🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- Por que o bijupirá é o peixe ideal para esse arroz
- Ingredientes do arroz de bijupirá
- Como escolher e dessalgar o bijupirá fresco
- Modo de preparo do arroz de bijupirá
- Variações regionais do arroz de peixe amazônico
- Como servir e conservar o arroz de bijupirá
- Origem e valor nutricional do bijupirá
- Dicas de compra e substituições
- Tire suas dúvidas
Atualizado em outubro de 2026. O arroz de bijupirá com leite de coco e castanha-do-Brasil é o prato de panela do almoço amazônico, especialmente no Marajó, preparado com o peixe nobre do Atlântico Tropical (Rachycentron canadum) refogado no leite de coco, com arroz que absorve o caldo amarelado e finalizado com castanha-do-Brasil torrada para dar o crocante típico do Norte. A receita é diferente do arroz de peixe comum porque a carne do bijupirá, firme e magra, entra em cubos grandes e mantém a textura mesmo cozida no leite de coco, e a castanha-do-Brasil entra no final, crua e picada, sem cozinhar junto com o arroz, para preservar o aroma de amêndoa fresca.
Nesta versão caseira de almoço de domingo, o arroz fica cremoso, com o caldo do peixe e do coco bem integrado, e o bijupirá se apresenta em pedaços inteiros, sem desfiar, como manda a tradição marajoara. O resultado lembra o almoço na casa de família em Soure ou Salvaterra, no Marajó, e funciona como prato principal único, servido com uma salada de tomate verde e limão, farinha d’água e pirão de peixe. Para quem quer outras receitas regionais do Norte, vale conferir o jurupensém assado na folha de bananeira com pirão de tucupi e o caldo de pirarucu com tucupi e cheiro-verde, que compartilham a base aromática amazônica e a técnica de cozimento em caldo de peixe.
Por que o bijupirá é o peixe ideal para esse arroz
O bijupirá, também chamado de beijupirá ou cobia, é um peixe pelágico do Atlântico Tropical que pode chegar a 2 metros de comprimento e 80 kg de peso, com corpo fusiforme e carne branca, firme e com baixo teor de gordura. Segundo a Wikipédia em português, a espécie Rachycentron canadum é a única do gênero Rachycentron, sendo mais comum no Nordeste brasileiro e presente do Amapá ao Rio Grande do Sul. O cozimento no leite de coco é ideal porque a carne firme do bijupirá não se desfia como a de outros peixes amazônicos (pirarucu, tambaqui), mantendo a presença visual no prato, o que é valorizado na culinária marajoara. Para saber mais sobre a biologia e distribuição da espécie, consulte a página da Wikipédia sobre a família Rachycentridae.
Ingredientes do arroz de bijupirá

O bijupirá entra em postas ou cubos grandes, com pele, e deve estar bem fresco, sem cheiro forte de mar. A castanha-do-Brasil entra no final, crua, sem cozinhar com o arroz. Abaixo, os ingredientes para 6 porções generosas.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Arroz branco tipo 1 | 500 g | Equivalente a 2 xícaras e meia, lavado até a água sair clara |
| Postas de bijupirá fresco | 600 g | Equivalente a 4 a 6 postas médias, sem espinha grande, com pele |
| Leite de coco natural | 500 ml | Equivalente a uma garrafa de 200 ml mais um vidro de 300 ml, ou caseiro |
| Castanha-do-Brasil fresca | 80 g | Equivalente a um quarto de xícara de castanhas, sem casca, picadas em pedaços médios |
| Cebola média | 180 g | Equivalente a duas cebolas médias, picadas em cubos pequenos |
| Tomate maduro | 200 g | Equivalente a dois tomates médios, sem sementes, picados |
| Pimentão amarelo | 120 g | Equivalente a um pimentão médio, em cubos pequenos (a cor amarela lembra o açaí de caroço amarelo do Marajó) |
| Alho | 20 g | Equivalente a cinco dentes médios, amassados |
| Coentro fresco | 20 g | Equivalente a um maço pequeno, folhas e talos picados |
| Cebolinha | 15 g | Equivalente a um maço pequeno, picada fina |
| Sal grosso | 12 g | Ajustar ao final, considerando a dessalga do peixe |
| Pimenta-de-cheiro | 4 g | Equivalente a duas unidades pequenas, sem sementes, picadas finas (opcional) |
| Caldo de peixe ou legumes | 800 ml | Quente, para cozinhar o arroz; caldo de peixe caseiro é o ideal |
| Óleo de soja | 40 ml | Para o refogado inicial do peixe |
| Limão tahiti | 1 unidade | Para a pré-dessalga do peixe fresco |
Tempo de preparo: 25 minutos (inclui a pré-dessalga do peixe). Tempo de cozimento: 35 minutos. Tempo total: 1 hora. Rende 6 porções generosas (cada porção com aproximadamente 220 g de arroz pronto).
Como escolher e dessalgar o bijupirá fresco
O bijupirá fresco deve ter pele brilhante, olhos vivos e guelras vermelhas, sem cheiro forte de amônia. A carne é branca, firme e com baixo teor de gordura, ideal para cozimento em leite de coco porque não se desfia. Para pré-dessalgar, basta regar as postas com suco de um limão tahiti e sal grosso, deixar em repouso por 10 minutos, lavar em água corrente e secar com papel toalha. Esse processo reduz o odor de mar e firma a carne. A castanha-do-Brasil deve estar sem casca, com cor creme e aroma de amêndoa fresca, sem cheiro de ranço. Se usar castanha congelada, deixe descongelar em temperatura ambiente por 20 minutos antes de picar.
Modo de preparo do arroz de bijupirá
O preparo começa pela dessalga do peixe, segue pelo refogado aromático, cozimento do peixe no leite de coco, cozimento do arroz no caldo de peixe e finalização com castanha-do-Brasil. A técnica é de panela única, mas o peixe e a castanha entram em momentos diferentes para preservar textura e aroma.
Como preparar o peixe e o caldo aromático
- Regue as postas de bijupirá com o suco do limão e 4 g de sal grosso. Deixe em repouso por 10 minutos, lave em água corrente e seque com papel toalha. Reserve.
- Em uma panela grande, aqueça 20 ml de óleo de soja em fogo médio, refogue metade da cebola e metade do alho até ficarem transparentes, sem queimar.
- Acrescente metade do tomate, metade do pimentão, os talos do coentro picados e metade da cebolinha. Refogue por 3 minutos até amolecer.
- Adicione 400 ml do caldo de peixe ou legumes, deixe ferver por 5 minutos em fogo baixo. Reserve o caldo coado e descarte os legumes aromáticos.
Como cozinhar o peixe e finalizar o arroz com castanha
- Na mesma panela, aqueça os 20 ml de óleo de soja restantes em fogo médio e doure o restante da cebola e do alho até ficarem dourados, com cuidado para não queimar.
- Acrescente o restante do tomate e do pimentão, refogue por 3 minutos até amolecer.
- Adicione o bijupirá reservado, o sal grosso restante, a pimenta-de-cheiro e refogue por 4 minutos, virando as postas uma vez, até o peixe ficar levemente opaco por fora.
- Despeje o leite de coco, o caldo de peixe aromático coado reservado, 400 ml do caldo de legumes ou peixe, e deixe ferver por 8 minutos em fogo baixo, sem tampar, para que o peixe cozinhe no vapor do leite de coco.
- Acrescente o arroz lavado e escorrido, mexa delicadamente para distribuir, tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por 18 minutos sem destampar, até o arroz absorver quase todo o líquido.
- Enquanto o arroz cozinha, em uma frigideira à parte, torre a castanha-do-Brasil picada em fogo baixo por 3 minutos, mexendo sempre, até ficarem levemente douradas e soltarem aroma. Reserve.
- Desligue o fogo do arroz, destampe, solte os grãos com um garfo, acrescente as postas inteiras de bijupirá com cuidado, o restante do coentro e da cebolinha, e a castanha-do-Brasil torrada. Misture suavemente e tampe por 3 minutos para que os aromas se integrem.
- Sirva imediatamente, polvilhando um pouco mais de castanha-do-Brasil torrada por cima de cada porção.
Variações regionais do arroz de peixe amazônico
Esse prato aparece em variações consistentes entre famílias do Marajó, com pequenas trocas de ingrediente que mudam o perfil do almoço. Cada região tem a sua versão, passada de geração em geração.
No Marajó mais interiorano (Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari), o arroz leva também jambu fresco, que dá uma dormência leve na língua e é típico da culinária paraense. Em Muaná e Afuá, a versão tende a ser mais seca, com menos leite de coco e mais caldo, servida como acompanhamento de moquecas de peixe. Já em Breves e na microrregião do Furo de Breves, o prato ganha um pouco de tucupi no lugar de parte do leite de coco, deixando o arroz com sabor mais ácido e marcante. Quem prefere arroz mais cremoso pode dobrar a quantidade de leite de coco e reduzir 200 ml do caldo de legumes. Outra opção de peixe com perfil amazônico é o caldo de pirarucu com tucupi, que compartilha a base aromática.
Como servir e conservar o arroz de bijupirá
O arroz de bijupirá com leite de coco e castanha-do-Brasil fica melhor servido imediatamente após o descanso de 3 minutos, com a castanha ainda crocante e o aroma de amêndoa fresca. Acompanha bem uma salada de tomate verde com limão e cebola roxa, uma farofa d’água com castanha-do-Brasil, pirão de peixe com tucupi ou simplesmente uma couve refogada no alho. Para beber, suco de caju gelado ou um vinho branco seco combinam bem com o calor de outubro.
Para conservar, deixe o arroz esfriar completamente, transfira para um pote com tampa e guarde na geladeira por até 3 dias. Na hora de reaquecer, adicione duas colheres de sopa de água ou leite de coco e leve ao fogo baixo em panela tampada, mexendo de vez em quando para não grudar. A castanha-do-Brasil torrada deve ser guardada à parte em pote fechado e adicionada apenas na hora de servir, para preservar o crocante. O congelamento é possível por até 2 meses, mas a textura do arroz muda um pouco após o descongelamento, então o ideal é consumir gelado em salada fria com castanha-do-Brasil e cheiro verde, que combina muito com o calor amazônico de outubro.
Origem e valor nutricional do bijupirá
O bijupirá (Rachycentron canadum) é nativo do Atlântico Tropical, presente em toda a costa brasileira do Amapá ao Rio Grande do Sul, com maior abundância no Nordeste, segundo dados da Wikipédia. É um peixe pelágico, solitário fora do período de desova, que se alimenta de peixes menores, crustáceos e lulas. A carne tem alto teor de proteína e baixo teor de gordura, sendo recomendada para dietas leves. A castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa) é rica em selênio, com teor que pode variar conforme a região de coleta, segundo a Embrapa. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reconhece o bijupirá como uma das espécies nobres da pesca brasileira, com potencial para aquicultura marinha. Para mais informações sobre políticas de pesca, consulte a página oficial do MPA no gov.br.
Dicas de compra e substituições
Se não encontrar bijupirá fresco, substitua por outro peixe de carne firme: cação, robalo ou namorado são as melhores opções, mantendo a textura em cubos grandes. Não use peixes de carne delicada (tilápia, pescada) porque eles se desfarão no cozimento com leite de coco. Para uma versão sem castanha-do-Brasil, use amêndoas laminadas e torradas, mas o sabor será menos amazônico. O leite de coco industrializado em caixinha rende menos; prefira o de garrafa de vidro, que tem mais gordura e sabor, ou o caseiro feito com coco fresco ralado. A castanha-do-Brasil pode ser comprada em casas de produtos regionais do Norte ou em feiras livres em todo o Brasil; prefira a castanha sem casca e sem sal, para ter controle total do tempero final. Para outras receitas com peixe amazônico e técnica de panela única, vale conhecer o jurupensém assado na folha de bananeira com pirão de tucupi, que usa outra técnica de cozimento para peixe de rio.
Tire suas dúvidas
O que é bijupirá e qual a diferença para o beijupirá?
São o mesmo peixe, Rachycentron canadum, com variações regionais de nome. Bijupirá e beijupirá são as grafias mais comuns no Brasil, enquanto “cobia” é o nome em inglês usado no mercado internacional. No Nordeste, é mais comum ouvir “beijupirá”, enquanto no Norte e Sudeste a forma “bijupirá” predomina. O peixe é conhecido pela carne branca, firme e com baixo teor de gordura, ideal para cozimento em leite de coco e em receitas de panela.
Posso usar bijupirá congelado no lugar do fresco?
Pode, desde que o peixe tenha sido congelado ainda fresco e armazenado corretamente. Descongele na geladeira de um dia para o outro, seque bem com papel toalha antes de usar, e siga a mesma técnica de pré-dessalga com limão e sal. A textura pode ficar um pouco mais mole que a do peixe fresco, mas o sabor se mantém. Evite bijupirá que já foi descongelado e recongelado, porque a carne libera muita água e fica borrachuda.
A castanha-do-Brasil pode ser substituída por outro ingrediente?
Pode, mas muda o perfil amazônico do prato. As melhores substituições são amêndoas laminadas e torradas, castanha de caju torrada ou pecã picada. Todas essas opções dão o crocante final, mas o sabor de amêndoa fresca da castanha-do-Brasil é único e não tem equivalente exato. Em versões vegetarianas, mantenha a castanha-do-Brasil, porque ela é o que ancora a identidade regional do prato.
Quanto tempo o arroz precisa cozinhar com o peixe?
18 minutos em fogo baixo, sem destampar, é o tempo ideal para que o arroz absorva o caldo de peixe com leite de coco e fique cremoso sem empapagar. Se o arroz ficar duro após esse tempo, adicione 100 ml de caldo quente, tampe e cozinhe por mais 5 minutos. Se ficar empapagado, destampe e cozinhe em fogo baixo por mais 3 minutos, mexendo de vez em quando, para evaporar o excesso de líquido.
O prato pode ser feito com arroz integral?
Pode, mas o tempo de cozimento quase dobra (cerca de 35 a 40 minutos) e a textura fica mais firme. Use 1 litro de caldo de peixe no lugar de 800 ml, porque o arroz integral bebe mais líquido. O sabor combina muito bem com o peixe e o leite de coco, mas o perfil do prato fica mais rústico, menos cremoso. A castanha-do-Brasil continua entrando no final, sem cozinhar com o arroz.
Posso fazer o prato sem leite de coco?
Pode, mas perde a identidade amazônica. Sem o leite de coco, vira um arroz de peixe comum, sem o perfil aromático do prato tradicional. Em último caso, use creme de leite fresco (200 ml) misturado com 200 ml de leite integral, mas o sabor será bem diferente. O leite de coco é parte essencial do prato, então vale a pena encontrar o ingrediente, seja em garrafa, caixinha ou caseiro.
Qual a diferença entre bijupirá e outros peixes amazônicos usados em arroz?
O bijupirá tem carne firme e com baixo teor de gordura, enquanto o pirarucu tem carne mais fibrosa e com mais gordura, e o tambaqui tem carne com muitas espinhas intramusculares. No arroz com leite de coco, o bijupirá se mantém em cubos grandes sem desmanchar, o pirarucu se desfia em lascas, e o tambaqui precisa ser desfiado antes de entrar no prato. Cada peixe pede uma técnica diferente, mas todos funcionam bem com a base de leite de coco e castanha-do-Brasil.
Posso usar leite de coco caseiro?
Sim, é a melhor opção. O leite de coco caseiro, feito com coco fresco ralado e água morna, tem mais gordura, mais sabor e menos conservantes que o industrializado. Bata 200 g de coco fresco ralado com 300 ml de água morna no liquidificador, coe em pano fino e use 500 ml da mesma forma. O sabor do prato fica marcante e o aroma de coco fresco é inconfundível.
O prato pode ser congelado?
Sim, por até 2 meses em pote com tampa, mas a castanha-do-Brasil torrada deve ser guardada à parte e adicionada na hora de servir, para preservar o crocante. Descongele na geladeira de um dia para o outro e reaqueça em panela com duas colheres de sopa de água ou leite de coco. O arroz perde um pouco da textura cremosa, mas o sabor do peixe e do coco se mantém bem.


