🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. A guarajuba assada com pirão de aipim e vinagrete de coentro é o almoço de outubro no Litoral Norte da Bahia, com peixe dourado de recife costeiro, pirão de aipim cozido no próprio caldo da assadura e vinagrete fresco de coentro e cebola roxa que finaliza o prato com acidez baiana. Serve 6 porções em aproximadamente 1h40, e combina com a estação da guarajuba no Atlântico Tropical e com a fartura de aipim nas feiras do Litoral Norte.
A guarajuba (Lutjanus vivanus) é um peixe da família Lutjanidae capturado em recifes costeiros do Atlântico Tropical Ocidental, do Maranhão à Bahia, com oferta abundante entre maio e outubro nas colônias de pesca de Salvador, Ilhéus e Porto Seguro. O nome popular baiano é “guarajuba” ou “caranha”; em Pernambuco e Alagoas pode aparecer como “caranha-amarela” ou “cioba-amarela”. A carne é firme, de cor branca rosada e sabor delicado, ideal para assados inteiros com pirão de aipim e vinagrete de coentro, que é a combinação tradicional do Litoral Norte da Bahia para receber o peixe fresco no almoço de domingo. A receita rende 6 porções, leva 30 min de preparo e 1h10 de forno.
Ingredientes
Lista completa para assar a guarajuba inteira no forno com pirão de aipim e vinagrete de coentro. A guarajuba fresca deve estar com olhos brilhantes, guelras vermelhas e escamas firmes; prefira exemplares de 1,2 a 1,5 kg, que cabem inteiros em assadeira grande.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Guarajuba inteira | 1,2 kg | Fresca, eviscerada, com cabeça e cauda |
| Limão-da-Bahia | 2 unidades (suco) | Suco fresco para a marinada |
| Alho | 6 dentes | Amassados com casca |
| Sal grosso | 20 g | Para a marinada e o exterior do peixe |
| Pimenta-do-reino preta | 5 g | Moída na hora |
| Coentro fresco | 60 g | Folhas e talos picados (vinagrete) |
| Cebola roxa | 1 unidade média (150 g) | Fatiada fina para o vinagrete |
| Tomate maduro | 2 unidades (250 g) | Sem sementes, em cubos pequenos |
| Azeite de dendê | 30 ml | Para regar o peixe antes do forno |
| Aipim (mandioca) | 600 g | Descascado, em cubos para o pirão |
| Cebolinha verde | 20 g | Para o pirão |
| Farinha de mandioca | 40 g | Torrada, para engrossar o pirão |
Tempo de preparo: 30 min. Tempo de forno: 50 min. Tempo total: 1h40 (inclui marinada de 20 min). Rende: 6 porções.
Modo de preparo

A guarajuba fresca tem corpo alongado, coloração amarela-dourada no dorso e manchas azuladas nos flancos; a carne é branca rosada, firme e com baixo teor de gordura. Compre o peixe inteiro, com escamas, guelras e olhos brilhantes, porque a apresentação assada com cabeça e cauda é parte da tradição do Litoral Norte. Para limpar, lave em água corrente, retire as guelras e as vísceras, enxugue com papel toalha e mantenha a cabeça. Se preferir, peça ao peixeiro para retirar apenas as vísceras e deixar a cabeça intacta.
- Marinada (20 min): Misture o suco dos 2 limões, os 6 dentes de alho amassados, 10 g de sal grosso, a pimenta-do-reino e metade do coentro picado. Faça 3 cortes diagonais superficiais em cada lado da guarajuba, regue com a marinada por dentro e por fora, e deixe descansar em recipiente fechado na geladeira por 20 minutos.
- Preparar o pirão de aipim (enquanto a guarajuba marine): Coza os 600 g de aipim em 1 litro de água com sal por 25 minutos, até que esteja bem macio. Reserve a água do cozimento e retire os talos centrais mais fibrosos. Amasse o aipim com um garfo ou espremedor, mantendo textura rústica.
- Preparar o vinagrete de coentro: Em uma tigela, misture 150 g de cebola roxa fatiada fina, 250 g de tomate em cubos sem sementes, 30 g de coentro fresco picado, 30 ml de azeite de dendê, 10 g de sal grosso e o suco de meio limão. Reserve na geladeira até a guarajuba sair do forno.
- Forrar a assadeira: Preaqueça o forno a 220°C. Forre uma assadeira grande com papel alumínio e unte com azeite. Disponha a guarajuba marine, com os cortes diagonais voltados para cima.
- Assar a guarajuba: Regue a guarajuba com 30 ml de azeite de dendê e leve ao forno preaquecido por 40 minutos. A cada 10 minutos, regue o peixe com o caldo que se forma na assadeira para manter a carne úmida e brilhante. A guarajuba está pronta quando a carne próxima à espinha dorsal se destaca facilmente com um garfo e a superfície está dourada e crocante.
- Finalizar o pirão: Enquanto a guarajuba descansa 5 minutos coberta com papel alumínio, volte o aipim cozido ao fogo baixo com 500 ml da água do cozimento e 40 g de farinha de mandioca torrada. Mexa bem por 5 minutos até engrossar, finalize com 20 g de cebolinha verde picada e corrija o sal.
- Servir: Disponha a guarajuba inteira em travessa grande, com o pirino de aipim em tigela à parte e o vinagrete de coentro em pote separado. Sirva imediatamente, com arroz branco e pirão de aipim à vontade.
Como servir e harmonizar
A guarajuba assada é servida no Litoral Norte da Bahia acompanhada de arroz branco soltinho, pirão de aipim bem quente e o vinagrete de coentro à parte, para que cada pessoa se sirva a gosto. A acidez do vinagrete corta a untuosidade do pirão e refresca a carne no calor de outubro. Em Porto Seguro e Ilhéus, a guarajuba também pode entrar como protagonista de moqueca leve com leite de coco, mas a versão assada com pirão é a mais tradicional do almoço de domingo nas colônias de pesca. Para harmonizar, prefira cerveja clara bem gelada (como a original do Litoral Norte, estilo Pilsen) ou suco de caju gelado, combinação clássica do cardápio baiano de outono.
Variações regionais
No Litoral Norte da Bahia, a guarajuba pode ser preparada assada inteira no forno (esta receita), grelhada na brasa em caranguejo de praia, ou em moqueca com leite de coco e dendê. Em Pernambuco e Alagoas, a mesma espécie é chamada de “caranha-amarela” e costuma ser servida com pirão de macaxeira e vinagrete de pimentão em vez de coentro. No Maranhão, o peixe pode aparecer cozido com arroz de cuxá ou em caldo com jambu. Para uma versão mais rápida, substitua o forno pela frigideira grande com tampa: doure a guarajuba em postas de 3 cm por 4 minutos de cada lado, finalize com o pirino e sirva em 30 minutos. A versão com pirão de aipim mantém a identidade do Litoral Norte da Bahia mesmo com variações de técnica.
Conservação e reaproveitamento
A guarajuba assada mantém a qualidade por até 2 dias na geladeira, em recipiente fechado, e pode ser congelada por até 3 meses em porções individuais com pirão separado. Para reaproveitar as sobras, desfie a carne (retire espinhos com cuidado) e use em empadão de guarajuba com catupiry, em recheio de pastel de forno, ou em salada fria com maionese caseira, cebola roxa e coentro. O pirão de aipim restante rende bolinhos fritos: modele em colher, empane em farinha de rosca e frite em óleo quente até dourar. Esses bolinhos são petisco clássico de praia em Salvador.
Curiosidades sobre a guarajuba
A guarajuba (Lutjanus vivanus) é um peixe de recife costeiro da família Lutjanidae, parente próxima da cioba (Lutjanus analis), do dentão (Lutjanus jocu) e da guaiúba/caicanha (Lutjanus apodus), todas espécies frequentes na pesca artesanal do Litoral Norte da Bahia. Segundo o IBGE, a produção de pescado marinho do Nordeste brasileiro responde por cerca de 30% do volume nacional, e a Bahia está entre os 5 maiores estados produtores de peixes de recife costeiro. A guarajuba tem tamanho médio de 40 a 60 cm e pode atingir até 80 cm em indivíduos adultos, com período de defeso definido pela MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura) entre novembro e março em algumas regiões, para preservar a reprodução da espécie.
Dicas de compra, substituições e harmonização
Se a guarajuba fresca não estiver disponível, substitua por cioba, dentão ou guaiúba, peixes da mesma família Lutjanidae com textura e sabor próximos; ajuste o tempo de forno para 30-40 minutos se o exemplar for menor (800 g a 1 kg). Evite peixes de couro (como pirarucu ou cascudo) porque a textura e o sabor são muito distintos. Para o pirão, o aipim (mandioca) pode ser substituído por macaxeira (mesma raiz, nomes regionais) sem perda de qualidade; a farinha de mandioca torrada é essencial para a textura cremosa. O azeite de dendê dá identidade baiana, mas pode ser substituído por azeite de oliva extravirgem se preferir sabor mais neutro. Compre a guarajuba no mercado municipal ou em colônias de pesca com selo da MPA/IBAMA, garantindo procedência e frescor.
Tire suas dúvidas
O que é guarajuba e qual o sabor da carne?
A guarajuba é um peixe marinho da família Lutjanidae, parente da cioba e do dentão, capturado em recifes costeiros do Atlântico Tropical. A carne é branca rosada, firme e com sabor delicado, levemente adocicado, ideal para assados inteiros, moquecas e postas grelhadas. É mais suave que o robalo e mais firme que a cioba, ficando no meio termo entre os dois.
Como saber se a guarajuba está fresca no mercado?
Os olhos devem estar brilhantes e salientes, as guelras vermelho-vivas e úmidas, e a carne firme ao toque, sem cheiro forte de amônia. A pele deve ter cor viva, sem manchas escuras, e as escamas devem estar bem aderidas ao corpo. Evite peixes com barriga inchada, olhos opacos ou cheiro muito forte, sinais de que o pescado não está fresco.
Posso usar guarajuba congelada no lugar da fresca?
Sim, a guarajuba congelada em alto-mar (no mar, imediatamente após a captura) tem qualidade próxima da fresca. Descongele na geladeira por 12 a 24 horas antes de marinar, seque bem com papel toalha para retirar o excesso de água e siga a mesma marinada e tempo de forno. Não use guarajuba congelada em temperatura ambiente, porque a textura da carne fica comprometida.
Qual a diferença entre guarajuba e cioba?
São da mesma família Lutjanidae e parente próximas, mas a guarajuba (Lutjanus vivanus) tem coloração amarelo-dourada mais intensa e corpo ligeiramente mais alongado que a cioba (Lutjanus analis). O sabor da guarajuba é considerado um pouco mais doce e a textura mais firme, ideal para assados inteiros com pirão. A cioba tem sabor mais suave e é tradicional no Litoral Potiguar com molho de coentro.
O pirão de aipim pode ser feito com farinha pronta?
Sim, use 80 g de farinha de mandioca torrada (própria para pirão) no lugar dos 600 g de aipim cozido, dissolvendo em 700 ml de água ou caldo de peixe quente. Tempere com sal, cebolinha verde e finalize com um fio de azeite de dendê. O pirão com farinha pronta é mais rápido e rende textura mais uniforme; com aipim cozido, o sabor é mais fresco e a textura é rústica.
Como evitar que a guarajuba asse demais no forno?
Regue o peixe a cada 10 minutos com o caldo da própria assadeira, mantenha a temperatura do forno em 220°C e retire quando a carne próxima à espinha dorsal se soltar facilmente com um garfo (cerca de 40 minutos para exemplar de 1,2 kg). Se a superfície dourar rápido demais, cubra com papel alumínio nos últimos 10 minutos. Não asse acima de 230°C, porque a carne resseca.
Posso fazer a receita inteira na churrasqueira?
Sim, asse a guarajuba em brasa média com a grelha bem limpa e untada com azeite, mantendo a tampa fechada por 30 a 40 minutos e virando uma vez no meio do tempo. O sabor de fumaça combina muito bem com o pirão de aipim e o vinagrete de coentro. Se a guarajuba for maior que 1,5 kg, divida em postas para assar de forma uniforme.
Quanto tempo dura a guarajuba assada na geladeira?
Em recipiente fechado, a guarajuba assada mantém a qualidade por até 2 dias na geladeira (temperatura abaixo de 4°C). Após esse período, a carne perde textura e o sabor fica menos fresco. Congelada em porções individuais com pirão separado, a duração é de até 3 meses. Reaqueça em forno baixo (160°C) coberto com papel alumínio para não ressecar.
A guarajuba tem espinhos perigosos como o bacalhau?
Não, a guarajuba tem espinhos grandes e bem visíveis, fáceis de retirar com cuidado ao desfiar a carne. Diferente de peixes pequenos como a sardinha ou o lambari, os espinhos da guarajuba não se espalham em espinhas finas pela carne, ficando concentrados próximos ao espinhaço central. Retire o espinhaço inteiro antes de servir para crianças, desfie a carne e sirva em porções menores.
Para outras receitas com peixes de recife costeiro do Litoral Norte, veja cavalinha assada com pirão de aipim, cioba assada com pirão de aipim e molho de coentro e jurupensém assado na folha de bananeira. Para uma opção de jantar de outubro com tubérculo nativo, veja sopa de cará com carne seca.


