🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. O peixe-espada grelhado com pimenta de cheiro e pirão de aipim é a combinação que abre o almoço de peixe de praia do Litoral Potiguar nesta época: postas de carne firme, seladas na brasa, finalizadas com limão, coentro e pimenta de cheiro, acompanhadas pelo pirão de aipim que não pode faltar na mesa potiguar. O nome comercial no Brasil é peixe-espada, mas a peça é a mesma do espadarte (Xiphias gladius), o peixe marinho pelágico de grande porte registrado na FishBase como distribuído por todos os oceanos tropicais e temperados, com comprimento máximo de 455 centímetros e comprimento comum de 300 centímetros.
Este guia mostra o passo a passo do almoço inteiro, com quantidades para 4 porções, tempo de preparo de 20 minutos e tempo de grelha de 12 minutos. O corte recomendado é a posta já espada, porque a lombar do peixe-espada é larga e mantém a umidade no centro mesmo quando o ponto fica forte. A receita não depende de ingrediente importado nem de técnica de restaurante: brasa, limão, coentro e aipim formam o prato, e o equilíbrio entre o peixe salgado da brasa e o pirão levemente doce vem da quantidade de sal, não do tempo de fogo.
Ingredientes
A lista abaixo reúne o que entra na brasa e o que forma o pirão de aipim servido na mesma travessa. A mandioca é a base do pirão e leva TMPO de cozimento, por isso ela entra na panela antes de a brasa estar pronta. Todos os pesos são de produto já limpo e sem excesso de pele.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Posta de peixe-espada (Xiphias gladius) | 800 g | Peça de 1 kg a 1,5 kg, já espada pelo peixeiro |
| Sal grosso | 1 pitada generosa | Aplicado antes da grelha, nunca depois |
| Suco de limão-siciliano | 120 ml | Equivale a 2 limões espremidos |
| Alho | 15 g | 3 dentes amassados, sem pele |
| Azeite de oliva extravirgem | 2 colheres (sopa) | Para untar as postas e a assadeira |
| Pimenta-de-cheiro em folhas | 3 g | Folhas quebradas; colorau é a alternativa |
| Pimenta-do-reino moída | 1/2 colher (chá) | Moída na hora, em quantidade pequena |
| Coentro fresco picado | 1/2 xícara (chá) | Usado só no fim, fora do fogo |
| Cebola em rodelas | 150 g | 1 unidade, caramelizada na brasa |
| Mandioca (aipim) para o pirão | 1 kg | Descascada e picada em cubos pequenos |
| Leite de coco | 100 ml | Deixa o pirão mais cremoso, opcional |
| Cebolinha verde picada | 1/4 xícara (chá) | Final do pirão, fora do fogo |
| Farinha de mandioca | 2 colheres (sopa) | Engrossa o caldo do pirão |
| Pimenta calabresa | 1/2 colher (chá) | Quantidade ajustada ao gosto |
Tempo de preparo: 20 min. Tempo de cozimento do pirão: 35 min. Tempo de grelha: 12 min. Tempo total: 1h05. Rende 4 porções.
Modo de preparo

O peixe-espada não precisa de marinada longa nem de técnica complicada: as postas saem do gelo, recebem sal grosso, azeite, alho e pimenta-de-cheiro, e vão para a brasa com a pele virada para baixo. O pirão de aipim começa na panela, antes da brasa, e termina com farinha de mandioca fora do fogo. Uma camada fina de sal na pele é o que garante a casquinha dourada e o sabor que segura na carne branca do peixe.
- Prepare o pirão primeiro. Descasque a mandioca, pique em cubos pequenos, leve ao fogo com água suficiente para cobrir, o alho restante e um fio de azeite, e cozinhe em fogo médio até desmanchar, cerca de 35 minutos. Se quiser um caldo mais cremoso, bata alguns cubos com as costas da colher para liberar parte do amido.
- Enquanto a mandioca cozinha, tempere as postas. Espalhe o sal grosso sobre a pele, junte o suco de limão-siciliano, o alho amassado, a pimenta-do-reino e as folhas de pimenta-de-cheiro quebradas. Deixe em temperatura ambiente por 15 minutos, o suficiente para o tempero entrar na superfície sem quebrar a carne.
- Acrescente o leite de coco ao aipim já cozido e amasse levemente com a colher. Volte a panela ao fogo baixo, junte a farinha de mandioca aos poucos e mexa até o caldo engrossar e ficar cremoso. Fora do fogo, acrescente a cebolinha verde picada e ajuste com sal.
- Aqueça a brasa ou a churrasqueira em fogo alto e posicione a grelha no ponto em que a brasa fica viva, sem chama. Pincele a assadeira com azeite para o peixe não grudar e distribua as rodelas de cebola no fundo, onde vão caramelizar com a gordura que escorre.
- Grelhe com a pele para baixo por 6 minutos, sem mover as postas, até a pele formar crosta escura e os ossulcos da chapa marcarem a carne. Repita do outro lado por 4 minutos a 5. O ponto certo é quando o centro ainda está levemente rosado, porque a carne do peixe-espada termina de cozinhar com o calor que fica preso na lombar.
- Escorra a gordura da assadeira em um pote, misture com o suco de limão restante e o azeite, e despeje sobre as postas ainda na grelha. Esse molho dá brilho e traz o ácido na medida. Finalize com coentro fresco picado e uma pitada de pimenta calabresa.
- Sirva as postas em cima do pirão de aipim, com a cebola caramelizada ao lado e o suco de limão siciliano. O calor da brasa com o coentro no final fecham o prato, e o pirão já pode ficar na travessa, porque a montagem é rápida e não pede molho por cima.
Como servir e variações regionais
No Litoral Potiguar, a posta grelhada costuma ir à mesa com pirão de aipim e farofa de manteiga de garrafa. Em Salvador e arredores, a versão com dendê no pirão é a mais comum, e o peixe pode ser assado inteiro na lenha. Quem prefere menos picante troca a pimenta-de-cheiro por colorau e mantém o limão, que é o que dá o brilho final. Sirva o pirão bem quente, em tigela à parte, porque o caldo engrossa ao esfriar.
Curiosidades sobre o peixe-espada
O peixe-espada é uma das maiores espécies de peixe marinho do mundo. A FishBase registra para a espécie Xiphias gladius comprimento máximo de 455 centímetros, comprimento comum de 300 centímetros e peso máximo publicado de 650 quilos. É um peixe pelágico oceanódromo, ou seja, nada em água aberta e se desloca entre os oceanos, e a mesma base indica distribuição nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, em águas tropicais e temperadas, com faixa de profundidade registrada entre 0 e 2.878 metros. A FishBase também classifica a espécie como quase ameaçada (Near Threatened) na Lista Vermelha da IUCN, com avaliação de 1 de maio de 2021. O nome em português da espécie é espadarte, e a forma peixe-espada vem da tradução do nome inglês swordfish, adotada pelo mercado brasileiro. O Rio Grande do Norte tem 167 municípios, segundo o IBGE.
Dicas de compra, substituições e conservação
Compre postas de espessura uniforme, com carne firme e cor rosada translúcida, sem escurecimento na borda: a escureação aparece quando o peixe ficou fora da cadeia de frio. Peça ao peixeiro a espinha retirada, porque a lombar larga do peixe-espada dá trabalho na hora de servir. Se o peixe vier em postas de cauda, a cauda serve para o caldo do pirão. Quando a brasa não estiver disponível, a mesma receita funciona em assadeira alta no forno a 220 graus, com os mesmos 12 minutos. O que não funciona é a marinada de 12 horas, usada em carne de caça, porque o ácido do limão cozinha a superfície da carne e deixa a textura borrachuda. O peixe-espada não precisa disso.
Erros comuns no preparo do peixe-espada
O erro mais comum é mexer as postas na grelha antes de a pele soltar, o que rasga a casquinha e libera água na brasa. O segundo é o excesso de sal, que resseca a lombar larga e tira o sabor do próprio peixe. O terceiro é o pirão grosseiro, batido demais: a mandioca deve ficar em pedaços, porque é o amido liberado que deixa o caldo cremoso sem a necessidade de farinha. E o quarto erro é grelhar em chama direta, que queima a gordura da pele antes de cozinhar o centro da posta.
Tire suas dúvidas
Qual a diferença entre peixe-espada e espadarte?
É a mesma espécie, conhecida cientificamente como Xiphias gladius. O nome espadarte é a designação oficial em português, registrada na Wikipédia e usada pela FishBase, enquanto peixe-espada é a forma de mercado, veio da tradução do inglês swordfish e acabou dominando os cardápios e os fish markets do Brasil inteiro.
O peixe-espada pode ser congelado?
Sim, e a qualidade se mantém boa quando o congelamento é rápido, feito em gelo e no freezer logo após a captura em alto mar. O que não se deve fazer é descongelar e recongelar, porque a carne larga do peixe-espada perde a firmeza e a posta desmancha na grelha. Compre de um peixeiro que mantenha o produto em cadeia de frio, mesmo que ele já venha congelado.
Preciso marinar o peixe-espada antes de grelhar?
Não. Uma temperada de 15 minutos em temperatura ambiente, com sal grosso, limão, alho e pimenta-de-cheiro, é suficiente. A marinada longa de 12 horas, usada em carne de caça nativa, deixa o peixe-espada com textura borrachuda, porque o ácido cozinha a superfície da carne antes do centro.
Como saber quando o peixe-espada está no ponto?
A pele solta da chapa e a carne fica opaca, com o centro levemente rosado. O peixe-espada é uma das poucas espécies em que o centro ainda rosado no momento de tirar da brasa fica cozido ao descansar por 2 minutos. Se você usa termômetro de sonda, o ponto seguro da carne é 52 graus Célsius no centro da posta.
Posso preparar o peixe-espada no forno em vez da brasa?
Sim. Use assadeira alta a 220 graus, postas preparadas com azeite e sal, e o mesmo tempo de 12 minutos. A diferença é a crosta: o forno não entrega a casquinha de brasa tão marcante. Se a grelha estiver indisponível, o forno entrega o mesmo prato com um pouco menos de defumação.
O que é pirão de aipim e por que ele acompanha o peixe?
É o caldo da mandioca cozida, engrossado com farinha de mandioca, que fica por baixo ou ao lado do peixe na mesa do litoral nordestino. Ele funciona como acompanhamento porque o amido da mandioca segura o molho de limão e o azeite do peixe, e porque a doçura leve do aipim corta o sal da carne grelhada.
Como saber se a peça foi capturada dentro do período permitido?
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publica o Período de Defeso da pesca artesanal, que é o período em que a captura de determinadas espécies fica proibida. Confira a página oficial do MPA antes de comprar, porque o calendário muda por estado e por ano, e peça ao peixeiro a procedência da peça. O calendário completo do defeso por estado está na página oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Onde comprar peixe-espada de qualidade?
Nos fish markets e nas feiras livres com estrutura de frio, ou diretamente nos grupos de pesca costeira. Desconfie de peça muito barata, porque o peixe-espada tem valor de mercado alto. Peça a data da captura e não aceite posto que ficou em temperatura ambiente por mais de 2 horas.
Peça ao peixeiro a peça inteira se ela estiver disponível, porque a lombar larga do peixe-espada se aproveita melhor assim, mas aceite as postas que já vêm espadas, que é a forma mais comum no mercado brasileiro. Evite peça com superfície escurecida nas bordas, com marca de freezer ou com odor forte demais, sinais de quebra da cadeia de frio.
Para comparar o resultado com outros pratos de peixe do litoral, veja Cavalinha Assada com Pirão de Aipim, Sernambi Grelhado com Vinagrete de Limão e Garoupa Assada à Capixaba com Farofa de Banana-da-Terra. Para consultar a situação da pesca no seu estado, veja o Período de Defeso da pesca artesanal publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

