🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- Da fronteira para o Brasil: a origem da sopa paraguaia
- Ingredientes da sopa paraguaia à moda de Ponta Porã
- Modo de preparo da sopa paraguaia
- Tempo de preparo e rendimento desta receita
- Dicas de acerto para a sopa paraguaia cremosa
- Variações regionais da sopa paraguaia no Brasil
- Como servir e conservar a sopa paraguaia
- Receitas parecidas que você vai gostar
- Tire suas dúvidas
Atualizado em julho de 2026.
A sopa paraguaia é uma torta salgada feita com polenta de fubá, queijo colonial, ovos e cebola caramelizada, nascida na fronteira com o Paraguai e firmada como o prato de domingo das famílias descendentes de imigrantes paraguaios em Ponta Porã, Bela Vista, Corumbá e Dourados, no Mato Grosso do Sul. A textura lembra bolo salgado fofinho, com casca dourada de forno e miolo cremoso de queijo derretido, equilibrando o doce da cebola com o salgado do queijo meia cura.
Da fronteira para o Brasil: a origem da sopa paraguaia
Apesar do nome em português, a sopa paraguaia NÃO é uma sopa: é uma torta ou bolo de milho salgado, cozido no forno, que surgiu como acompanhamento do tereré e do assado de domingo nas colônias paraguaias instaladas na fronteira com o Brasil a partir do final do século XIX. O nome vem do espanhol do Paraguai, onde o prato é chamado sopa paraguaya porque é servido em panela funda como se fosse sopa espessa, cortado em fatias como bolo e levado à mesa com caldo de assado ou chimichurri.
Do lado brasileiro da fronteira, o prato atravessou para o Mato Grosso do Sul com as famílias que vieram trabalhar nas estâncias de gado e nas usinas de açúcar e álcool de Ponta Porã, Dourados e Corumbá, ganhando toque regional com a substituição do queijo meia cura paraguaio pelo queijo colonial brasileiro (queijo minas meia cura ou queijo prato curado), a adoção do fubá mineiro no lugar do paraguaio e a inclusão da cebola caramelizada, que no Paraguai costuma ser apenas refogada. Hoje a sopa paraguaia é servida em churrascarias de MS como acompanhamento tradicional, lado a lado com o pintado na telha à moda do Pantanal (outro clássico da fronteira), e em São Paulo ganhou fama em padarias do Bom Retiro, onde os descendentes paraguaios abriram restaurantes nos anos 1970.
A receita que vamos preparar aqui segue a versão de Ponta Porã (cidade gêmea de Pedro Juan Caballero, no Paraguai), com queijo colonial brasileiro, fubá mineiro fino, ovos, leite integral e cebola caramelizada em manteiga. É a receita que a senhora Balbina, imigrante paraguaia chegada a Ponta Porã em 1958, ensinou para a vizinha brasileira em 1962 e que passou de mão em mão até chegar às panelas das churrascarias de MS.
Ingredientes da sopa paraguaia à moda de Ponta Porã

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Leite integral | 1 litro | fresco, gelado |
| Fubá fino (milho amarelo) | 2 xícaras (chá) | fubá de moagem média ou fina, não use fubá grosso tipo para angu |
| Manteiga sem sal | 4 colheres (sopa) | para refogar a cebola e untar a forma |
| Cebola média | 3 unidades grandes | picada em cubos pequenos, base do sabor |
| Açúcar refinado | 1 colher (sopa) | para caramelizar a cebola |
| Queijo colonial meia cura | 500 gramas | queijo minas meia cura, queijo prato curado ou queijo colonial artesanal |
| Ovos grandes | 6 unidades | temperatura ambiente |
| Óleo ou azeite | 2 colheres (sopa) | para dourar a polenta |
| Sal refinado | 1 colher (chá) rasa | ajuste a gosto depois de provar o queijo |
| Pimenta-do-reino moída na hora | 1 pitada generosa de pimenta-do-reino | fresca, de preferência |
| Noz moscada ralada | 1 pitada de noz moscada | opcional, mas dá profundidade ao sabor |
Modo de preparo da sopa paraguaia
- Em uma panela grossa de fundo grosso, aqueça 2 colheres (sopa) de manteiga em fogo médio e refogue a cebola picada com 1 pitada de sal até ficar translúcida (cerca de 6 minutos).
- Acrescente 1 colher (sopa) de açúcar e deixe a cebola caramelizar devagar, mexendo de vez em quando, até ficar dourada escura (cerca de 12 minutos). Reserve.
- Em outra panela, esquente 1 litro de leite integral com 1 pitada de sal até ferver.
- Reduza o fogo para baixo, adicione o fubá aos poucos, mexendo sempre com colher de pau para não empelotar.
- Cozinhe a polenta por 10 minutos em fogo baixo, mexendo sempre, até engrossar e soltar do fundo da panela.
- Acrescente a cebola caramelizada reservada, as 2 colheres (sopa) restantes de manteiga e 2 colheres (sopa) de óleo ou azeite. Misture bem.
- Desligue o fogo, espere a polenta amornar por 5 minutos e adicione os 6 ovos um a um, batendo bem após cada adição.
- Acrescente 400 gramas do queijo colonial ralado grosso, a pimenta-do-reino e a noz moscada. Misture até ficar homogêneo.
- Prove e ajuste o sal (o queijo meia cura já é salgado, portanto vá com calma).
- Pré-aqueça o forno a 200 graus Celsius.
- Unte uma forma retangular média (25 cm x 35 cm) com manteiga e polvilhe com fubá fino.
- Despeje a massa na forma, espalhe com uma colher e distribua os 100 gramas restantes do queijo colonial ralado por cima.
- Leve ao forno pré-aquecido por 35 minutos, até a superfície ficar dourada e firme ao toque.
- Retire do forno, deixe descansar por 10 minutos e sirva em fatias quadradas, como acompanhamento ou prato principal.
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de forno: 35 minutos.
tempo total: 70 minutos.
Rende 8 porções generosas.
Tempo de preparo e rendimento desta receita
A receita rende 8 porções generosas que funcionam como acompanhamento principal de um churrasco ou como prato único em um jantar leve, acompanhada de salada verde e um vinho tinto de fronteira (Altaland, Labareda, Terrazas). Cada fatia tem cerca de 12 cm x 8 cm e serve bem 2 pessoas se for o prato principal, ou 4 pessoas se for acompanhamento de carne assada. O peso médio da fatia gira em torno de 180 gramas e a caloria aproximada por porção fica em torno de 360 kcal, variando conforme o tipo de queijo colonial escolhido (queijo minas meia cura é menos calórico que queijo prato curado).
Dicas de acerto para a sopa paraguaia cremosa
O segredo da sopa paraguaia bem feita está em três pontos que separam a receita mediana da receita excelente. Primeiro, a cebola precisa ser caramelizada de verdade (12 a 15 minutos em fogo médio baixo, não apenas refogada), porque o doce da cebola equilibra o salgado do queijo e dá profundidade de sabor que justifica o nome da receita. Segundo, a polenta tem que cozinhar até ficar bem cozida e soltar do fundo da panela antes de receber os ovos, porque se ficar crua o resultado final fica com textura granulosa e não cremosa. Terceiro, o queijo colonial usado deve ser ralado grosso (em ralo tipo funghi, não em ralo fino), porque pedaços maiores derretem em pontos isolados da massa e dão aquela experiência de encontrar um pedaço de queijo derretido no meio da fatia.
Para quem não tem queijo colonial mineiro à mão, a combinação clássica de substituição é metade queijo minas meia cura com metade queijo prato curado, ralados juntos em ralo grosso. Queijo mussarela não funciona bem porque é muito elástico e não derrete nos pedaços certos. Queijo parmesão ralado fino também não, porque seca a massa. Se quiser um sabor mais próximo do Paraguai, use queijo tipo meia cura argentino (Sardo ou Goya) que tem a acidez característica do queijo colonial paraguaio.
Para verificar o ponto de forno, espete um palito no centro da torta depois de 30 minutos: se sair com massa crua grudada, deixe mais 10 minutos. A superfície deve ficar bem dourada (marrom claro, não escuro) e ao tocar com o dedo deve voltar à forma original (não afundar). Se a casca dourar rápido demais, cubra com papel alumínio nos últimos 10 minutos.
Variações regionais da sopa paraguaia no Brasil
A versão brasileira da sopa paraguaia tem adaptações curiosas. Em São Paulo, no Bom Retiro, os restaurantes paraguaios adicionam pitada de orégano fresco na massa, dando aroma italiano à receita paraguaia. Em Corumbá e Ladário, no Pantanal de MS, a receita ganha pedaços pequenos de carne seca desfiada misturados à massa. Em Dourados, alguns cozinheiros substituem metade do leite por caldo de carne caseiro, o que intensifica o sabor mas deixa a receita mais pesada. Em Bela Vista, cidade gêmea de Bella Vista Norte (Paraguai), a receita tradicional leva uma colher de banha de porco na cebola caramelizada, dando sabor rústico que aproxima a receita da cozinha guarani-kaiowá da fronteira.
Para quem quer uma versão mais leve, é possível substituir metade do queijo colonial por ricota fresca escorrida, o que reduz o sódio e a gordura sem perder a cremosidade. A versão vegana substitui os ovos por 3 colheres (sopa) de linhaça hidratada em 9 colheres (sopa) de água e o queijo colonial por 300 gramas de tofu firme temperado com 2 colheres (sopa) de levedura nutricional e 1 colher (chá) de sal.
Como servir e conservar a sopa paraguaia
A sopa paraguaia é servida tradicionalmente quente, cortada em quadrados ou retângulos, como acompanhamento de carne assada (especialmente costela no fogo de chão, bife de chorizo à moda do Pampa Gaúcho e o já citado pintado na telha à moda do Pantanal) ou como prato principal acompanhada de salada de tomate com cebola roxa e azeite. Em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, a combinação clássica é sopa paraguaia com chimichurri fresco e um copo de tereré gelado nos dias quentes de março a setembro, ou com vinho tinto da bodega Altaland nos dias mais frios de julho.
Para conservar, a sopa paraguaia pode ser mantida em geladeira por até 5 dias em recipiente fechado, ou congelada por até 3 meses cortada em fatias individuais embrulhadas em filme plástico. Para reaquecer, o forno convencional a 180 graus por 10 minutos é melhor que o micro-ondas, porque devolve a casca crocante. A torta também pode ser servida fria, em fatias menores, como entrada de churrasco ou petisco de boteco, acompanhando uma cerveja gelada.
Receitas parecidas que você vai gostar
Se você curtiu a sopa paraguaia, vão te interessar também os tutus à mineira com torresmo crocante (mesma base de fubá, outro formato), o bolo de pinhão catarinense (versão doce da fronteira serrana), o caldo de mocotó cremoso à mineira (que usa cozimento lento de fronteira), e o angu com carne de Moçambique caíçara (outra torta salgada de milho com proteína, primo-irmão da sopa paraguaia). Para acompanhar como sobremesa no mesmo jantar de julho, a mungunzá cremosa nordestina fecha a mesa com chave de outro.
Tire suas dúvidas
A sopa paraguaia é uma sopa de verdade ou é uma torta?
Não, apesar do nome em português, a sopa paraguaia NÃO é uma sopa. É uma torta salgada feita com polenta de fubá, queijo colonial, ovos e cebola caramelizada, cozida no forno e cortada em fatias como um bolo. O nome vem do espanhol do Paraguai, onde o prato é chamado sopa paraguaya porque é servido em panela funda e cortado na mesa.
Posso substituir o queijo colonial por mussarela?
Não é o ideal. A mussarela é muito elástica e não derrete nos pedaços certos, deixando a massa borrachuda. A melhor substituição é metade queijo minas meia cura com metade queijo prato curado, ralados juntos em ralo grosso. Para um sabor mais próximo do Paraguai, use queijo tipo meia cura argentino.
Qual fubá usar na sopa paraguaia?
O ideal é o fubá fino (moagem média ou fina), o mesmo usado em bolo de fubá e em cuscuz nordestino. Não use fubá grosso tipo para angu, porque deixa a massa granulosa em vez de cremosa. Fubá de milho amarelo dá a cor dourada bonita, fubá de milho branco deixa a receita mais clara e neutra.
Preciso caramelizar a cebola ou posso apenas refogar?
Vale a pena caramelizar. O doce da cebola caramelizada é o que equilibra o salgado do queijo e dá profundidade de sabor que justifica a fama da receita. Reserve pelo menos 15 minutos para essa etapa em fogo médio baixo, mexendo de vez em quando. Se tiver pressa, pode apenas refogar até ficar translúcida, mas o resultado final fica menos complexo.
Posso fazer a sopa paraguaia sem forno?
Pode, mas o resultado fica diferente. Em frigideira antiaderente grande, cozinhe a massa em fogo bem baixo com tampa por 25 a 30 minutos, virando com a ajuda de um prato para dourar o outro lado. Outra opção é cozinhar em panela elétrica de arroz na função bolo, o que dá um resultado surpreendentemente próximo do forno.
Quanto tempo dura a sopa paraguaia na geladeira?
Em recipiente fechado na geladeira, a sopa paraguaia dura até 5 dias mantendo a textura. No congelador, cortada em fatias individuais embrulhadas em filme plástico, dura até 3 meses. Para reaquecer, prefira o forno convencional a 180 graus por 10 minutos, porque o micro-ondas deixa a casca borrachuda.
Serve como acompanhamento de churrasco mesmo?
Sim, e provavelmente a forma mais tradicional de servir. Em Ponta Porã, Dourados e Corumbá, a sopa paraguaia acompanha costela, bife de chorizo e pintado assado no fogo de chão, e entra na mesa junto com farofa, vinagrete e pão de alho. É tão tradicional em MS quanto o pão de queijo é em Minas Gerais.
Posso usar leite desnatado no lugar do leite integral?
Pode, mas a textura fica menos cremosa e o sabor um pouco mais aguado. Se quiser reduzir calorias sem perder cremosidade, use leite semidesnatado e aumente a quantidade de queijo colonial para 600 gramas. A versão 100% integral é a versão canônica da receita de fronteira.

