, divide receitas testadas e aprovadas em sua casa.

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