🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
Atualizado em outubro de 2026. A quibada de carne de vento com feijão de corda é o almoço sertanejo paraibano feito com carne bovina seca ao sol e ao vento, cozida no próprio caldo junto com feijão de corda, queijo coalho, cebola e coentro. O prato é de panela única, rende seis porções e leva cerca de duas horas do preparo à mesa.
O que separa esta quibada das outras é a carne de vento, o corte bovino que o Sertão Paraibano seca ao ar livre durante o período de estiagem, sem a curagem pesada de sal da carne de sol. O corte fica duro e concentra sabor, e por isso precisa de cozimento longo com água suficiente até desfazer em fios. O passo a passo completo está abaixo, com as quantidades, o tempo de cada etapa e as explicações para os pontos em que a receita costuma dar errado.
Ingredientes
A quibada de carne de vento é montada com poucos ingredientes de verdade e por isso depende da qualidade da carne e do feijão. Use feijão de corda de safra recente, porque ele precisa cozinhar até ficar macio sem desmanchar, e escolha a carne de vento mais limpa, sem excesso de gordura dura.
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Feijão de corda | 500 g (1 xícara de chá) | Grão inteiro, de safra recente, sem mofar |
| Carne de vento | 600 g | Em cubos médios, sem excesso de gordura |
| Queijo coalho | 200 g | Em cubos de cerca de 2 cm |
| Cebola | 3 unidades | Duas picadas e uma em rodelas |
| Alho | 4 dentes | Amassados |
| Tomate maduro | 2 unidades | Sem sementes, picado em cubos |
| Cheiro-verde | 1/2 xícara (chopping) | Picado grosso, reservado para o final |
| Coentro fresco | 1/4 de maço | Picado, para finalizar |
| Óleo de soja | 3 colheres (sopa) | Para dourar a carne |
| Água quente | 2 litros | Use água já fervendo para não travar o feijão |
| Pimenta-do-reino | A gosto | Moída na hora, se possível |
| Sal | A gosto | A carne de vento já é salgada em parte, prove antes |
| Cheiro-verde em ramo | 4 ramos | Para o cozimento do feijão |
Tempo de preparo: 30 min. Tempo de cozimento: 1 h 30 min. Tempo total: 2 h. Rende 6 porções.
Modo de preparo

A ordem dos passos importa mais do que parece nesta receita. A carne vai primeiro à panela dourada em óleo quente, porque precisa criar uma casca que segura o sabor; o feijão entra depois com água já fervendo, para cozinhar sem travar; e o queijo coalho só vai nos últimos minutos, para derreter sem perder a forma.
- Desalve a carne de vento. Se a peça estiver muito salgada, deixe de molho em água fria na geladeira por 2 a 4 horas, trocando a água uma vez. Se for a versão de cura leve do sertão, pule esse passo e prove só no final.
- Corte a carne em cubos. Escorra bem a peça, seque com pano de prato e corte em cubos de cerca de 2 cm. Reserve em temperatura ambiente enquanto você prepara o restante.
- Doure a carne. Aqueça uma panela larga e de fundo grosso com metade do óleo em fogo alto. Distribua os cubos em uma única camada, sem mexer, e deixe formar crosta por cerca de 3 minutos de cada lado. Reserve em um prato.
- Prepare a base aromática. Na mesma panela, use o óleo restante e refogue a cebola picada e o alho em fogo médio por 4 minutos, até a cebola ficar translúcida. Junte o tomate e cozinhe por mais 5 minutos, até o molho começar a escurecer.
- Cozinhe o feijão. Acrescente o feijão de corda, a cebola em rodelas e os ramos de cheiro-verde. Despeje os 2 litros de água quente e tampe. Cozinhe em fogo médio por 40 minutos, mexendo de vez em quando para não agarrar no fundo.
- Devolva a carne à panela. Quando o feijão estiver quase macio, confira o líquido: ele precisa cobrir os ingredientes. Se secou demais, complete com mais água quente. Junte os cubos de carne de vento e a pimenta-do-reino e cozinhe por mais 35 minutos, em fogo baixo.
- Ajuste o caldo. O caldo deve ficar encorpado, com firmeza que os grãos ainda se separem. Amasse alguns grãos com as costas da colher e deixe o espessante circular. Prove e ajuste o sal, lembrando que a carne já é salgada.
- Finalize com o coalho e as ervas. Desligue o fogo, junte os cubos de queijo coalho e o cheiro-verde picado. Tampe e deixe descansar por 5 minutos, tempo suficiente para o coalho derreter e criar um caldo cremoso sem ferver. Sirva com o coentro fresco por cima.
Como servir e variações regionais
A quibada é servida com arroz branco, farinha de mandioca e uma salada simples de folhas, porque o caldo já é encorpado e não aceita acompanhamento pesado. Para o almoço de família sertaneja, a mesa costuma ter ainda um pirão de leite ou de fubá. Existem variações em quase toda casa: há quem use carne de sol no lugar da carne de vento, com resultado mais salgado e cozimento mais curto, e há quem troque o coalho por queijo mussarela em fatias para dar um molho mais cremoso.
Com arroz, o prato vira o almoço completo. Com farinha de mandioca, o caldo ganha corpo de mingau. E, se servir a quibada fria no dia seguinte, ela fica melhor ainda, porque o caldo engrossa e ganha consistência de creme na geladeira.
Conservação e reaproveitamento
Guarde a quibada em recipiente fechado na geladeira e consuma em até 3 dias. Quando esfriar por completo, o caldo engrossa e ganha consistência de creme, o que é normal e ajuda a perceber o nível de sal. Para requentar, adicione um pouco de água quente e aqueça em fogo baixo, mexendo, para o caldo voltar ao ponto sem queimar a base da panela.
Não recomendo congelar a quibada já com o queijo dentro, porque o coalho perde a firmeza e o texto fica aquoso ao descongelar. Se for necessário congelar, congele a carne com o caldo e acrescente o coalho fresco após o descongelamento.
Curiosidades sobre o prato e sobre a Paraíba
A quibada é um prato de nome sertanejo, e o dicionário da língua portuguesa registra o termo justamente para designar o cozido de feijão com carne de cura do interior. O detalhe do nome está na carne de vento, que secularmente foi seca ao ar livre no Sertão da Paraíba, aproveitando o vento da caatinga e o período de estiagem, sem a curagem pesada da carne de sol. Uma consulta à API de localidades do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no endereço servicodados.ibge.gov.br/api/v1/localidades/municípios, devolve 5.571 municípios no Brasil, dos quais 223 estão na Paraíba, o que mostra o tamanho da malha municipal onde essa tradição se espalha.
A secagem tradicional da carne de vento é feita logo após o abate, e o processo resulta em um corte de cor escura e textura firme. Por isso a receita exige água abundante e tempo longo: o objetivo não é dourar a carne, mas fazer o calor úmido transformar o colágeno em textura macia.
Dicas de compra, substituições e harmonização
Na hora de comprar, prefira carne de vento com aparência escura e uniforme, sem áreas esverdeadas e sem cheiro forte de mofo. Se não encontrar, o corte mais próximo é a carne de sol, e nesse caso o processo de dessalgue precisa ser mais rigoroso, com 4 a 6 horas de molho. No feijão, escolha o grão inteiro e firme: se o pacote já vier com grão quebrado ou farinhento, ele desmancha antes de cozinhar.
Para ajustar o sabor, o coentro fresco picado no final faz diferença no aroma, mas quem não gosta pode usar só cheiro-verde. Para harmonização, um vinho tinto leve ou suco de caju caseiro combina com o caldo de carne, e uma sobremesa à base de goiabada e queijo de coalho encerra a refeição no mesmo registro.
Tire suas dúvidas
O que é exatamente a carne de vento?
É um corte de carne bovina que passa por secagem ao ar livre durante o período de estiagem no Sertão, aproveitando o vento da caatinga. O processo é mais demorado e menos salgado que a curagem da carne de sol, e o resultado é um corte escuro, firme e muito concentrado em sabor.
Por que a quibada precisa de tanta água?
Porque a carne de vento tem fibras longas e muito colágeno, que precisam de calor úmido e tempo para amaciar. Se você colocar pouca água, o líquido seca antes de a carne desfazer e a panela pode queimar. Use cerca de 2 litros e confira na metade do cozimento.
Posso usar carne de sol no lugar da carne de vento?
Sim, e o resultado fica mais salgado e com cozimento mais rápido. Nesse caso, deixe a carne de sol de molho de 4 a 6 horas na geladeira, trocando a água uma vez, e reduza o sal do tempero porque a peça já é muito salgada.
Queijo coalho pode ser trocado?
Sim. Mussarela em fatias derrete e deixa o caldo mais cremoso, mas perde a identidade do prato. Para manter o sabor nordestino, use queijo de coalho fresco em cubos ou coalho defumado, que dá um sabor mais intenso ao caldo.
O feijão de corda pode ser preparado de antemão?
Pode, e isso economiza tempo no dia. Cozinhe o feijão em água sem sal, escorra e reserve na geladeira. Ele conserva por 2 dias e só entra na panela nos últimos 40 minutos, junto com o caldo da carne, para não desmanchar.
Como sei se o caldo ficou no ponto certo?
O caldo correto fica encorpado, mas ainda deixa os grãos individualizados. Se ele estiver ralo, amasse alguns grãos com as costas da colher e misture, deixando o espessante circular. Se estiver muito espesso, complete com água quente e cozinhe por mais 5 minutos.
Posso fazer a quibada na panela de pressão?
Sim, e o tempo cai bastante. Cozinhe o feijão com a água por 25 minutos na pressão, adicione a carne de vento e cozinhe por mais 20 minutos. Abra a pressão e finalize com o coalho e as ervas fora do fogo, como no preparo tradicional.
Qual é a melhor forma de armazenar o feijão de corda?
Em recipiente de vidro ou plástico bem fechado, em local seco e fresco, longe da luz direta. O grão dura cerca de um ano em boas condições. Se você mora em região úmida, use potes com tampa hermética e evite deixar o pacote aberto perto do fogão.
A quibada pode ser feita com carne de frango?
Pode, e a versão fica mais leve. Use peito de frango desfiado no lugar da carne de vento, lembrando que o sabor será mais suave e que você perde o toque curado que dá identidade ao prato. O tempo de cozimento também cai pela metade.
Que acompanhamento combina com a quibada?
Arroz branco, farinha de mandioca e uma salada de folhas simples são as escolhas mais equilibradas. Como o caldo já é encorpado e salgado, prefira acompanhamentos sem tempero forte. Uma pitada de coentro na salada realça o sabor do feijão.
Para outras receitas do mesmo clima sertanejo, veja [receita de feijão de corda](https://culinária.ecarts.com.br/feijão-de-corda-receita/), [baião de dois nordestino](https://culinária.ecarts.com.br/baião-de-dois-nordestino-com-feijão-fradinho-e-pao-almoço-cearense-de-agosto/), [funge com queijo coalho e carne de sol](https://culinária.ecarts.com.br/funge-com-queijo-coalho-e-carne-de-sol-o-jantar-de-panela-de-outubro-no-cariri-cearense/) e [cuscuz gaúchério com charque](https://culinária.ecarts.com.br/cuscuz-gauderio-gaúcho-com-charque-e-queijo-colonial-o-jantar-de-julho-no-pampa/).

