🍴 Cartão da Receita
📑 Sumário deste guia
- Ingredientes do prato principal
- Modo de preparo do arroz com guariroba e frango caipira
- Tempo de preparo, cozimento e rendimento
- A guariroba: o que é, como escolher e como tirar o amargor
- Variações regionais e adaptações para outras panelas
- Como servir e harmonizar com a mesa tocantinense
- Conservação, sobras e reaproveitamento
- Tire suas dúvidas
Atualizado em agosto de 2026. Arroz com guariroba e frango caipira é o cozido de panela do cerrado tocantinense que sustentou o almoço de domingo em Palmas, Miracema do Tocantins, Porto Nacional e nas comunidades rurais do Jalapão durante gerações. Leva o broto fresco da guariroba (palmito amargo da palmeira do cerrado), frango caipira inteiro desfiado, arroz arbóreo ou agulhinha, alho dourado e cheiro-verde, tudo cozido em uma panela só, com o arroz absorvendo o caldo da carne e o amargor equilibrado da guariroba. É um clássico de comida de raiz, do tempo em que não se comprava palmito em lata, e ainda aparece nas mesas de restaurante de comida goiana e tocantinense em Brasilia, Palmas e Goiânia.
A receita pousa bem em almoco de domingo de agosto ou em jantar frio durante a seca do Cerrado, quando a guariroba está no ponto e o frango caipira não falta nas chácaras do interior. A combinação do arroz sequinho com o frango bem temperado e o toque levemente amargo do palmito é o que diferencia esse prato do arroz com pequi (que é doce) e da galinhada com milho verde (que é cremosa). Mais adiante você vê a lista de ingredientes em gramas, o modo de preparo detalhado e respostas para as dúvidas mais comuns sobre guariroba, incluindo como tirar o amargor, qual o tempo certo de cozimento do broto e se dá para usar palmito em conserva no lugar do fresco.
Ingredientes do prato principal
| Ingrediente | Quantidade | Observação |
|---|---|---|
| Coração de guariroba fresco | 400 g | Equivalente a dois brotos médios, já limpos e cortados em rodelas finas; o fresco tem gosto melhor que o em conserva |
| Frango caipira inteiro | 1.500 g | Equivalente a uma ave média, cortado em oito pedaços com osso e pele, que dá sabor ao caldo |
| Arroz agulhinha | 500 g | Equivalente a cinco xícaras de chá; arbóreo também funciona e deixa o arroz mais cremoso |
| Cebola média | 200 g | Equivalente a duas cebolas, picadas em cubos pequenos |
| Alho | 30 g | Equivalente a dez dentes médios, bem amassados |
| Tomate maduro | 150 g | Equivalente a dois tomates, sem sementes e picados |
| Pimentão verde | 80 g | Equivalente a meio pimentão, em cubos |
| Cheiro-verde (cebolinha e salsinha) | 30 g | Equivalente a um maço médio, picado fino |
| Óleo de soja ou de arroz | 60 ml | Para dourar o alho e refogar a guariroba |
| Sal grosso | 20 g | Ajuste a gosto depois do cozimento do frango |
| Pimenta-do-reino em grão | 3 g | Equivalente a uma colher de chá rasa, moída na hora |
| Louro em folha | 1 g | Equivalente a duas folhas pequenas, só para perfumar o caldo |
| Água fervente | 1.200 ml | Para cozinhar o frango e o arroz; ajuste se a panela for baixa |
Modo de preparo do arroz com guariroba e frango caipira

A receita rende bem em panela de pressão ou em panela grossa de alumínio com tampa. O passo mais demorado é o cozimento da guariroba fresca, que precisa perder o amargor natural antes de entrar no arroz. Se o broto estiver muito duro, faça uma fervura prévia de 20 minutos em água com sal, descarte a água e só então use a guariroba no prato. O frango caipira também pede um pouco mais de tempo do que o frango de granja, e esse tempo extra é o que dá o sabor da receita de raiz.
Como limpar e pré-cozinhar a guariroba
- Descarte as folhas externas mais duras da guariroba e mantenha só o miolo claro e tenro.
- Fatie o broto em rodelas finas de mais ou menos meio centímetro, sempre no sentido da fibra.
- Coloque as rodelas em uma panela, cubra com água limpa, acrescente uma pitada de sal e leve ao fogo por 20 minutos a partir da fervura.
- Escorra toda a água, lave as rodelas em água corrente e repita a fervura por mais 10 minutos para tirar o restante do amargor.
- Reserve a guariroba pré-cozida em uma tigela enquanto prepara o frango.
Como cozinhar o frango caipira e montar o arroz
- Tempere os pedaços de frango com sal, pimenta-do-reino e metade do alho; reserve por 15 minutos em temperatura ambiente.
- Aqueça a panela grossa em fogo médio, adicione o óleo e doure o frango dos dois lados até a pele ficar bem corada, mais ou menos 8 minutos por lado.
- Acrescente a cebola, o alho restante e o pimentão, refogue por 4 minutos até a cebola ficar translúcida.
- Junte o tomate, o cheiro-verde e a folha de louro, mexa por 2 minutos e adicione 800 ml de água fervente.
- Tampe a panela e cozinhe o frango em fogo baixo por 35 minutos, ou até a carne começar a se soltar do osso.
- Retire os pedaços de frango, deixe esfriar um pouco, desfie a carne grosso e reserve o caldo diretamente na panela.
- Volte o caldo ao fogo, junte a guariroba pré-cozida e cozinhe por 10 minutos para que ela absorva o sabor do frango.
- Acrescente o arroz, mexa uma vez só para espalhar, complete com mais 400 ml de água fervente se o caldo não cobrir o arroz e tampe a panela.
- Cozinhe em fogo baixo por 18 minutos sem mexer, até o arroz ficar macio e o caldo secar no fundo da panela.
- Devolva o frango desfiado, mexa delicadamente, desligue o fogo e tampe a panela por mais 5 minutos para terminar o cozimento a vapor.
- Sirva bem quente, com cheiro-verde extra por cima e, se gostar, uma colher de sopa de azeite de boa qualidade.
Tempo de preparo, cozimento e rendimento
Tempo de preparo: 35 minutos.
Tempo de cozimento: 70 minutos.
tempo total: 105 minutos.
Rende 6 porções generosas.
A guariroba: o que é, como escolher e como tirar o amargor
A guariroba (ou gueroba, como também é chamada) é o broto central da palmeira Syagrus oleracea, muito comum no Cerrado goiano, mineiro, tocantinense, baiano e do Distrito Federal. Quando novo, o broto é claro, fibroso e tem um amargor característico que suaviza com a fervura em água e sal. A guariroba fresca é o que dá o sabor de verdade à receita e, quando bem limpa, deixa o arroz com um perfume de terra úmida que lembra o cerrado depois da chuva. O broto em conserva, vendido em vidros, perde parte do amargor, mas também perde sabor e textura, então use só como último recurso.
Para escolher a guariroba fresca, prefira os miolos firmes, com cor clara e sem manchas escuras. O cheiro deve ser doce e vegetal, nunca azedo. Se possível, compre direto de feiras livres do Cerrado, em Palmas, Brasilia, Goiânia ou cities do interior do Tocantins, onde ainda chega o broto colhido no dia. Evite guariroba muito velha, com miolo escuro ou cheiro forte, pois mesmo cozinhando o amargor não sai.
Variações regionais e adaptações para outras panelas
No interior do Tocantins, o arroz com guariroba costuma levar também um pouco de carne seca desfiada junto com o frango, o que deixa o prato mais encorpado e salgado. Em cidades como Porto Nacional e Gurupi, é comum terminar o cozimento com uma colher de sopa de manteiga de garrafa, que dá um dourado brilhante ao arroz. Quem prefere versão vegetariana pode trocar o frango caipira por duas xícaras de grão-de-bico cozido e adicionar cogumelos do cerrado (comestíveis, vendidos em feiras do DF) ou cogumelo paris fatiado, mantendo o mesmo tempo de cozimento do arroz.
Se a ideia for usar a panela de pressão, refogue o frango e a guariroba normalmente, acrescente o arroz e toda a água, tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por 8 minutos a partir do chiado. Desligue, espere a pressão sair sozinha e termine com o frango desfiado por cima. No forno, o arroz fica mais cremoso: transfira a mistura para um refratário, cubra com papel alumínio e asse em forno médio por 25 minutos, finalizando sem o alumínio por mais 5 minutos para criar uma casquinha.
Como servir e harmonizar com a mesa tocantinense
A combinação clássica da mesa tocantinense com o arroz com guariroba é o arroz branco solto (esse mesmo arroz com guariroba cumpre esse papel), uma carne assada ou frita, uma salada verde de couve com limão e, no inverno seco do Cerrado, um caldinho de feijão com cheiro-verde. Para beber, vale um suco de caju gelado, um suco de maracuja bem doce ou uma cerveja clara bem gelada. Para sobremesa, a pamonha assada ou o doce de buriti fecham a refeição no estilo da comida do cerrado de raiz. Esse mesmo arroz com guariroba também combina bem com frango caipira com ora-pro-nóbis e angu, com a galinhada caipira com milho verde e couve e até com o sarapatel goiano com pequi no mesmo almoço de domingo, porque os três pratos dividem a base de frango caipira e o tempero do Cerrado.
Conservação, sobras e reaproveitamento
O arroz com guariroba e frango caipira dura bem na geladeira por até 3 dias em pote fechado, em temperatura ambiente por até 4 horas e no freezer por até 90 dias em porções individuais. Para reaquecer, prefira panela grossa com um fio de água e fogo baixo, mexendo de vez em quando para o arroz não grudar no fundo. No micro-ondas, cubra o pote com tampa ou filme e aqueça em potência média por 2 minutos, mexendo na metade do tempo. As sobras rendem um ótimo recheio de empadão, basta misturar o arroz com um pouco de requeijão cremoso e usar como base da torta salgada fechada com massa podre ou folhada.
Tire suas dúvidas
Posso substituir a guariroba fresca por palmito em conserva?
Sim, mas o sabor e a textura mudam bastante. O palmito em conserva (de açaí, juçara ou pupunha) já vem cozido e sem amargor, então o arroz perde o frescor da guariroba fresca. Use 300 g de palmito em conserva escorrido, adicione no momento de acrescentar o arroz e não cozinhe demais para não desfazer.
Como sei que a guariroba ficou com o amargor certo?
Prove uma rodela crua depois da primeira fervura: o sabor ainda deve estar marcadamente amargo, mas não pode ficar agressivo. Depois da segunda fervura, o amargor deve estar suave, quase vegetal. Se ainda estiver muito amargo, repita a fervura mais uma vez; se sumiu totalmente, você cozinhou demais.
Dá para fazer o arroz com guariroba sem frango caipira?
Sim, dá para usar frango de granja comum, que cozinha em metade do tempo. O sabor fica mais leve e o prato perde parte do perfume de raiz. Outra opção é trocar o frango por carne seca dessalgada e desfiada, tradicional no Tocantins, cozinhando a carne seca junto com a guariroba antes de entrar o arroz.
Posso cozinhar em panela elétrica ou air fryer?
A panela elétrica funciona bem: refogue o frango e os temperos na função fritar, acrescente a guariroba, o arroz e a água, e programe o modo arroz por 25 minutos. A air fryer não é adequada para o cozimento do arroz em quantidade, mas você pode usar para finalizar o prato cremoso em forma refratária por 10 minutos a 180 °C, criando uma casquinha.
O arroz com guariroba combina com arroz integral?
Combina, e o resultado fica mais saudável. Mantenha a mesma proporção de 500 g de arroz integral, mas aumente a água para 1.400 ml e deixe o cozimento em fogo baixo por 30 minutos, com a panela tampada, antes de adicionar o frango desfiado para o tempo de vapor final.
Qual a diferença entre guariroba e pequi?
A guariroba é o broto da palmeira Syagrus oleracea, tem sabor amargo e textura fibrosa e entra no arroz em pedaços. O pequi é o fruto da Caryocar brasiliense, tem sabor adocicado e textura amanteigada, e entra no arroz em metades ou pedaços menores. Existem receitas tradicionais de arroz com pequi no Norte de Minas e caldo de milho verde com frango e couva goiano que mostram como cada um vira protagonista do prato.
Preciso usar arroz arbóreo?
Não, o arroz agulhinha tradicional funciona bem e deixa o prato mais solto, que é o estilo do Tocantins. O arroz arbóreo deixa o resultado cremoso, mais parecido com a galinhada goiana, e o arroz de pato à moda gaúcha também usa base arbórea para deixar o prato mais cremoso.
O que fazer quando o arroz ficou com muito caldo?
Destampe a panela e cozinhe em fogo médio por mais 5 minutos, mexendo de vez em quando, até o caldo evaporar. Se necessário, acerte o sal e o cheiro-verde nessa hora. Outra saída é transformar o arroz com guariroba em um bolinho frito, moldando pequenas porções e fritando em óleo bem quente até dourar.
Qual a melhor bebida para acompanhar o arroz com guariroba?
Suco de caju bem gelado, suco de mangaba ou suco de buriti combinam melhor que refrigerante, porque equilibram o amargor da guariroba. Para quem consome bebida alcoólica, cachaça de alambique tocantinense e cerveja clara bem gelada também harmonizam, especialmente no almoço de domingo de agosto.


