🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
O que e o caruru baiano
Atualizado em agosto de 2026. O caruru baiano e um cozido encorpado feito com quiabo, camarão seco, amendoim, castanha de caju e azeite de dendê, que nasceu na Bahia junto com as religiões de matriz africana e hoje aparece como prato principal do almoço afro-brasileiro em agosto. Recebido das tradições ioruba e nagô pelos escravizados que chegaram ao Recôncavo no seculo XIX, virou comida ritual do candomblé e acompanhamento obrigatório do acarajé e do abara em Salvador, Cachoeira, São Felix e Santo Amaro. No almoço de domingo, vai com arroz branco, farofa, vinagrete e pirão de leite.
Ingredientes do cozido

| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Quiabo fresco | 500 g | Equivalente a 2 maços médios, cortado em rodelas de 1 cm |
| Camarão seco sem casca | 120 g | Deixe de molho em água morna por 30 min antes de usar |
| Amendoim torrado sem sal | 100 g | Triturado grosso no liquidificador ou em pilão |
| Castanha de caju torrada | 80 g | Triturada grossa, não em po |
| Cebola media | 180 g | Equivalente a duas cebolas medias, picada em cubos |
| Tomaté maduro | 200 g | Equivalente a dois tomates médios, sem sementes, picado |
| Dente de alho | 10 g | Equivalente a tres dentes médios, picados finos |
| Azeite de dendê | 60 ml | Reduz a 30 ml se preferir sabor mais suave |
| Óleo de soja | 30 ml | Para o refogado inicial junto com o dendê |
| Folha de louro | 2 g | Equivalente a duas folhas, retiradas antes de servir |
| Sal grosso | 10 g | Ajustar ao gosto depois do cozimento |
| Pimenta dedo de moça | 5 g | Equivalente a uma pimenta media, picada sem sementes |
| Água filtrada | 600 ml | Para o cozimento do cozido |
Ingredientes para servir
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Arroz branco cozido | 600 g | Equivalente a seis xícaras de arroz ja cozido |
| Cebola para vinagrete | 60 g | Equivalente a meia cebola media, picada fina |
| Tomaté para vinagrete | 100 g | Equivalente a um tomaté médio, sem sementes |
| Farofa de dendê pronta | 200 g | Prata ou amarela, tostada na hora |
| Pirão de leite | 400 g | Quatro porções, servido em caneca a parte |
| Acarajé pequeno | 240 g | Equivalente a seis acarajés fritos, servido em cesto |
Modo de preparo do caruru
O cozido leva cerca de uma hora de fogo baixo e rende seis porções. O segredo esta em hidratar bem o camarão seco, refogar os temperos em azeite de dendê e adicionar amendoim e castanha por ultimo para manter a textura granulada. O quiabo entra depois do refogado, para não virar liga.
Como preparar a base aromática
- Hidraté o camarão seco em água morna por 30 minutos. Escorra e reserve a água do remolho.
- Triture o amendoim e a castanha de caju no liquidificador até virar granulado médio, sem virar po.
- Pique cebola, alho, tomaté e pimenta em cubos pequenos e reserve separados.
- Corte o quiabo em rodelas de 1 cm e reserve em tigela a parte.
Como cozinhar o cozido
- Aqueça uma panela grande de ferro ou alumínio grosso em fogo médio. Junte o óleo de soja e, em seguida, 30 ml de azeite de dendê.
- Refogue cebola e alho até a cebola ficar transparente, cerca de 4 minutos. Acrescente o tomaté e a pimenta e cozinhe por mais 3 minutos.
- Adicione o camarão seco hidratado e mexa por 2 minutos para pegar o sabor do refogado.
- Junte a água do remolho do camarão coada, mais 600 ml de água filtrada, e deixe ferver.
- Acrescente o quiabo e a folha de louro. Cozinhe em fogo baixo por 20 minutos com a tampa entreaberta.
- Misture o amendoim e a castanha de caju triturados, mexendo bem para envolver.
- Termine com os 30 ml restantes de azeite de dendê cru, sem levar de volta ao fogo.
- Verifique o sal, ajuste e desligue. Tire a folha de louro antes de servir.
Tempo de preparo e rendimento
Tempo de preparo: 25 minutos.
Tempo de cozimento: 35 minutos.
tempo total: 60 minutos.
Rende 6 porções generosas.
Como servir o caruru baiano
Sirva o cozido em cumbucas de barro individuais, com uma concha generosa de arroz branco ao lado. A farofa de dendê entra em cima do arroz, e o vinagrete cru equilibra a untuosidade do dendê. O acarajé deve estar quentinho, aberto ao meio, com o recheio visto. O pirão de leite vai em caneca a parte, para ser tomado entre as garfadas. Em Salvador e Cachoeira, a tradição manda comer com as mãos, sovando o acarajé dentro do caruru.
Variações regionais e adaptações
No Recôncavo Baiano, o caruru leva mais amendoim e menos castanha, e recebe uma pitada de cominho no refogado. Em Ilhéus e Itabuna, no sul da Bahia, a receita ganha leite de coco na finalização, deixando o cozido cremoso. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a versão paraense entra com jambu no lugar do quiabo, virando o caruru do Norte. Em Minas Gerais, quiabo e amendoim rendam o tutu de quiabo, parente mineiro com feijão. E possível substituir o camarão seco por carne seca desfiada ou por frango desfiado para uma versão sem frutos do mar, mantendo amendoim, castanha e dendê como base.
Para um almoço completo na linha afro-brasileira, monte o prato com estas combinações do nosso site: sirva o vatapá baiano cremoso tradicional como segundo cozido, ou o baião de dois nordestino com feijão fradinho e paio para trocar o arroz branco por um acompanhamento mais robusto. Quem prefere o lado do mar pode harmonizar com a caranguejada sergipana com arroz de coco e pirão de leite, e quem busca um cozido de carne lembra do sarapatel goiano com pequi, que partilha o tripé amendoim, carne seca e cozido lento.
Tire suas duvidas
Posso substituir o camarão seco por camarão fresco?
Não. O camarão seco da sal e corpo ao cozido, e o fresco soltaria água demais, deixando o caruru mole. Se precisar, use apenas camarão fresco para decorar no prato final, mantendo o seco como base. Outra opção e trocar pelo camarão fresco dessalgado por 2 horas em água com sal.
E obrigatório usar dendê?
O azeite de dendê e a alma do caruru baiano. Sem ele, o cozido vira um creme de quiabo com amendoim, bem distante da receita original. Para reduzir sem perder, use 30 ml em vez de 60 ml e compense com uma pitada de colorau. Em caso de intolerância, o caruru do Norte usa tucupi no lugar.
Posso fazer sem quiabo?
E possível trocar por maxixe, que mantem a consistência levemente mucosa, ou por abobora cabotiã em cubos, que engrossa o cozido de outro jeito. O sabor muda bastante. O quiabo fresco e a única opção que preserva o sabor tradicional do caruru baiano.
Qual a diferenca entre caruru baiano e caruru do Norte?
O caruru baiano leva azeite de dendê, amendoim e camarão seco, com quiabo cozido em água. O caruru do Norte, chamado caruru do Pará, leva tucupi, jambu e camarão regional, sem dendê. Ambos são cozidos rituais afro-brasileiros, mas ocupam regiões diferentes do pais.
Posso fazer o caruru na panela de pressão?
Não recomendado. A pressão cozinha o quiabo rápido demais, deixando-o papa. O cozido tradicional leva 35 minutos em panela aberta com fogo baixo, que mantem a textura dos ingredientes. Se precisar acelerar, reduza o tempo para 20 minutos com tampa entreaberta.
O que fazer se o caruru ficou muito liquido?
Deixe a panela sem tampa em fogo médio por mais 10 minutos, mexendo de vez em quando. O amendoim e a castanha absorvem liquido aos poucos. Se ainda estiver mole, dissolva 1 colher de sopa de fubá em água fria e adicione, mexendo, até engrossar.
Posso preparar o caruru com um dia de antecedência?
Sim. O caruru melhora no dia seguinte, porque os sabores apuram. Guarde em pote fechado na geladeira e reaqueça em fogo baixo com um fio de água antes de servir. Acrescente o dendê cru apenas na hora de servir, para preservar o aroma.
Qual o melhor acompanhamento para o caruru?
O acarajé pequeno é o clássico, seguido pelo abará e pelo arroz branco com farofa de dendê. Para almoço completo em Salvador, servem-se também vinagrete cru, pirão de leite e vatapá. Substituições funcionais incluem o baião de dois, a caranguejada ou o sarapatel, todos pratos de panela do nosso site.
De onde vem o nome caruru?
O termo veio do iorubá kalalu, levado ao Brasil pelos escravizados que aportaram na Bahia no seculo XIX. Em tupi, o mesmo som designa uma planta do gênero Amaranthus, o que gera confusão até hoje, ja que o prato baiano usa quiabo e não a erva. A Wikipedia registra essa origem dupla do vocábulo.
Caruru é comida de santo?
Sim. O caruru e um cozido ritual do candomblé, servido em festas em homenagem a santos como São Cosme e São Damião, em setembro. No resto do ano, virou prato do almoço afro-brasileiro, perdendo o lado exclusivamente ritual. A forma de servir com acarajé e abara permanece como marca da comida de terreiro.


