🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em agosto de 2026. O bobó de camarão capixaba é a versão do Espírito Santo do clássico baiano, preparado sem dendê e com urucum, pirão de aipim espesso e camarões refogados na panela de barro. É um prato de fim de semana no litoral sul, em Anchieta, Marataízes e Piúma, servido com arroz branco, pirão e farofa de ovos. O resultado é cremoso, levemente adocicado pelo aipim e com o sabor do mar bem marcado, perfeito para as noites frias de agosto.
Ingredientes do prato
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Camarão rosa médio limpo | 800 g | Equivalente a 1 kg antes da limpeza, sem cabeça e sem casca |
| Aipim descascado | 700 g | Cortado em cubos, equivalente a 3 mandiocas médias |
| Cebola média picada | 200 g | Equivalente a duas cebolas médias, em cubos pequenos |
| Tomate maduro picado | 250 g | Equivalente a três tomates médios, sem sementes |
| Pimentão verde médio | 120 g | Equivalente a um pimentão, em cubos |
| Alho picado | 20 g | Equivalente a cinco dentes médios |
| Cheiro-verde picado | 15 g | Equivalente a um maço pequeno de salsa e cebolinha |
| Urucum em pó | 10 g | Para a cor e sabor suave, típico capixaba |
| Caldo de peixe caseiro | 500 ml | Coado e sem sal, pode ser substituído por água com sal |
| Azeite de oliva | 60 ml | Para refogar a base, varia conforme o cozimento |
| Sal refinado | 15 g | Ajustar ao paladar, varia conforme o caldo usado |
| Pimenta-do-reino moída | 2 g | Equivalente a meia colher de chá, a gosto |
Para o pirão de aipim:
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Aipim cozido e amassado | 300 g | Reservado do cozimento do prato, bem grosso |
| Caldo do cozimento do bobó | 400 ml | Quente, para incorporar ao pirão |
| Camarão refogado separado | 150 g | Reservado antes de juntar ao aipim, em pedaços |
Modo de preparo

- Descasque os camarões, reserve as cascas e cabeças e mantenha os corpos limpos sob refrigeração.
- Cozinhe o aipim em água com sal em fogo médio por 25 minutos, até ficar bem macio. Reserve 300 g cozidos e amassados para o pirão e mantenha o restante na panela com o caldo.
- Aqueça o azeite em panela de barro larga, refogue o alho e a cebola até ficarem translúcidos, sem deixar dourar.
- Junte o pimentão, o tomate e o cheiro-verde, mexa por 5 minutos até formar um refogado grosso e encorpado.
- Acrescente o urucum e a pimenta-do-reino, mexa rapidamente para incorporar e soltar o aroma.
- Adicione o caldo de peixe, mexa e deixe ferver em fogo baixo por 10 minutos.
- Acrescente o aipim cozido reservado e amasse com uma colher de pau até o caldo ficar cremoso e levemente espesso.
- Entre com os camarões, mexa com cuidado e cozinhe por 6 minutos, até ficarem rosados e cozidos, sem passar do ponto.
- Ajuste o sal, desligue o fogo, tampe a panela e mantenha em repouso por 3 minutos antes de servir.
- Para o pirão, misture o aipim amassado com o caldo quente em uma frigideira, mexendo até engrossar, e finalize com os camarões reservados.
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 40 minutos.
tempo total: 65 minutos.
Rende 6 porções generosas.
Por que o bobó capixaba é diferente do baiano
O bobó de camarão capixaba é uma releitura do prato baiano, adaptada ao paladar e à despensa do litoral sul do Espírito Santo. A principal diferença é a ausência de dendê, substituído pelo urucum, que dá a cor alaranjada e um sabor suave, sem a intensidade marcante do azeite de dendê. O leite de coco entra em pouca quantidade, o que deixa o creme mais leve, e o pirão de aipim engrossa o caldo com a própria mandioca, em vez de usar farinha de mandioca diluída. O resultado é um bobó mais rústico, menos untuoso e muito aromático.
No Espírito Santo, a tradição de servir o bobó com pirão vem das comunidades caiçaras de Anchieta, Marataízes e Piúma, que aproveitavam a mandioca cozida junto com o próprio caldo do cozimento. É comum ver a receita preparada em panela de barro no fogão a lenha, em reuniões de fim de semana no litoral, acompanhada de arroz branco, pirão e farofa de ovos. Quem visita essas cidades em agosto encontra o prato nos restaurantes à beira-mar, sempre com a indicação de que o camarão foi pescado no dia.
Como escolher e limpar o camarão certo
Para o bobó capixaba, o ideal é o camarão rosa médio, fresco, com casca firme e cheiro suave de mar. Evite camarões com cheiro forte de amônia ou com pontos escuros na cabeça, sinais de que ficaram tempo demais no gelo. Na compra, prefira o camarão com casca, porque a casca e a cabeça concentram sabor e podem ser usadas para reforçar o caldo do cozimento.
Para limpar, descarte a cabeça e a carapaça, retire o fio preto das costas com uma faca pequena e lave em água corrente. Reserve as cascas e cabeças, separe metade dos corpos para o pirão e mantenha o restante no refrigerador até a hora de entrar no refogado. O camarão do bobó não deve ficar muito tempo cozido, porque endurece e perde suculência. Seis minutos após entrar no creme de aipim são suficientes para ele ficar rosado e cozido por inteiro.
Acompanhamentos que combinam com o bobó
O acompanhamento clássico é o arroz branco solto, cozido com alho e sal, que equilibra a cremosidade do bobó. O pirão de aipim entra como segundo acompanhamento, servido à parte em uma tigela pequena, e é comido junto com o arroz e o molho. A farofa de ovos, feita na frigideira com ovos mexidos, farinha de mandioca torrada e manteiga, dá textura crocante e corta a umidade do prato.
Para quem quer variar, uma salada de repolho roxo com limão e azeite funciona bem como contraste, e um vinho branco seco, servido bem gelado, é a bebida mais pedida nas casas do litoral capixaba. Nos meses mais frios, o café coado depois do prato é o fechamento tradicional nas reuniões de família no interior do estado. O bobó de camarão capixaba com esses acompanhamentos transforma um jantar de agosto em uma refeição de domingo, mesmo no meio da semana.
Conservação e reaproveitamento
O bobó de camarão capixaba se conserva bem na geladeira por até 2 dias, em pote fechado, e no congelador por até 3 meses, em porções individuais. Para reaquecer, use fogo baixo, mexendo sempre, e adicione um fio de água ou caldo de peixe se o creme ficar muito espesso. Evite o micro-ondas, porque o aipim pode talhar e os camarões perdem textura.
O reaproveitamento mais comum é transformar a sobra em recheio de pastéis ou empadas, misturando o bobó com um pouco de farinha de trigo até dar ponto. Outra opção é desfiar os camarões e usar o creme como molho para uma massa curta, como o talharim caseiro, finalizando com queijo ralado e um fio de azeite. No litoral capixaba, sobras do bobó também viram recheio de tortas salgadas assadas no dia seguinte, servidas com café da tarde.
Para quem quer variar o repertorio de pratos do mar no inverno, vale experimentar o caldo de aipim com camarao a baiana (veja a receita), que e cremoso e leva leite de coco, e tambem o ensopado de caranguejo a capixaba (veja a receita), mais rustico e servido com pirao de farinha.
Quem aprecia sabores nordestinos pode conferir tambem o arroz de taxi pernambucano (veja a receita), com charque e jerimum, muito comum nas festas de Sao Pedro, e o escondidinho de camarao a moda baiana (veja a receita), cremoso e servido em porcoes generosas.
Tire suas dúvidas
Posso substituir o aipim por batata?
Sim, mas o sabor e a textura mudam bastante. A batata inglesa dá um creme menos adocicado e mais neutro, e o pirão fica menos aveludado. Se optar pela batata, use 500 g e cozinhe até desmanchar, porque ela absorve menos líquido que o aipim. O resultado fica próximo, mas perde a cara capixaba do prato.
Dá para fazer o bobó sem urucum?
Sim, o urucum entra principalmente pela cor e por um sabor suave. Sem ele, o bobó fica mais claro, levemente rosado só pelos camarões. Você pode substituir por colorau em menor quantidade, cerca de 5 g, ou por uma pitada de açafrão-da-terra, que dá cor amarela e aroma terroso. A receita não fica comprometida.
Posso usar camarão congelado?
Pode, desde que o camarão tenha sido congelado ainda fresco e esteja bem conservado. Descongele na geladeira de um dia para o outro, em um recipiente com tampa, e use o líquido que soltar como parte do caldo de peixe, para não perder sabor. Não descongele em água corrente ou micro-ondas, porque a textura fica borrachuda e o sabor do mar se perde.
Precisa usar panela de barro?
Não é obrigatório, mas a panela de barro ajuda a manter a temperatura uniforme e dá um sabor de terra que combina com o bobó. Se não tiver, use uma panela grossa de fundo triplo, em fogo baixo, e mexa com cuidado para não grudar no fundo. O sabor final fica muito próximo, principalmente se você terminar o prato com um fio de azeite no momento de servir.
Posso fazer o bobó com leite de coco?
Sim, é a versão mais comum fora do Espírito Santo. Acrescente 200 ml de leite de coco no passo 6, junto com o caldo de peixe, antes de incorporar o aipim. O creme fica mais untuoso e adocicado, com cara de bobó baiano. A versão capixaba original leva pouco leite de coco, então a textura fica mais leve e o pirão rende mais.
Como servir o bobó de camarão capixaba?
Sirva em pratos fundos, com uma porção generosa de arroz branco ao lado, o pirão de aipim em uma tigela pequena e a farofa de ovos por cima do bobó ou em separado. Decore com folhas de cheiro-verde e um fio de azeite. Nos restaurantes do litoral capixaba, o prato vem em panela de barro individual, com os acompanhamentos em travessas à mesa, no centro.
Quantas calorias tem uma porção?
Uma porção de bobó de camarão capixaba tem em média 380 kcal, considerando 6 porções com arroz branco, pirão e farofa de ovos. O valor varia conforme a quantidade de azeite, o uso de leite de coco e o tipo de camarão. Para reduzir, diminua o azeite no refogado e sirva com mais salada verde no lugar da farofa.
O bobó pode ser feito com peixe em vez de camarão?
Sim, principalmente com robalo, namorado ou cação, em postas de 200 g cada. Refogue o peixe no mesmo creme de aipim por 8 minutos, até começar a soltar lascas, e finalize com cheiro-verde e um fio de azeite. O prato ganha o nome de “bobó de peixe capixaba” e é muito comum nas colônias de pescadores do litoral sul do Espírito Santo em dias de semana.


