🍴 Cartão da Receita
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Atualizado em outubro de 2026. A casquinha de aratu capixaba é um petisco clássico do litoral do Espírito Santo, feita com a carne do aratu refogada com cebola, tomate, coentro e dendê, gratinada na própria carapaça do crustáceo até borbulhar. Aparece em bares e restaurantes de Vitória, Vila Velha, Guarapari e nas comunidades de pesca do manguezal capixaba, e é servida como entrada ou tira-gosto no almoço de domingo à beira-mar.
Esse post ensina a receita tradicional do Litoral Sul do Espírito Santo, com a carne do aratu (Aratus pisonii) extraída manualmente das patas e do corpo, refogada com base de tomate, cebola, cheiro-verde e azeite de dendê, e gratinada na carapaça limpa com uma camada de farofa de manteiga. O rendimento é de 8 casquinhas, com tempo de preparo de 1 hora e 30 minutos (incluindo a limpeza dos aratus) e cozimento de 25 minutos, em forno a 200°C. Use aratus frescos, com casca firme e cor verde-oliva, comprados direto de pescadores artesanais ou em feiras livres de Vitória e da Grande Vitória.
Ingredientes
A base da casquinha é o aratu fresco, típico de manguezal do litoral capixaba. Para garantir sabor autêntico, prefira crustáceos capturados no dia, com casca inteira e sem odor forte; quem não mora no Espírito Santo pode usar aratu congelado, vendido em peixarias de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A lista abaixo rende 8 casquinhas, o suficiente para servir 4 pessoas como entrada ou petisco.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Aratu fresco inteiro | 1 kg | com casca, equivalente a 8 unidades médias |
| Cebola branca picada | 120 g | cerca de 1 unidade média |
| Tomate maduro picado | 150 g | 2 unidades médias sem sementes |
| Pimentão verde picado | 60 g | 1/2 unidade pequena |
| Alho picado | 15 g | 3 dentes médios |
| Cheiro-verde (coentro + cebolinha) | 30 g | 1/2 maço, só as folhas e talos finos |
| Azeite de dendê | 30 ml | 2 colheres de sopa cheias |
| Azeite de oliva | 30 ml | 2 colheres de sopa |
| Limão Taiti (suco) | 20 ml | 1 limão médio |
| Sal grosso | a gosto | cerca de 1 colher de chá rasa |
| Pimenta-do-reino moída na hora | a gosto | 1/2 colher de chá |
| Farinha de mandioca fina | 80 g | para a farofa de cobertura |
| Manteiga sem sal | 30 g | 2 colheres de sopa cheias |
| Leite de coco | 100 ml | opcional, para cremosidade |
Tempo de preparo: 1 hora e 30 minutos. Tempo de cozimento: 25 minutos. Tempo total: 1 hora e 55 minutos. Rende: 8 casquinhas (4 porções).
Modo de preparo

A limpeza do aratu é a parte mais demorada: lave cada crustáceo em água corrente com escova de cerdas duras para retirar areia do mangue, mergulhe em água gelada com sal grosso por 10 minutos, separe a carapaça superior do corpo com faca afiada, descarte as brânquias e reserve a carne em tigela enquanto as cascas ficam em água gelada até a hora de rechear. Esse passo é fundamental para manter a carapaça inteira, que será usada como forma de gratinação.
- Refogue a base aromática. Em uma frigideira larga, aqueça o azeite de oliva em fogo médio, refogue a cebola até ficar translúcida (cerca de 4 minutos), acrescente o alho e o pimentão e mexa por mais 2 minutos. Adicione o tomate picado, tempere com sal e pimenta-do-reino, e cozinhe por 5 minutos até formar um molho encorpado.
- Incorpore a carne do aratu. Junte a carne extraída à frigideira, regue com o suco de limão e mexa bem por 4 minutos para que a carne absorva o molho. Acrescente o cheiro-verde picado, o leite de coco (se estiver usando) e cozinhe por mais 3 minutos em fogo baixo. Prove e ajuste o sal.
- Finalize o refogado com dendê. Desligue o fogo, regue com o azeite de dendê e mexa até que o refogado fique com cor alaranjada uniforme. O dendê entra no final para preservar o sabor e a cor, segundo o padrão da culinária capixaba. Reserve.
- Prepare a farofa de manteiga. Em outra frigideira, derreta a manteiga em fogo baixo, acrescente a farinha de mandioca fina e mexa sem parar por 3 minutos até ficar dourada e soltinha. Tempere com uma pitada de sal.
- Recheie as casquinhas. Disponha as carapaças limpas (parte côncava para cima) em uma assadeira, seque o interior com papel toalha e distribua o refogado de aratu entre as 8 casquinhas, preenchendo até a borda.
- Gratine com a farofa. Cubra cada casquinha com a farofa de manteiga, pressionando levemente para que grude no recheio. Regue cada uma com um fio fino de azeite de oliva.
- Leve ao forno para gratinar. Pré-aqueça o forno a 200°C e asse as casquinhas por 15 a 20 minutos, até a farofa ficar dourada e o recheio borbulhar nas bordas. Sirva imediatamente, ainda quente.
Como servir a casquinha de aratu
A casquinha de aratu capixaba é servida como entrada de almoço à beira-mar ou petisco de bar, sempre bem quente, na própria carapaça. Acompanha pão francês ou torrada de ciabatta, rodelas de limão e molho de pimenta caseiro; o costume capixaba é servir também uma caipirinha de maracujá ou cerveja bem gelada. Em Vitória e Vila Velha, a casquinha aparece em porções de 4 unidades com arroz branco e pirão de aipim como prato principal do almoço de domingo.
Variações regionais da casquinha capixaba
No Espírito Santo, a casquinha varia de acordo com o município: em Vitória e Vila Velha, a versão clássica leva dendê e leite de coco, com cobertura generosa de farofa; em Guarapari, a casquinha ganha um toque de azeite de oliva extra e pimenta-do-reino moída na hora, sem o dendê; em Conceição da Barra, no Norte do Estado, a casquinha de aratu costuma ser recheada também com carne de siri, ficando mais cremosa. Em outros estados do litoral brasileiro, a casquinha de caranguejo (Ucides cordatus) é a versão mais comum, com base de tomate mais ácida e cobertura de queijo coalho gratinado em vez de farofa. O princípio é o mesmo: aproveita a casca do crustáceo como forma comestível, dá sabor concentrado e reduz o desperdício.
Conservação e reaproveitamento
A casquinha de aratu é melhor consumida logo após sair do forno, com a farofa ainda crocante e o recheio borbulhando. Se sobrar, guarde na geladeira em recipiente fechado por até 24 horas e reaqueça em forno a 180°C por 10 minutos, sem micro-ondas (a farofa fica borrachuda). O refogado de aratu não assado, por sua vez, dura 2 dias na geladeira em pote de vidro e pode ser reaproveitado como recheio de tapioca, omelete ou torta salgada, mantendo o sabor do litoral capixaba. Não é recomendado congelar a casquinha pronta, porque a textura da carapaça muda; congele só o refogado cru, por até 30 dias, em porções individuais.
Curiosidades sobre o aratu no Espírito Santo
O aratu (Aratus pisonii) é um crustáceo pequeno de manguezal, também conhecido como aratu-do-mangue, muito comum nos mangues do litoral capixaba, baiano e fluminense. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o aratu está sujeito a períodos de defeso para proteger a reprodução da espécie, e a captura é regulamentada por portarias do Ministério da Pesca e Aquicultura. No Espírito Santo, a pesca artesanal do aratu é atividade tradicional de comunidades quilombolas de Regência e de famílias de pescadores de Aracruz, conforme registros do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). A casquinha é considerada patrimônio imaterial da culinária capixaba, junto com a moqueca de peixe, a torta capixaba e o bobó de camarão, segundo o Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES).
Dicas de compra, substituições e harmonização
Compre aratus frescos, com casca firme e cor verde-oliva, sem cheiro forte de amônia, e prefira sempre o crustáceo capturado no dia, vendido em feiras livres ou direto com pescadores artesanais do litoral. Quem está fora do Espírito Santo pode substituir o aratu por siri-azul (Callinectes sapidus) ou guaiamum (Cardisoma guanhumi), ambos disponíveis em peixarias de Salvador, Recife e Fortaleza, mantendo o mesmo modo de preparo. Para harmonizar, a casquinha de aratu combina com cervejas pilsen ou weiss bem geladas, caipirinha de maracujá ou limão, e com um vinho branco seco brasileiro, como um Chardonnay da Serra Gaúcha ou um Sauvignon Blanc do Vale dos Vinhedos. Na mesa, sirva com rodelas de limão, molho de pimenta e farofa extra à parte.
Tire suas dúvidas
O que é casquinha de aratu?
Casquinha de aratu é um petisco típico do litoral do Espírito Santo feito com a carne do aratu refogada e gratinada na própria carapaça do crustáceo, com cobertura de farofa de manteiga. É servida como entrada ou tira-gosto em bares e restaurantes de Vitória, Vila Velha e Guarapari.
Qual a diferença entre aratu e caranguejo?
O aratu (Aratus pisonii) é um crustáceo pequeno de manguezal, de cor verde-oliva e patas finas, típico da região Sudeste e do Recôncavo Baiano. O caranguejo (Ucides cordatus) é maior, de cor escura, com patas grossas e casco mais arredondado, mais comum na Bahia e no Pará. A casquinha capixaba é tradicionalmente feita com aratu, enquanto a casquinha baiana costuma usar caranguejo.
Onde comprar aratu fresco no Espírito Santo?
O aratu fresco é vendido nas feiras livres de Vitória (Praça do Suá, Praia do Canto, Maruípe), nas peixarias de Vila Velha e nas comunidades de pesca de Aracruz, Regência e Conceição da Barra. No Mercado Municipal de Vitória (Capixaba) há bancas especializadas em crustáceos, com aratu, caranguejo, siri e guaiamum capturados no dia.
Posso usar aratu congelado?
Sim. O aratu congelado, vendido em peixarias e supermercados de outras regiões, funciona bem para a casquinha. Descongele na geladeira por 12 horas, seque a carne com papel toalha antes de refogar e siga a receita normalmente. A textura da casca fica um pouco menos firme, mas o sabor é preservado.
Quanto tempo o aratu fica no defeso?
Segundo a Instrução Normativa MPA nº 24/2024 e portarias do ICMBio, o defeso do aratu ocorre em períodos definidos por estado, geralmente entre setembro e dezembro, para proteger a reprodução da espécie. Durante o defeso, a captura comercial é proibida; fora desse período, a pesca artesanal é permitida com registro de pescador profissional. Confirme o período vigente no site do Ministério da Pesca e Aquicultura antes de comprar crustáceos.
Posso fazer a casquinha sem dendê?
Sim. A versão sem dendê, comum em Guarapari, usa só azeite de oliva e a cor fica mais clara, mas o sabor permanece. Nesse caso, acrescente 1 colher de sobremesa de colorau ou páprica defumada para manter a tonalidade alaranjada característica da casquinha capixaba.
Qual a bebida que combina com casquinha de aratu?
A casquinha de aratu combina com cerveja pilsen ou weiss bem gelada, caipirinha de maracujá ou limão, e com vinho branco seco brasileiro, como um Chardonnay da Serra Gaúcha ou um Sauvignon Blanc do Vale dos Vinhedos. Acompanhe com rodelas de limão e molho de pimenta caseiro.
É possível usar siri em vez de aratu?
Sim. O siri-azul (Callinectes sapidus) é a substituição mais comum fora do Espírito Santo, disponível em peixarias do Nordeste e do Sudeste. O modo de preparo é o mesmo, mas a carne do siri é mais fibrosa e exige refogado mais demorado, com 8 a 10 minutos na frigideira antes de rechear as casquinhas.
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